11.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXV


foto google



Tanto o cabeleireiro, como o edifício dos correios, e o seu apartamento,   ficavam no mesmo quarteirão, e por isso Isabel não tinha levado carro. Recordou a conversa recente no escritório. 
Era Sexta-feira,  e ela sabia que este era o dia, que normalmente os jovens escolhem para sair à noite. Isabel, raramente saía à noite.
Não lhe apetecia ver os casalinhos a divertirem-se. Não que sentisse inveja deles. O que sentia era pena dela, e esse era um sentimento de que não gostava. Sabia que era uma mulher bonita. Estava habituada a ver a admiração nos olhares masculinos. Mas aproximava-se dos quarenta e começava a pesar-lhe a solidão. Onde estava a vida com que sonhara na juventude? Onde os filhos que desejara? Todas as suas amigas da faculdade tinham casado, tinham filhos.  Só ela continuava sozinha, presa às suas dolorosas recordações. Bom, para ser sincera consigo mesma, a verdade é que desde aquele dia na praia, as recordações, já não eram tão dolorosas assim. Quem seria aquele homem que lhe roubara o sossego? Seria que algum dia ia voltar a encontra-lo?
Absorta virou a esquina e esbarrou em alguém, deixando cair os envelopes. Murmurou uma desculpa e baixou-se para os apanhar. O homem fez o mesmo e ao fazê-lo as suas mãos tocaram-se. Apressou-se a levantar-se e nesse momento a voz rouca soou trocista.
- Você? Vejo que é seu hábito, andar sempre distraída.
Os olhos cinzentos do homem fixaram-na com tal intensidade, que ela teve a nítida sensação de que ele lia nela, como num livro aberto. Corou. O homem franziu as sobrancelhas e semicerrou os olhos.
- Desculpe - disse ela voltando-lhe as costas, e tentando afastar-se rapidamente do local.
- Espere. A sua mão forte agarrou o braço de Isabel, obrigando-a a parar. Não acha que nos devíamos apresentar? Afinal de contas para quem anda por aí a esbarrar um no outro, não podemos continuar desconhecidos. Chamo-me Luís. Luís Teixeira.
Estendia-lhe a mão. Morena, forte e cuidada. Isabel não teve outro remédio que fazer o mesmo. A voz saiu-lhe quase inaudível.
- Isabel Mendes
- Hum! Nome de rainha, - disse ele apertando-lhe a mão.
Foi um aperto intenso que fez Isabel tremer da cabeça aos pés como se fora atingida por uma descarga eléctrica. Inutilmente tentava acalmar-se. Tinha a sensação de que o homem ouvia as loucas palpitações do seu coração E ali continuava ele na sua frente a olhá-la fixamente como se quisesse ler, alguma coisa nos seus olhos, felizmente protegidos pelos óculos escuros.
Bruscamente desprendeu-se e quase correu para o edifício dos correios.

18 comentários:

Blog da Gigi disse...

Linda semana!!!!!!!!!!! Beijos

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Vamos lá a ver o que esta casualidade vai dar.
Um abraço.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira, bom dia!
Voltando das minhas gostosas férias, venho te agradecer por tudo,
e te desejar um abençoado ano, e a todos os seus!
Abraços!!
Mariangela

Edumanes disse...

Na ternura dos trinta, a caminho dos quarenta. Isabel, ao virar da esquina esbarrou no homens dos olhos cinzentos, o qual já há algum tempo não lhe sai pensamento. Só o que lhes falta é acertarem as agulhas e juntarem os trapinhos !
Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história e desejar uma ótima semana!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Fátima Pereira Stocker disse...

Cara Elvira

Tenho sido menos assídua por motivos de tempo mas também por ter a sensação de já ter lido esta história escrita por si há algum tempo. Perdoe-me se estou errada.

Fiquei feliz com a notícia que me deu e desejo-lhe as maiores felicidades.

Um beijo

Ana S. disse...

Pena e solidão são sentimentos tristes e negativos. É preciso acreditar que o dia de amanhã será melhor.
Abraço

Fê blue bird disse...

Um encontro que talvez acabe com a solidão da Isabel,vamos ver !

Um beijinho e boa semana

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Adorei e estou muito curiosa com o desenrolar do conto.
Vamos lá amanhã tem mais.
Um abraço.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Adorei e estou muito curiosa com o desenrolar do conto.
Vamos lá amanhã tem mais.
Um abraço.

Gaja Maria disse...

Bonito! Vamos ver o que se segue :)

José Lopes disse...

Encontros e desencontros da vida...
Cumps

Anete disse...

Um encontro esperançoso! Creio que daqui pra frente um relacionamento vai acontecer...
Obrigada pelas palavras por lá. Ser vó outra vez está sendo muito bom! Curtir cada neto com sabedoria, eis a questão!
Um beijo

Pedro Coimbra disse...

Encontros casuais que vão dar lugar a um romance nada casual.

aluap Al disse...

Quando esbarraram fez-me lembrar um perfume que tinha como slogan: "E se um desconhecido de repente lhe oferecer flores isso é... Impulse".

Bj**

Elisa Bernardo disse...

Acompanhando :)
elisaumarapariganormal.blogspot.com

Andre Mansim disse...

Hummmm tá ficando bom!

Ana Freire disse...

E a história... começa a aquecer!...
Imperdível! O capitulo seguinte...
Bjs
Ana