10.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXIV


                                                 foto do google


Passaram-se vários dias, em que Isabel trabalhou com afã, não só porque conseguiram dois novos clientes e precisavam idealizar as campanhas para eles, como também porque pretendia a todo o custo esquecer os factos recentes e os anseios e desejos que povoavam agora o seu coração. Habitualmente o mês de Agosto era sempre um mês de bastante trabalho. Em Setembro começavam os novos programas de TV e sempre havia clientes que desejavam renovar os seus anúncios nessa data.
A verdade é que a maioria tratava disso bem mais cedo, e nessa altura as campanhas estavam aprovadas e gravadas. Porém sempre havia alguém que se decidia à última hora. E depois queriam sempre o trabalho para ontem. Era um sufoco. Chegava a casa estoirada, e sem vontade para nada.
E a semana passou, e chegou a tarde de Sexta- feira. Por volta das quatro horas, Isabel guardou todas as suas coisas, encerrou o computador e disse:
- Amélia vou sair. Tenho hora marcada no cabeleireiro. Preciso fazer um corte, que não aguento assim com este calor. Levo a correspondência e passo pelo correio. Como já não volto, até Segunda.
- Telefono-te à noite - retorquiu Amélia. O Afonso e eu estamos a pensar ir a um bar novo no Bairro Alto. Vem connosco.
- Não vale a pena. Não penso sair.
- Anima-te. Dizem que é um sítio muito acolhedor. Não é verdade, Luísa?
- Eu gostei muito. Fui lá na semana passada, com o meu namorado e alguns amigos.
Ela não contestou. Agarrou nas cartas que Amélia lhe estendia, colocou sobre o ombro esquerdo a mala e depois de ter posto os óculos escuros saiu. Já na rua olhou o relógio indecisa.
 Estava quase na hora marcada. Se fosse primeiro ao correio decerto chegaria ao cabeleireiro atrasada. Decidiu ir primeiro ao salão.
Foi recebida com extrema simpatia. Era cliente antiga. Uma empregada lavou-lhe a cabeça e depois João, o cabeleireiro, veio fazer o corte. Isabel nunca se preocupava muito com o corte. Confiava plenamente em João e ele sempre decidia o corte em função da moda actual, mas também do tipo de rosto de Isabel. Naquele dia não foi diferente, e quando uma hora depois João lhe colocou o espelho, ela achou que estava bem melhor. Até parecia mais nova. As mulheres precisam de mudar a imagem de vez em quando, para levantarem a auto estima. Isabel saiu do cabeleireiro, sentindo-se bem mais bonita. Olhou o relógio. Faltava meia hora para  o  encerramento dos correios. 

12 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

A sair às 16:00 nem percebo como é que chegava a casa estoirada! Beijoca!

aluap Al disse...

Acompanho o seus contos e raro é o post que não me prenda...
Tenho para mim que os homens cabeleireiros têm mais talento do que cabeleireiras, pelo que acredito mesmo que ela saiu mui bela do cabeleireiro.
Beijos e @té à próxima postagem.

Isa Sá disse...

A passar para acompanha a história e desejar um ótimo final de semana!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Ane disse...

Oi Elvira!Hum...Tô achando que o substituto na firma será uma surpresa muito boa pra Isabel!Tomara!O conto tá excelente!Um abraço!

Edumanes disse...

Assim, mais um capítulo terminou,
do cabeleireiro Isabel saiu mais bonita
esperando o momento que ainda não chegou
mas, que um dia há-de chegar ela acredita!

Tenha amiga Elvira, um bom dia de domingo, um abraço,
Eduardo.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

A curiosidade só aumenta querida Elvira, um abraço e bom domingo para vocês.

Tintinaine disse...

Hoje li todos os capítulos anteriores deste conto e posso dizer que estou em dia e em condições de acompanhar os "diários".

Laura Santos disse...

Uma ida a cabeleireiro é sempre bom para levantar o astral! :-)
xx

Pedro Coimbra disse...

As mulheres??
E os homens?
É claro que sabe bem.
Boa semana

Andre Mansim disse...

Acho interessante o modo que escreve as vezes sobre coisas que não são do seu dia a dia, de uma forma tão desenvolta.
Bom capítulo.

Portuguesinha disse...

Surpreende-me o conhecimento meio que interno dos ambientes profissionais e suas normas. Ou faz uma pesquisa detalhada ou se baseia no que teve à sua volta. Não é fácil escrever uma história com detalhes, se se desconhece como funciona uma empresa de publicidade, o que os move, como falam entre si, quais as alturas do ano que dão mais trabalho e que mudanças tem vindo a sofrer. Assim como é preciso conhecer os locais, as ruas e os caminhos, para poder escreve sobre eles. Parabéns!

Ana Freire disse...

Mais um capitulo super interessante, com todo os ambientes descritos, muitíssimo bem!
E prosseguindo a leitura...
Bj
Ana