15.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXVIII




Por essa altura, Clara tinha uma única certeza na sua vida. Estava irremediavelmente apaixonada pelo homem com quem celebrara um contrato de trabalho que incluía um casamento para sociedade ver. Não sabia quando isso acontecera nem esperara que tal viesse a acontecer, e Deus era testemunha que se tal ideia lhe atravessasse a mente, decerto agora não estaria ali. Mas o certo, é que acontecera, e agora o futuro apresentava-se-lhe pintado de sombrias cores. Porque uma coisa era estar ali cumprindo o contrato como uma empregada.
Outra coisa muito diferente, seria fazê-lo dia após dia, com o coração cheio de amor por alguém que não lhe correspondia.
Embora as mensagens de Ricardo chegassem quase diariamente, elas não acalmavam o seu coração, nem lhe davam qualquer esperança de que ele pensasse nela de outra maneira que não, a ama que lhe cuidava dos filhos.
Aquela última semana antes de Natal foi muito intensa. Alfredo trouxe para casa um vaso com um pequeno pinheiro, que Clara e Tiago enfeitaram com a ajuda das crianças.
Natal era festa de família. Uma vez que Ricardo não estava presente, Clara decidiu que a Ceia de Natal seria partilhada com os empregados. Afinal Antónia tinha um verdadeiro amor por todos os habitantes da casa. E dado que Adelaide, ficaria sozinha com os dois filhos, disse-lhe que os trouxesse e jantariam todos juntos. Natal é festa de Amor e partilha.  
Depois os dois irmãos foram ao Centro comercial e compraram as prendas para todos. Uma bola de futebol e um estojo completo de pintura, presentes que os filhos de Adelaide tinham pedido na carta ao Pai Natal. Um pequeno órgão para a Soraia, uma bicicleta para o irmão, também pedido por eles ao Pai Natal. Também comprou um traje completo para cada um. As crianças gostam de vestir roupa nova nos dias festivos.
 Tiago escolheu os seus próprios presentes. Um novo portátil, já que o seu estava avariado e um blusão. Para ela não comprou nada. Na verdade não tinha vontade de nada, e a noção que tinha da festa de Natal, era a partilha de Amor, não de presentes. Esses eram para as crianças. Depois passaram numa loja de disfarces e compraram um fato de Pai Natal
Todos os presentes acomodados no carro, regressaram a casa. Não os levaram para casa. Clara tinha combinado com Alfredo, que depois do jantar ele arranjaria alguma desculpa para se retirar, vestiria o fato e entregaria os presentes.
A meio da tarde Ricardo esteve com os filhos numa video-chamada.
Clara que o observava, achou-o mais magro. Também era visível o esforço que fazia para se mostrar feliz com os filhos. “Deve estar cheio de saudades” pensou. Depois que ele se despediu dos filhos ela pediu se ele podia ficar mais um pouco. Pediu às crianças que fossem brincar com os filhos de Adelaide e fechou a porta quando saíram. Voltou para o computador e disse:
 -Não me parece que estejas muito bem. Estás doente?
-Não. Apenas cansado e cheio de saudades. Daria qualquer coisa para estar aí.
- Calculo. Suponho que aí não festejem o Natal.
-Eu e os meus homens, vamos fazer uma ceia especial daqui a pouco.
A religião aqui é quase cem por cento muçulmana. Não há igrejas católicas no país. Há apenas uma capela na embaixada italiana em Cabul.
-Olha, vou filmar a hora em que eles vão receber os presentes e mando-te por correio eletrónico, ainda hoje.
- Agradeço-te. Só verei amanhã, porque depois das dez não temos acesso aos computadores.
-Cuida-te Ricardo. Nós precisamos de ti.
- Nós? Tu também?
- Não costumo dizer o que não sinto – ela tinha a noção de que devia estar mais vermelha do que a camisola que trazia vestida. – Adeus.
- Adeus Clara.


18 comentários:

Rejane Tazza disse...

Em meio à conversa, ela deixou, sem perceber, um sinal pra ele... Tomara ele se dê bem conta disso! Estou adorando! beijos, chica

noname disse...

E vamos no carrossel da vida destes dois :-)

Boa noite, Elvira

Elyane Lacerdda disse...

Amei sua escrita,querida!
Vc desenrola muito bem o texto!
Bravo pela prosa!
Mande-me sempre textos seus...
bjos
htt://www.elianedelacerda.com

Janita disse...

Gosto deste amor subentendido, desta troca de palavras que escondem e mostram, simultâneamente, o afecto que os vai envolvendo e se fortalece na saudade.
Coisa linda esta do enamoramento...

Um abraço e uma boa noite, Elvira.

lourdes disse...

A coisa está a aquecer.
Algo me diz que quando ele voltar se vai esclarecer tudo e eles vão ser uma família a sério.
Bjs.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Continuando a seguir com muito interesse.
O romance entre Clara e Ricardo, já se antevê.
Beijinhos,
Ailime

Roselia Bezerra disse...

Boa noite querida amiga Elvira!
Muito lindo o momento onde ela se inclui no diálogo... o 'nós' deu uma vida a esta parte, extrordinariamente. Lindo demais!
Deus a abençoe muito!
Bjm fratern e carinhoso de paz e bem

Os olhares da Gracinha! disse...

O destino aproximou_se...o que vai ser excelente para todos!!! Bj

Pedro Coimbra disse...

E agora o coração dele está derretido.
Abraço

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
Depois de um capitulo em que tudo é posto ao mais pequeno pormenor , fica no ar algo que todos nós esperamos , ou seja .
O casamento vai deixar de ser um contrato , para ser um casamento de um grande amor !!
JAFR

Tintinaine disse...

Lá está o Cupido a fazer das dele! Já acertou com a sua flecha no coração de um apaixonado. Ou terá sido nos dois?

Maria João Brito de Sousa disse...

Bom dia, Elvira :)

Cá estou, atenta ao desenrolar da história.

Abraço

Isa Sá disse...

a passar para acompanhar a história.


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Larissa Santos disse...

Lindo. E ele deve ter o mesmo sentimento, mas o facto de não estar sozinho, deixa-o constrangido, tenho a certeza:))

Hoje, com: Sussurros da natureza em desamor
Bjos
Votos de uma óptima Terça - Feira

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Edumanes disse...

Ricardo está no Afeganistão,
Clara por ele está apaixonada
devido à distância que os separa
as saudades cada dia que passa
estão-lhe corroendo o coração!

Tenha um bom dia amiga Elvira.
Um abraço.

Anete disse...


Aos poucos, um forte amor acontecendo, criando raízes e asas para tempos muito felizes...

Abraços

Gaja Maria disse...

A chama ja´está acesa :)