4.11.16

ESTRANHO CONTRATO PARTE XIII



-Não quero que os meus pais saibam do casamento. Não iam entender. Vou dizer-lhes que me contratou para ama das meninas, e que não se importa que tenha comigo os meus filhos. Não me agrada mentir, mas sei que eles não iriam aprovar o que nos propomos fazer. Mais tarde lhes contarei a verdade. É a minha única exigência.
- Muito bem. Vou telefonar à minha irmã para a vir buscar. Entretanto se me der os seus documentos, mando já fazer as cópias para dar início ao processo de casamento.
Francisca tirou os documentos e estendeu-lhos. Ele abriu a porta e chamando a secretária, pediu que lhos fotocopiasse.
Fechou a porta e voltou-se para ela.
-  Sendo assim pode dizer a seus pais que tem emprego. Amanhã, às cinco espero-a aqui para assinar o contrato  combinado. Traga os seus filhos. Gostaria de conhecê-los. E no fim-de-semana, espero que vão passar o dia connosco. Para que conheçam a casa e as minhas filhas. Será uma espécie de ambientação para eles.
Enquanto o casamento não acontece, a Graça irá busca-la a fim de tratarem do que pensem ser necessário, para a cerimónia, mas devo dizer-lhe que ela será o mais discreto possível e não haverá festa, nem viagem. Também terão que escolher os móveis e decorar o quarto para os seus filhos.
A secretária bateu à porta e Afonso ordenou:
-Entre.
- Aqui tem doutor, - disse pondo os documentos e respectivas fotocópias em cima da secretária. Mais alguma coisa?
- Não obrigado. Logo que a minha irmã chegue, faça-a entrar. Pode retirar-se.
- Com certeza Doutor.
A secretária retirou-se, não sem antes lançar uma mirada curiosa a Francisca. Desde que trabalhava para o doutor, nunca o vira tanto tempo no gabinete com uma mulher.
Pouco depois Graça chegou.
-Espero que tenham chegado a acordo. Os seus olhos foram de um para o outro interrogativos. – Chegaram ou não?
- Chegámos – respondeu o irmão
- Ufa. Pensei que não tinham decidido nada. Estão com uma cara.
- O assunto é sério Graça. Não querias que estivéssemos a pular de alegria.
- Está bem. Não precisas zangar-te. Já sabes como sou.
Afonso não respondeu. Levantou-se e aproximando-se estendeu-lhe a mão
-Não se aflija. Vai correr tudo bem. Não esqueça, espero-a amanhã às cinco.
Apertou-lhe a mão sentindo a suavidade da mão feminina.
E agora ali estava, casado  e disposto a partilhar a vida com uma quase desconhecida, esperando não ter feito uma grande asneira da qual se pudesse arrepender. Tinha-o feito pelas filhas. Elas eram toda a sua vida e para não as perder, faria qualquer coisa.



15 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Estou banzado... mas então isso é assim?
O Afonso é um frouxo?
A Francisca amouxa?
Acho se esse casório
é um contrato
parece ser um contrato precário...


Luis Coelho disse...

Uma história romântica e um modo de escrever no presente.
Encontram-se, conversam e decidem.

✿ chica disse...

Um contrato que tenho quase certeza, acabará num bom resultado! bjs, chica

Tintinaine disse...

Vai ter que ser a Graça a empurrar, senão a história nunca mais avança!

Prata da casa disse...

O que parece um simples contrato, adivinha-se que se tornará em algo mais. Ou não?
Bjn
Márcia

Os olhares da Gracinha! disse...

O contrato está a entrar nuns meandros bem interessantes!
bj

O meu pensamento viaja disse...

Mas que decisão arriscada!
Adivinho que as emoções estragarão o projecto. ..
Beijos

António Querido disse...

Bom fim de semana, amiga Elvira!

Edumanes disse...

Nem no tempos dos atrasados,
um casamento assim se realizaria
nem dormirem em quartos separados
depois de casados nenhum conseguiria?

Isso é só para inglês ver,
se os olhos tapados não tiver
um romance de amor irá nascer
entre um homem e uma mulher!

Bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Anete disse...

Passos que se seguem com interrogações e exclamações...
Um abraço neste sábado...

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira
Não aceitaria essa situação de forma alguma
Mulher tem que ser amada. Oras!!
Beijos
Minicontista2

Rosemildo Sales Furtado disse...

Uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, onde a Francisca entra com o trabalho e o Afonso com o capital.

Abraços,

Furtado

Smareis disse...

Isso vai acabar em muito amor...
Adoro história curiosas.
Beijos!

Berço do Mundo disse...

Chego a meio da estória, que me deixa ansiosa por conhecer os próximos episódios. A Elvira é perita no suspense novelesco.
Abraço
Ruthia d'O Berço do Mundo

maria disse...

Consigo compreender o ponto de vista de ambos...a bem dos filhos!