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17.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXXI


Clara deixou-se cair no sofá, uma lágrima silenciosa rolando pela face. Ele não precisava dizer nada, para que ela soubesse o que tinha acontecido.
Ele desejava-a, isso era mais que evidente, mas a palavra amor assustara-o. Ricardo não acreditava no amor e talvez o seu coração nunca viesse a senti-lo, mas o seu corpo, as suas hormonas, não precisavam de amor para entrarem em ação. E ela amava-o como nunca amara alguém. Não que tivesse uma grande experiência amorosa. Amou Júlio, ou pelo menos pensava que o amava, quando se lhe entregou, e quando aceitou casar com ele. Júlio era pois o termo de comparação, e o que sentia agora, não se podia comparar, era algo avassalador. Um sentimento muito mais forte, um desejo dele que a assustava e envergonhava. Mas dar livre cursos aos seus sentimentos, sabendo que ele não a amava, era oferecer-se como voluntária para sofrer. Por isso chorava. Por ela e por ele.
Levantou-se para sair da biblioteca e então ele virou-se.
- Por favor não te vás embora. Precisamos ter uma conversa séria.
Ela voltou a sentar-se. Cruzou as mãos sobre o regaço e aguardou.
- Penso que já me conheces. Não sou homem de rodeios, nem de dizer aquilo que não sinto, só porque, como agora se diz é politicamente correto. Quando te propus casamento, foi como sabes para que tivesse alguém que tomasse conta dos meus filhos e os pudesse defender de qualquer perigo enquanto estava fora. Não pensava em ti como uma esposa mas como uma empregada, com quem tinha celebrado um contrato vantajoso, mais para mim do que para ti.
Porque eu poderia continuar com a minha vida como até aí, e tu ficavas com a tua vida em suspenso por quinze anos. Mas enfim se tu aceitavas, o problema era teu, para mim estava tudo bem.
Mas depois do casamento nada correu como eu esperava. Desde logo, porque tu não te limitaste ao teu papel de cuidar deles. Começaste a questionar o meu amor por eles, e obrigaste-me a encarar a minha vida por um prisma diferente. 
O que sabia de ti, pelo relatório do investigador, e o que observava diariamente, (o teu amor pelo teu irmão, tão grande que por ele nenhum sacrifício era impossível), a maneira afável como tratavas a Antónia, o carinho que demonstravas pelos meus filhos, a sensibilidade com que trataste da minha partida, não só aconselhando-me, como preparando aquele vídeo que foi o meu suporte, durante os últimos seis meses, cada vez que me sentia psicologicamente mais débil, fizeram com que ganhasses a minha admiração.
A pausa que se seguiu foi longa. Clara não se atreveu a dizer nada. Sentia que ele estava a seguir uma linha de pensamento, e esperou paciente.
- Pelo que te contei, do que foi a minha vida amorosa, deves saber que a minha opinião sobre as mulheres é péssima, e portanto um casamento no papel, não me afetava nada, antes pelo contrário servia-me de escudo contra possíveis tentações. Mas quando embarquei, tu já não estavas no mesmo patamar das outras mulheres. Já eras alguém especial, uma exceção para confirmar a regra.
E durante estes seis meses, as mensagens, que trocámos, fizeram-me repensar toda a minha vida e as minhas ambições para o futuro.
Desde logo, estou a pensar deixar a vida militar, e enveredar por um novo projeto profissional, que não me afaste de casa.
Se ficar em casa, estarei sempre ao lado dos meus filhos, e eles deixarão de precisar de ti para os amparar e proteger, porque eu estarei aqui para isso.
A jovem ficou lívida. Pensou que ele ia rescindir o contrato e sentiu um aperto no coração. Não pelo dinheiro. Estava no contrato que se ele o rompesse ela teria direito aos cem mil euros estabelecidos para o seu final. Porém naquele momento o dinheiro não lhe importava. Dinheiro nenhum do mundo pagava o amor que ela ganhara pelas crianças. E o delas por ela. Era cruel demais.
Mas então ele continuou, como se não se tivesse apercebido da emoção que as suas palavras tinham causado no espírito feminino.
- Mas eu nunca lhes poderei dar, aquilo que tu lhes deste. O amor de uma mãe. Então põe-se a questão da nossa vida pessoal. Tu és uma mulher muito bonita, que despertou a minha libido e o meu desejo. Pelo que ocorreu aqui há minutos, creio que também não te sou repulsivo. Estamos casados. Então porque não transformar aquele casamento de fachada, num casamento real?







16 comentários:

Janita disse...

Ainda agora daqui saí e já cá estou de novo.

Pois sim senhora, ouvi a conversa entre ambos, ou melhor, o que o Ricardo disse e, a mim, mais me parece que ele lhe está a propor um novo negócio!
Decididamente o homem não tem tacto nenhum para falar das coisas do coração!
Vamos lá ver qual será a reacção da jovem e apaixonada Clarinha!

noname disse...

´h, Elvira, tenha dó, vai mesmo matar-me ahahahah

Boa noite

Cidália Ferreira disse...

Aleluia!!!
Tenho a certeza que ela não se vai negar! :)

Silêncio do embaraço
Beijos -Boa noite!

chica disse...

Mas na certa agora desencalha esse amor... Tomara ela aceite e vivam felizes como merecem, como marido e mulher, apaixonados e crieem os filhos juntos e ainda apareça um só deles,rs...beijos, chica

Ailime disse...

Que balde de água fria, Elvira.
Coitada da Clara, o que irá responder-lhe?
Eu sei o que diria e faria:))!
Beijinhos e uma boa noite.
Ailime

Edumanes disse...

Acho que Ricardo está sendo sincero com Clara. Ele acaba de dizer o que quer. Agora compete a Clara decidir se aceita ou não?

Tenha uma boa noite amiga Elvira.
Um abraço.

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida amiga Elvira!
Na certa, ela se sente doida pela forma dura dele dizer as coisas do 💙.
Mas conseguirá amansar a fera em que o homem se tornou para blindar-se contra o Amor.
Deus te abençoe muito!
Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

Manu disse...

Uma conversa desse Ricardinho, que me deixou irritada, será que não muda e o coração amolece?
Abraço Elvira

Larissa Santos disse...

Acho que as coisas vão mudar :)) Gostei...:))

Hoje, com: Sussurros da natureza em desamor
Bjos
Votos de uma abençoada noite.

Pedagoga Literária disse...

Olá boa noite, adorei o que escreveste, vou tentar acompanhar, já estou te seguindo, se puder seguir o meu, ficarei muito feliz, abraços.

Tintinaine disse...

Gostei da conversa franca.
Acho que estão a dois passos de encontrar o caminho certo.
Final feliz à vista!

Cantinho da Gaiata disse...

Boa, agora fico na ansiedade pelo próximo post.
Cada vez estou mais maravilhada.
Bjs

Jorge Sader Filho disse...

Coisas do amor. elas acontecem mesmo, sob as mais variadas formas. Gostei muito, Elvira!
Beijinhos.

Pedro Coimbra disse...

Que declaração de amor tão original!!
Abraço

Joaquim Rosario disse...

Bom dia
Um casamento real !
Talvez ainda apareçam algumas contrariedades , pois mesmo nos casamentos reais existem , mas tudo leva a crer que o amor como sempre vai se impor e a família vai ser feliz .
JAFR

aluap disse...

Acho que sim.
Abraço.