Francisca era muito bonita. A sua pele não tinha brancura da pele de Olga, mas nem por isso era menos bela. E era uma mulher de fibra. A maneira alegre e doce como tratava das crianças, a alma com que geria aquela casa, como tomava sobre os seus ombros todas as tarefas relativas, aos filhos para que ele não perdesse tempo, era admirável. Ele tinha muito trabalho, mas nem por isso lhe passava despercebido tudo o que se passava em casa.
De súbito
pensou que gostaria de passar os seus dedos pelo rosto adormecido. Sentir se a
sua pele era tão macia quanto parecia.
Abanou a
cabeça, como se assim expulsasse aquele pensamento inoportuno. Depois sem fazer
barulho dirigiu-se à casa de banho.
Pouco
depois voltou. De pijama e chinelos, dirigiu-se à cama e deitou-se.
Apagou a luz.
Não sabia
quanto tempo dormiu. Acordou com o choro infantil.
Acendeu a
luz. A porta do quarto ao lado estava aberta. Levantou-se. A cama estava vazia.
Saiu para o corredor e viu que a luz estava acesa no quarto das filhas
Parou na
porta. Francisca tinha Ana ao colo. Acariciava-a e murmurava palavras de
conforto.
-Que
aconteceu? – Perguntou em voz baixa.
-Um
pesadelo. Mas já está tudo bem. Não tarda a adormecer. Vai descansar.
Voltou
para o quarto. Acordou às cinco da manhã. A cama no quarto ao lado continuava
vazia. Levantou-se e foi ao quarto das filhas. Ana dormia profundamente,
abraçada a Francisca. Fechou a porta sem fazer ruído e regressou à cama.









