13.4.18

SEM NOME X


Muita coisa aconteceu em Portugal e no mundo, desde que Carlos tinha sido ferido, e muitas mais aconteceram desde que se tinha apresentado no Comando Naval de Angola. O ano de mil novecentos e sessenta e oito, que agora chegava ao fim, tinha dado uma grande volta no mundo. O Maio de sessenta e oito em França, a que se seguiria a vitória do general De Gaulle, o assassinato do pacifista Martin Luther King, e do senador Robert Kennedy, forte candidato à presidência dos Estados Unidos, e a eleição de Richard Nixon, a queda de Salazar a que se seguiu pouco depois a trombose, e a consequente nomeação de Marcelo Caetano, um sem número de acontecimentos que mostravam querer mudar o mundo, de que ele só teve conhecimento através de jornais e revistas antigos a que teve acesso no próprio hospital.
Naquele dia, vinte de Dezembro Carlos recebeu a guia que lhe dava licença até ao dia dois de Janeiro de mil novecentos e sessenta e nove, e esperava a chegada do pai, que o vinha buscar. Na véspera tinha-se despedido de Luísa e já sentia saudades, pelo tempo que sabia não ia vê-la. Por outro lado tinha grandes esperanças de que a visita à casa onde nascera e vivera toda a sua vida até vir para a Marinha, lhe trouxesse de volta o homem que fora, com as suas recordações alegres ou tristes, que preenchessem o vazio que ia na sua cabeça.  Apesar de tudo, sentia que devia estar grato, a Deus pois fora-lhe dado uma nova oportunidade de viver, coisa que os seus camaradas não tiveram.
Já estava pronto, e à porta do hospital quando o pai chegou. Abraçaram-se com emoção. Não sabia se sempre fora assim, mas desde que acordara na cubata do seu salvador, tudo o emocionava.
-Como estás, filho?
-Na mesma, meu pai. O médico pensa que esta ida a casa, rever os locais onde nasci e cresci, ver família e amigos pode fazer com que recupere a memória. Oxalá ele esteja certo. Estou farto desta vida em que me encontro.
- Tem calma, filho. Tudo tem o seu tempo. Não acredito que Deus te tenha salvado para te deixar desmemoriado. As tuas irmãs e cunhados estão a organizar uma festa, com todos os teus amigos, e com as raparigas com quem te davas. Até a Emília que estava em França com os pais cá está. Lembras-te da Emília, a filha do Alberto pedreiro, que estava emigrado na França?
- Não meu pai. Não me lembro de nada nem ninguém e sabe Deus como tenho lutado para tentar lembrar-me de alguma coisa. 
- Talvez te lembres quando a vires. Era muito amiga das tuas irmãs, e tu parecias sempre encantado com ela. Tanto nós como os pais dela, esperávamos que vocês começassem a namorar a qualquer momento, mas tu não te querias prender antes de ires para a tropa, e ela e a mãe acabaram por ir juntar-se ao Alberto, na França.



E como hoje é Sexta-feira 13 aqui deixo um link para os novos leitores. Os mais antigos já conhecem


17 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Será ela o gatilho que fará disparar a memória perdida?
Bfds

Roaquim Rosa disse...

bom dia
talvez seja mais um dilema para o Carlos !!
como não sou supersticioso , uma boa sexta feira - 13.
JAFR

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Os olhares da Gracinha! disse...

Pode ser que o regressar ... ajude! bj

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Gil António disse...

Bom dia. Acompanhando a estória.
.
* Fonte Divina de Amor Sentido *
.
Desejando um dia feliz.

✿ chica disse...

Na torcida pra que essa visita à casa dos pais e convívio, o traga de volta, pelo menos um pouco! beijos, chica

António Querido disse...

1968 e 1969, foram os anos em que joguei tudo para uma vida adulta a dois, anos conturbados para uns, os melhores para mim.

Aquele abraço.

Manu disse...

Espero que as memórias voltem e tudo se recomponha.

Feliz sexta feira 13

Abraço Elvira

Cidália Ferreira disse...

Mais um episódio interessante. Oxalá consiga que a memória volte.!!!

Beijo. Bom fim de semana.

noname disse...

A>i ai, mais uma mulher no horizonte? :-))

Boa tarde Elvira, bom fim de semana

Meu Velho Baú disse...

Estou curiosa pelo próximo episódio....
Até lá um Bom Fim de Semana
Beijinhos

Edumanes disse...

Será a Luísa ou será a Emília,
uma delas para sempre feliz o fará
o destino os conduzirá na vida
tudo como Deus quer que seja, será?

Tenha uma boa noite de Sexta-feira 13, bem como um bom fim de semana amiga Elvira.
Um abraço.

Kique disse...

Interessante...mistério
Bjs
https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt/

Anete disse...

Boa noite, Elvira!
Logo as lembranças virão... O cérebro e a mente são complexos, às vezes precisam de bons treinamentos para serem revigorados.
Tenha um feliz sábado...
Beijinho

redonda disse...

Estou a gostar muito desta história, pelas referências a acontecimentos da época e porque eles me estão a parecer muito reais...só não sei se torço pelo romance com a Luísa ou com a Emília...

Ailime disse...

Vamos ver se durante a festa os rostos dos amigos lhe voltam a ser familiares.
Beijinhos,
Ailime