16.4.18

RENASCER - XIII



Se no hospital a rotina das manhãs, com os enfermeiros a medir a tensão arterial e a ver a febre, antes da mudança de turno às oito horas, o fazia acordar cedo, ali naquela manhã acordara ainda mais cedo com a sinfonia dos animais do campo, começando logo pelo galo, que acordava ainda de madrugada.
Apesar de ter acordado mais cedo do que esperava, sentiu-se repousado e sem o cansaço da noite anterior.
Sentiu os passos da mãe no corredor e pouco depois os passos pesados do pai.  Acendeu a luz e saiu da cama. Sentiu frio. Abriu o armário e encontrou um grosso casaco que vestiu em cima do pijama. Foi à janela e abriu as portadas de madeira, mas ainda era noite. Voltou ao armário e tirou umas calças de ganga, uma camisa de xadrez em flanela e um camisolão de gola alta azul-escuro.
 Depois abriu o gavetão do armário e encontrou alguns pares de cuecas, meias e T-shirts de algodão. Será que aquela roupa lhe servia? Decerto que sim. Apesar de alto estava muito magro, não sabia se sempre fora assim ou se isso se devia aos longos meses que estivera inconsciente. Pegou na roupa e abrindo a porta do quarto encontrou-se no corredor, dirigindo-se à casa de banho.
- Bom dia, filho – a mãe acabara de sair da cozinha e dirigia-se para ele. - Já a pé? Não devias descansar mais um pouco?
- Já acordei há horas, mãe. O que preciso é de um banho, e de um bom pequeno-almoço.
- Já acendi o esquentador. Vai lá tomar o teu banho que já te preparo o dejejum.
A mãe voltou a entrar na cozinha enquanto ele entrava na casa de banho. Pousou a roupa sobre um banco, abriu o armário sob o lavatório, onde na véspera guardara os seus pertences de higiene, um copo, uma pasta e escova de dentes, uma gilete, um pincel e um frasco de loção Old Spice.
Fez a barba e escovou os dentes, antes de entrar no duche, e depois deste, vestiu a roupa que trouxera e verificou que não só lhe servia como não se ajustava ao corpo na perfeição o que queria dizer que realmente estava muito magro.
Passou a loção no rosto, guardou de novo as suas coisas no armário, levou o pijama para o quarto e dirigiu-se à cozinha.


Não se esqueçam de ir deixando os vossos títulos, para este conto que continua sem nome
E amanhã vou andar em passeio de estudo por Alenquer, pelo que só regressarei à noite.

22 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Vamos ver se a mudança de ambiente desperta a memória.
Boa semana

Fatyly disse...

ESte promete e vou continuar a seguir:)

Beijocas e um bom dia

✿ chica disse...

Acompanhando e gostando das riquezas de detalhes do enredo! bjs, e linda semana! chica

Gil António disse...

Bom dia. Acompanhando a história.
.
* Saudade! Do quê? De quem? Não sei, confesso *
.
Uma semana feliz.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse esta excelente história.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

noname disse...

Ao ler este capítulo, senti uma nostalgia imensa. Só faltou o cheiro a pão cozido no forno de lenha eheheheh


Bom dia, Elvira

Anete disse...

Olá...............................

Recuperação de memória é um processo GRANDE, assim como cura interior/traumas... É um passo a passo que deve seguir pacientemente...

Bom conto, Elvira...

Abração nesta segunda-feira...

Gaja Maria disse...

À espera que o milagre da memória se dê :)

Cidália Ferreira disse...

Boa tarde!
Mais um interessante episódio. Creio que lentamente vai lembrar-se de muitas coisa. Mas bolas usava uma das minhas fragrâncias para Homem :)!!

"Renascido para uma segunda oportunidade"


Beijo e um excelente semana

Pérola disse...

Aguardando por novas narrativas.

Beijo

Os olhares da Gracinha! disse...

Rotinas que podem ajudar!
bj

Edumanes disse...

Esse seu conto sem nome,
à espera de um adequado
como Carlos não sabe onde
sua memória terá deixado?

Hoje tenha uma boa tarde e amanhã por Alenquer tenha um bom passeio em visita de estudos.
Um abraço

Tintinaine disse...

Em vez de "Sem nome" pode ser "Sem memória". Não é grande coisa mas serve melhor que o actual.
A Régua é um dos sítios de que gosto. Se não estivéssemos no mundo da ficção ia lá visitar o Filho da Escola Carlos.

Marina Fligueira disse...

Si, Elvira, bien pudiera ser verdad, cuantas veces alguien deja de recordar hasta su nombre... Que Dios nos ampare.
Va a estar estupendo este relato, de hecho ya gusta este primer capitulo.

Me ha gusta leerte, te dejo mi gratitud y mi estima.
Un abrazo y ten una feliz semana.

Kique disse...

Este conto continua interessante

Bjs
https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt/

Cantinho da Gaiata disse...

Vamos ver se com a mudança de ares lhe volta a memória.
Bjs

Meu Velho Baú disse...

Vamos ver o que lhe acontece na privacidade do seu lar,
Beijinhos e um bom passeio

silvioafonso disse...

Você pode voltar a noite,
porém a noite quem não volta
aqui sou eu, mas amanhã ce-
do, não tão cedo como o ga-
lo gosta, eu volto para ver
a procissão das letras.

Beijos, amiga. Beijos.

silvioafonso




.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Gosto muito da sua escrita e este conto não é nada fácil.
Sobre o nome...
Coisas da memória...ou Memória atraiçoada.
Um beijinho.
Ailime

Roselia Bezerra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Berço do Mundo disse...

Nada como uma boa noite de sono, num lugar silencioso, para recompor o corpo e o espírito.
Beijinho e um lindo fim-de-semana
Ruthia
obercodomundo.blogspot.pt

Lucia Silva disse...

Tomara que ele consiga ir recuperando a memória com o silêncio e o aconchego da família.
Abraços!