8.4.18

RENASCER - V





Três dias mais tarde, o médico informou o homem que ele ia ser enviado de avião para a Metrópole.
- O RX revelou que a bala pode a qualquer momento, provocar-lhe um problema grave, está demasiado perto do coração. Vai ter que se submeter a uma cirurgia para que seja removida, e não pudemos fazer aqui uma cirurgia dessa natureza. Além disso o seu problema de amnésia também tem que ser tratado. O comando já informou a sua família de que está vivo, e estão a tratar da sua passagem de avião. Logo que esteja tudo em ordem virão buscá-lo e levá-lo-ão ao aeroporto.
Ele não respondeu. Como se nada do que o médico lhe dissera lhe interessasse. E a verdade, se quisesse reconhecê-la, é que não lhe interessava mesmo. Morto, já ele se sentia. Como podia sentir-se vivo, se não sabia sequer quem era?
Dois dias depois, partia num Boeing da TAP, rumo à Metrópole. Ia andar de avião. Ele não sabia se já o tinha feito alguma vez, mas não teve medo. Medo tinha do que ia encontrar quando desembarcasse. Será que alguém o iria esperar? E reconheceria ele alguém que eventualmente estivesse no aeroporto? Bom se a mulher da foto lá estivesse ele reconhecê-la-ia. Não tinha dúvidas disso. Mirara-a tantas vezes nos últimos tempos. Mas será que ela o reconhecia? Disso sim, ele tinha as suas dúvidas. Porque apesar de ter a mente completamente vazia, tinha a nítida sensação que ele não era aquele Julião que os documentos diziam.
Oito horas depois de sair de Luanda, aterrava em Lisboa. Propositadamente foi dos últimos a sair. Sem saber o que o esperava, corpo e alma feridos por uma guerra estúpida, eram motivos mais que suficientes, para não ter pressa.
Reconheceu-a mal a viu. Estava sozinha, um pouco afastada, o rosto ansioso, perscrutando o local onde recebiam a bagagem, com ansiedade. Era muito jovem, não aparentava mais do que dezoito anos, e sem embargo, tinha ao colo um bebé enrolado num xaile rosa. Teve a certeza naquele momento de que a carteira que trazia com ele, não lhe pertencia, porque ao ver a mulher, não sentiu nada mais do que um profundo sentimento de pena, Pensou que por muito esquecido que estivesse, se ele fosse o pai daquela criança, o seu coração avisá-lo-ia.
Ele não tinha bagagem. No corpo trazia uma farda militar, na mão um pequeno saco com algumas peças de roupa que no hospital lhe deram.  Encaminhou-se para ela.

24 comentários:

Regine Karpel disse...

Thank you.

Tintinaine disse...

Estava muito curioso em relação à reacção da moça ao vê-lo, mas vou ter que esperar pelo próximo capítulo. Isto é ansiedade e isso é doença!

Roaquim Rosa disse...

bom dia
pois é começa aqui o nosso dilema.
mas se assim não for , não há historia.
um santo domingo para todos .
JAFR

Rui disse...

O coração não costuma enganar. (?)...
Contudo, saberemos já, pela reacção da mulher. Certo que, se não tiverem nada a ver um com o outro, ela o dirá e então, se assim for (o que não acredito) outro grande drama se gerará, porque serão baldadas as esperanças relativas à notícia que a mulher tenha recebido sobre regresso, em vida, do seu familiar.
Saberemos de seguida. (?)

Abraço

António Querido disse...

Vou lendo e calmamente esperando pelo final, que normalmente nos seus contos terminam com a felicidade.

Um feliz domingo sem chuva.

Larissa Santos disse...

Bom dia. Li por alto. Mais tarde passo para ler com a atenção que merece. Ok?


Hoje:- {Poetizando e Encantando } Embriagada na timidez de um sonho.
-
Bjos
Votos de um Óptimo Domingo.

✿ chica disse...

Que situação para os dois... Essa doença deve ser triste.Esquecer assim! Vamos acompanhando!

Beijos, lindo dia! chica

Ailime disse...

Boa tarde Elvira,
Difíceis os problemas da amnésia, mas se ele a reconheceu talvez seja bom prenúncio.
Vou continuar a seguir.
Um beijinho e uma boa tarde de domingo.
Ailime

Cidália Ferreira disse...

Tenho em mim que com o tempo e depois da operação tudo poderá mudar. Amei!!

Especial:- A vida sem a natureza jamais fará sentido (Poetizando...)
.
Beijinhos e um bom Domingo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Imagino a estranha sensação que lhe vai na alma!!!bj

© Piedade Araújo Sol disse...

Elvira

estive a ler todos os anteriores capitulos e estou a gostar e bastante curiosa.

vamos lá aguardar o desenrolar deste conto.

beijinhos

:)

Victor Barão disse...

Com lamento meu, de momento estou sem disponibilidade para seguir este tipo de relato por episódios, mas pelo que já li promete!...

De qualquer modo, com ou sem o meu progressivo acompanhamento, deixo os meus votos de parabéns e felicidades à estimada Elvira, na circunstancia para com este seu conto em concreto.

Abraço

VB

noname disse...

Vamos ver como reage a moça, para pelo menos esse capítulo de dúvida, acabar para o moço. Não deve ser coisa fácil, não se saber quem se é.

Boa tarde

lourdes disse...

Algo me diz que a carteira era de um amigo dele (marido da jovem mãe), mas que agora se vão envolver....
Ihihihihih!!!!
Bjs

José Lopes disse...

Estive a por a leitura em dia...
Cumps

Kique disse...


História interessante
Bjs
https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt/

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Admiro muito a sua capacidade de descrever factos e acontecimentos que proporcionam histórias muito interessantes como é o caso desta.
Beijinhos e boa semana.
Ailime

Odete Ferreira disse...

Colocada a leitura dos capítulos anteriores em dia, aguardo o desenvolvimento desta interessante história.
Bjinho

Edumanes disse...

Aquela guerra aconteceu por teimosia,
por culpa de uns e de outros dirigentes
porque o Salazar dialogar não queria
nem uns nem outros foram inteligentes!

Um abraço.


Lucia Silva disse...

Quanta angústia ficar sem memória, sem nem, pelo coração, reconhecer aquela, deduzo eu, que amou e, possivelmente, o filho seja seu.
Beijos!

Berço do Mundo disse...

Dezoito anos, viúva e um bebé recém-nascido nos braços não deixa antever um futuro muito risinho...

Gaja Maria disse...

O que é que irá daqui sair ?

redonda disse...

Com a descrição dela, desejei que fosse ele, para poder ser o marido que ela esperava e o pai do bebé

Rosemildo Sales Furtado disse...

Como falei no comentário do primeiro capítulo, a trama teria uma certa dose de mistério, e tudo indica que não me enganei. Só me resta esperar os próximos capítulos.

Abraços,

Furtado

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