15.4.18

SEM NOME XII





A chegada do jovem à terra natal, foi uma festa para a família e para os vizinhos que se aglomeraram no pátio da casa, à roda de uma fogueira que mais fazia lembrar o S. João do que a proximidade do Natal. Mas compreendia-se. Estava uma típica noite de inverno, numa zona onde ele sempre muito rigoroso. Mal saiu do carro, todos queriam abraçá-lo, e saber como estava, como se sentia. Emocionou-se com a receção, mas ao mesmo tempo aquela confusão provocou-lhe dores de cabeça. Felizmente não durou muito, o seu pai agradeceu a todos e informou que o filho precisava descansar, Iria estar com eles até ao Ano Novo, haveria tempo para falar com cada um. Os vizinhos acabaram por recolher às suas casas, desejando-lhe as melhoras e ele pôde enfim entrar em casa, enquanto os cunhados apagavam cuidadosamente a fogueira no quintal.
Depois do jantar, com toda a família reunida, a retirada das suas irmãs com maridos e filhos para as suas respetivas casas, permitiu ao jovem retirar-se para o seu quarto. Estava muito cansado. De corpo e alma cansados. A mãe acompanhou-o ao quarto dizendo-lhe que estava tudo como outrora. Apesar da pressão do pai e das irmãs que achavam que era um sofrimento para ela manter o quarto com todas as suas coisas, ela sempre se opusera a que alguém mexesse nalguma coisa. Assim tinha a ilusão de que o filho estava vivo e regressaria um dia.
Por isso a entrada no quarto foi como que um encontro com o passado. Olhou a cama de ferro pintada de preto e coberta com uma colcha de coloridos quadrados em croché, a mesa-de-cabeceira em madeira de carvalho, igual ao armário, liso e sem espelho que estava numa das paredes. Na outra parede junto à porta de entrada, uma estante com vários livros. Por fim, na parede em frente à porta, havia uma janela, que aquela hora tinha cerrado os portais de madeira interiores, meio protegidos pelo fino e vaporoso tecido dos cortinados que caiam em cima do tampo de uma secretária e de uma cadeira, que teria sido posta ali para aproveitar ao máximo a luz exterior nos seus tempos de estudante.
A mãe despediu-se com um beijo, desejando-lhe boa noite e retirou-se deixando-o só no santuário do seu passado, que no entanto não lhe despertou mais do que curiosidade, que deixou para satisfazer no dia seguinte, dado o seu extremo cansaço.



Por  favor continuam a aceitar-se sugestões para o nome deste conto.


19 comentários:

Cantinho da Gaiata disse...

Bem que já tentei pensar num título mas ainda não me ocorreu nada.
Estou gostando da história.
BJ e um bom domingo.

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Mariazita disse...

Bom dia, Elvira
Li este último episódio e, naturalmente, não entendi...
Por isso fui ao princípio, li seis episódios e já fiquei um pouco mais "por dentro". Logo que possa venho ler mais alguns.
Pareceu-me muito interessante. Título? Sem me inteirar por completo não será fácil pronunciar-me, mas já me ocorreu um... :)
Depois digo...

Votos de um Domingo feliz
Abraço
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Gil António disse...

"" A chegada do filho Pródigo"
...................
Acompanhando a estória.
.
*Mulher; Flores e Borboletas, em sintonia poética (Poetizando) *
.
Bom dia
Votos de um domingo feliz.

Roaquim Rosa disse...

bom dia
vem o Natal e o ano novo , mas se calhar só mesmo no S. João o Carlos recupere a sua memória , embora depois disso acontecer muitas coisas novas vão surgir.
JAFR

António Querido disse...

Por coincidência eu estava a pensar: (O Regresso do filho pródigo), quando li a sugestão do Amigo Gil.

Espero que quando acordar se lembre do seu passado.

Bom domingo

✿ chica disse...

Esses dias em família, no deu próprio e igual quarto, talvez acendam a faísca de luz na memória que falta!

E daí vem a sugestão ao título:
FAGULHAS


Lindo domingo! bjs, chica

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse.
Um abraço e bom Domingo.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Tais Luso disse...

Oi, Elvira, eu não arrisco um título por não saber ainda o meio e o fim do conto que promete muita coisa... Mas digo com certeza, que a colcha de croché é magnífica! quantos pensamentos não passaram pela cabecinha da pessoa que crochetou tal colcha??

Beijo, amiga! Uma boa semana.

noname disse...

Caramba, eu achei que adviria alguma luz, pelo choque mas, por enquanto nada. Esperando para ver/ler.

Bom domingo

Edumanes disse...

O heroico Fuzileiro,
na emboscada teve sorte
salvo por um curandeiro
que o livrou da morte
com uma bala no peito!

Tenha uma boa tarde de Domingo amiga Elvira.
Um abraço.

Berço do Mundo disse...

Toda a situação deve ter sido mesmo esgotante, do ponto de vista emocional. Curiosa em relação aos desenvolvimentos da história.
Aproveito para desejar um bom domingo e agradecer o seu apoio aO Berço no concurso da Momondo.
Ruthia d'O Berço do Mundo

Cidália Ferreira disse...

Gostei do episódio.Pode ser que seja bom!!

Beijo-Boa noite.

redonda disse...

Agora vou só comentar que quando apareceu em inglês, na parte em que escrevo os posts, também abriu uma janela que informava que poderia escolher a língua e foi o que fiz, escolhi o português e guardei...espero que aqui também já esteja de volta ao português, um abraço e vou começar a ler o conto

Gaja Maria disse...

Sugiro um nome para o conto "Renascer"

redonda disse...

Estou à espera do encontro dele com a Emília...

Sugestões para o nome:
- Além de O Regresso
- O milagre (porque ele estava morto e voltou e depois estaria sem memórias mas vai recuperá-las, espero)
- O reencontro (consigo mesmo e com o amor da vida dele, que poderá ser a Luísa ou a Emília);

Também poderá haver um mistério por explicar, a razão pela qual ele estava com a carteira do marido da Luísa...podia ser que ele fosse o seu melhor amigo e lhe tivesse pedido para ajudar a Luísa...

Ailime disse...

Elvira,
Acompanhando com muito interesse esta magnífica história.
Beijinhos,
Ailime

silvioafonso disse...

Maria Elvira. Respeito tanto
o seu trabalho que resolvi seguir
o seu blog. Seria uma honra se
você também seguisse o meu.

Uma beijoca e boa tarde.

silvioafonso



.

Meu Velho Baú disse...

Acompanhando a história com interesse.
Beijinhos