6.11.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XV



Depois do duche e de ter trocado de roupa, Afonso voltou à sala. Foi até à janela e ficou observando o exterior. A irmã, estava no baloiço com a sobrinha Ana. Marta e João ora subiam as escadas do escorrega, ora se deixavam deslizar pelo outro lado, soltando alegres gargalhadas. Desde o dia em que se conheceram três meses antes, que aqueles dois quando estavam juntos era uma festa. Ninguém diria ao vê-los que não eram irmãos, ou amigos de longa data. Um pouco afastados, Francisca, de cócoras falava com Simão. O menino preocupava-o. Pelo que observara, naqueles três meses, parecia-lhe demasiado adulto para os seis anos que ia fazer em breve. Não tinha a alegria nem a espontaneidade do irmão, nem estava sempre a pensar na brincadeira. Várias vezes observara nele atitudes de protecção com o irmão e até com a própria mãe.
No jardim a conversa continuava, e Afonso pensou que gostaria de saber de que falavam. Será que o miúdo ia ter problemas de integração? Que não ia aceitar o casamento da mãe?
A carrinha do restaurante parou junto ao portão. Antónia, a empregada, saiu para o abrir e lhes franquear a entrada.  Viu as duas mulheres chamarem as crianças e encaminharem-se para casa. O serviço com o restaurante estava tratado, incluindo a presença de dois empregados para lhes servir a refeição, não tinha que se preocupar com isso. Chamá-lo-iam quando tudo estivesse pronto.
O que o preocupava agora era a visita dos ex-sogros, no dia seguinte. Não lhes tinha dito nada que ia voltar a casar. Preferira apresentar-lhes o acto consumado. Desde que lhe disseram que queriam a guarda das meninas, porque achavam que elas estavam muito sozinhas, que um homem só e ainda por cima com tanto trabalho, não teria condições de dar às crianças a atenção que necessitavam, toda a simpatia que lhes tivera desaparecera. Fora por isso que Graça o incentivara a casar. E se a princípio ele achou que semelhante ideia era uma estupidez, depois que a irmã lhe falou da amiga, e sobretudo quando a viu, tímida e envergonhada no seu escritório, a ideia começou a parecer-lhe mais aceitável.  E se ainda tinha dúvidas, depois que ela foi com os filhos, passar o dia lá a casa, e viu a forma carinhosa como tratava deles, e como se deu a conhecer e tratou as meninas, teve a certeza de que era realmente o passo certo.

14 comentários:

A Nossa Travessa disse...

Querida Elvirinhamiga

Isto está a caminhar - e cada vez mais acelerado - para a novela ou quiçá para o romance. Fôlego não te falta, escrita também, enredo adensa-se. Um dia destes tens de parar e avisar a malta que continuarás a escrever - mas esperas que depois comprem a obra completa [talvez com um desconto.. simbólico :-)))))))]

Já te tenho dito que escreves muito bem - o que é verdade; se assim não fosse também to diria; sou pão, pão, queijo, queijo; sempre o fui e não seria agora aos 75 anos que iria mudar... Fico à espera do... novo capítulo...

Qjs do fã Henrique, o Leãozão

LÊ, SFF, O COMENTÁRIO QUE SEGUE

A Nossa Travessa disse...

Camarada

Um desejo da minha querida Gabrielamiga é para mim uma ORDEM e por isso espero que a massa que já amassei comece a levedar para depois ir ao forno de padeiro com lenha de azinho. De certo já compreendeste do que se trata: é a sequência da vida da Senhora Dona Alzira Silva da Purificação.

Nesta via têm lugar imprescindível e inultrapassável umas obras que estão a decorrer na rua onde ela vive destinadas a remodelar a distribuição de água aos oradores, oops, moradores e que tantos transtornos lhes têm criado.

Quando o post esteja pronto espero que seja do teu agrado e comentário – bem como de outras/os Comentadoras/es. Por favor diz-me o que pensas na NOSSA TRAVESSA:

Qjs do Henrique, o Leãozão

Luis Coelho disse...

Sempre interessantes os seus textos.
Aqui se cruzam estradas que muitos percorremos em vida.

✿ chica disse...

Daqui a pouco teremos o almoço da família....E como será na mesa? Gostando muito de acompanhar! bjs, chica

Rui Espírito Santo disse...

Estou para ver a reacção dos ex-sogros, agora, perdidos os "argumentos" ! :))
... e o "princípio do amor" (por parte do Afonso) anda no ar ! :)

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

Aproveitei que tinha tempo, para ler de enfiada todos os capítulos deste "Estranho Contrato".

É uma história suave, como é seu timbre, mas no que reparei mais foi na sua escrita, que se mostra muito mais depurada. Parabéns.

Um grande beijo

Edumanes disse...

De passo certo sigam em frente. Aproveitem o que a vida tem para vos dar. Com o amor que as vossas corações um pelo outro sentem. Sejam muito felizes, enquanto as vossas vidas durarem!

Bom domingo amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Dorli Ramos disse...

Oi amiga,
Nem sei mais o que escrever. Eu iria na piscina com as crianças. Afonso ficaria louco com aquele corpão e iria nadar também...
Beijos
Minicontos2

Blog da Gigi disse...

Lindo domingo! Beijos

Gaja Maria disse...

Como será que vai correr?

© Piedade Araújo Sol disse...

aguardando a continuação, isto promete um final feliz
a ver vamos
beijinhos
:)

Rosemildo Sales Furtado disse...

Enquanto eles almoçam, eu aqui vou tomar um pouco d'água e aguardar os próximos acontecimentos.

Abraços,

Furtado

Smareis disse...

Vamos aguardar o almoço.
Beijos!

maria disse...

Vamos ver como reagem os sogros...será que eles vão entender e aceitar?...estou curiosa!