5.11.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XIV




Naquele momento Francisca entrou na sala. Trocara o fato do casamento por um conjunto de calça e blusa azul-escuro, de corte simples mas elegante. Sem maquilhagem, a farta cabeleira presa numa trança, de sabrinas, parecia ainda mais jovem.
O homem levantou-se e avançou para ela.  
- Estás mais calma? Não te preocupes, vai dar tudo certo. Ouves as crianças? Estão muito felizes com a brincadeira no jardim. Podes ir até lá, ou vê-las aqui da janela. A Graça está com elas. Tem tanto jeito para lidar com crianças que me admira de ainda não ter engravidado. – Olhou o relógio. São onze e quarenta, encomendei o almoço para o meio-dia e trinta. Vou tomar um duche, e trocar de roupa.
Afastou-se sem lhe dar tempo a responder. Francisca foi até à janela. Viu a cunhada com a pequenita no baloiço. Marta, a mais crescida descia o escorrega, seguida por João, rindo com aquela alegria que só as crianças têm. Abriu a porta e saiu para o jardim.
Simão perdia-se na perseguição de uma bela borboleta. Correu para ela mal a viu.
-Mãe, a “tia” Graça, disse que logo não voltamos para casa dos avós. É verdade que vamos ficar aqui para sempre?
- Sim filho, é verdade. A mãe já te tinha dito que estava a preparar o vosso quarto para ficarem a viver com a mãe.
- Mas não contaste que ias casar com o “tio” Afonso. Nem aos avós.
-Sabes filho, às vezes as pessoas têm segredos que não podem contar às outras. Mas depois vem um dia em que deixa de ser segredo e já se pode contar.
- Então o vosso casamento é segredo? Assim como o pai ser uma estrelinha no céu?
- Sim filho.
O menino com um ar sério disse:
- Fica descansada, não conto a ninguém.
Francisca acariciou-lhe a cabeça sorrindo.
-Vai brincar filho.
A criança não se afastou. Como se alguma coisa o preocupasse.
Perguntou:
- Também vais ser mãe da Ana e da Marta?
-De certo modo, sim filho. Tu sabes que todas as crianças devem ter um pai e uma mãe. A mãe delas, como o vosso pai é agora uma estrelinha no céu. Eu tentarei fazer o meu melhor, para que elas não se sintam tristes.
Naquele momento, chegou o almoço. Graça retirou a sobrinha do baloiço, e Francisca chamou as crianças que estavam no escorrega. Depois todos tomaram o caminho de casa.



15 comentários:

Os olhares da Gracinha! disse...

Laços que se vão estreitando!
Bj

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Estou a gostar do andamento da história fico à espera de mais.
Um abraço e bom fim-de-semana.
Andarilhar

Tintinaine disse...

Belo episódio, estou a ver que as coisas se começam a consertar!
Bom domingo (com ou sem chuva)!

aluap Al disse...

Só hoje consegui ler os últimos post's e pelo que li, daqui para a frente "o contrato" vai ser mais interessante!
Bom fim de semana Elvira.

© Piedade Araújo Sol disse...

Estive a ler os capítulos que me faltavam.
Está tudo a correr muito bem.
Vamos aguardar a continuação.
bom fim de semana.
beijinho
:)

✿ chica disse...

Um rumo lindo está tomando! bjs, chica e ótimo domingo!

Isa Sá disse...

Acompanhando a história!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Prata da casa disse...

Os laços familiares vão-se estreitando...
Bjn
Márcia

Edumanes disse...

Parece que a vida de Francisca, Afonso, filhas e filhos de ambos está seguindo pelo bom caminho. Tudo indica que o contrato vai-se transformar em romance amoroso!

Boa noite e bom domingo, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

As crianças tem um elevado nível de tolerância
e são muito adaptáveis à mudança

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Tá difícil resolver essa situação para você, mas os leitores gostam: e felizes para sempre.
Beijos
Minicontista2

Rosemildo Sales Furtado disse...

Continuo acompanhando e gostando. Não sei se vou gostar do almoço. Rsrs.

Abraços,

Furtado

Smareis disse...

Adorando Elvira. Você sabe como deixar seus leitores curiosos.
Beijos!

Berço do Mundo disse...

Que grande e barulhenta família

maria disse...

Que bom as crianças entenderem-se entre sim...esperemos que continuem!