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18.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR PARTE III



Uma chuva miudinha, recebeu-o ao chegar à rua. O mês de Novembro estava a chegar ao fim. Apesar do dia desagradável, as ruas fervilhavam de gente que se afadigava, com a aproximação do Natal. Ele não estava preocupado com isso. O seu Natal, seria no dia em que a filha nascesse, se tudo corresse bem com ela e viesse perfeita e de boa saúde. Chegou junto do seu carro estacionado no parque do hospital, abriu a porta, sentou-se ao volante e dando a volta à chave fez com que o veículo arrancasse suavemente. Dirigiu-se para os arredores da cidade. Vinte minutos depois acionava o comando que lhe abria o portão de acesso à sua casa, uma bela moradia de dois pisos rodeada por um extenso e bem cuidado jardim. Estacionou junto à porta. Desde que Sara estava no hospital nunca mais guardara o carro na garagem. Ficava à porta para que não perdesse tempo se houvesse alguma chamada urgente do hospital.
Boa tarde Celeste – disse saudando a empregada. – Algum recado?
-Boa tarde, senhor. Telefonou o seu irmão.  Disse que não conseguia entrar em contacto com o senhor e pediu para lhe ligar logo que chegasse.
- Obrigado, - disse retirando o telemóvel do bolso e verificando que ainda estava desligado. Desligava-o quando entrava no hospital e voltava a liga-lo quando saía, mas naquele dia, acabara esquecendo-se. Subiu as escadas e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si.  Despiu o casaco e colocou-o nas costas da cadeira, desapertou e tirou a gravata que atirou para cima do casaco. Sentou-se na beira da cama e ligou ao irmão. Marco atendeu ao quinto toque.
- Estou…
- Aconteceu alguma coisa? A Celeste disse que querias falar comigo.
-Nada a não ser que estou a precisar de ti aqui. Há negócios que estão pendentes do teu aval. Desde que aconteceu aquela tragédia, não vens à empresa.
- Vou aí amanhã. Convoca o advogado para as onze horas. Eu estou aí pelas dez. Precisamos falar, sobre uma decisão que tomei antes da reunião com o advogado. De tarde vou para o hospital.
- Passas demasiadas horas no hospital. Não podes fazer nada pela Sara, e estás a dar cabo de ti.
- Não te esforces, os médicos deixaram isso bem claro. Por muito que me digam que ela está morta, a minha filha está viva, e se de algum modo ela sentir alguma coisa, quero que sinta que estou lá, e que a espero com todo o amor.
Marco não teve coragem para rebater as palavras do irmão. Suspirou, e disse:
- Bom, então espero-te amanhã. Entretanto vou telefonar ao advogado e marcar a hora para a reunião. Ah! Já me esquecia, chegou a encomenda da Adidas.
-Ok.  Nestes dias, tomei uma série de decisões que vou começar a por em prática. Até amanhã.
- Até amanhã, Gil. Cuida-te, mano.

15.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXVIII




Por essa altura, Clara tinha uma única certeza na sua vida. Estava irremediavelmente apaixonada pelo homem com quem celebrara um contrato de trabalho que incluía um casamento para sociedade ver. Não sabia quando isso acontecera nem esperara que tal viesse a acontecer, e Deus era testemunha que se tal ideia lhe atravessasse a mente, decerto agora não estaria ali. Mas o certo, é que acontecera, e agora o futuro apresentava-se-lhe pintado de sombrias cores. Porque uma coisa era estar ali cumprindo o contrato como uma empregada.
Outra coisa muito diferente, seria fazê-lo dia após dia, com o coração cheio de amor por alguém que não lhe correspondia.
Embora as mensagens de Ricardo chegassem quase diariamente, elas não acalmavam o seu coração, nem lhe davam qualquer esperança de que ele pensasse nela de outra maneira que não, a ama que lhe cuidava dos filhos.
Aquela última semana antes de Natal foi muito intensa. Alfredo trouxe para casa um vaso com um pequeno pinheiro, que Clara e Tiago enfeitaram com a ajuda das crianças.
Natal era festa de família. Uma vez que Ricardo não estava presente, Clara decidiu que a Ceia de Natal seria partilhada com os empregados. Afinal Antónia tinha um verdadeiro amor por todos os habitantes da casa. E dado que Adelaide, ficaria sozinha com os dois filhos, disse-lhe que os trouxesse e jantariam todos juntos. Natal é festa de Amor e partilha.  
Depois os dois irmãos foram ao Centro comercial e compraram as prendas para todos. Uma bola de futebol e um estojo completo de pintura, presentes que os filhos de Adelaide tinham pedido na carta ao Pai Natal. Um pequeno órgão para a Soraia, uma bicicleta para o irmão, também pedido por eles ao Pai Natal. Também comprou um traje completo para cada um. As crianças gostam de vestir roupa nova nos dias festivos.
 Tiago escolheu os seus próprios presentes. Um novo portátil, já que o seu estava avariado e um blusão. Para ela não comprou nada. Na verdade não tinha vontade de nada, e a noção que tinha da festa de Natal, era a partilha de Amor, não de presentes. Esses eram para as crianças. Depois passaram numa loja de disfarces e compraram um fato de Pai Natal
Todos os presentes acomodados no carro, regressaram a casa. Não os levaram para casa. Clara tinha combinado com Alfredo, que depois do jantar ele arranjaria alguma desculpa para se retirar, vestiria o fato e entregaria os presentes.
A meio da tarde Ricardo esteve com os filhos numa video-chamada.
Clara que o observava, achou-o mais magro. Também era visível o esforço que fazia para se mostrar feliz com os filhos. “Deve estar cheio de saudades” pensou. Depois que ele se despediu dos filhos ela pediu se ele podia ficar mais um pouco. Pediu às crianças que fossem brincar com os filhos de Adelaide e fechou a porta quando saíram. Voltou para o computador e disse:
 -Não me parece que estejas muito bem. Estás doente?
-Não. Apenas cansado e cheio de saudades. Daria qualquer coisa para estar aí.
- Calculo. Suponho que aí não festejem o Natal.
-Eu e os meus homens, vamos fazer uma ceia especial daqui a pouco.
A religião aqui é quase cem por cento muçulmana. Não há igrejas católicas no país. Há apenas uma capela na embaixada italiana em Cabul.
-Olha, vou filmar a hora em que eles vão receber os presentes e mando-te por correio eletrónico, ainda hoje.
- Agradeço-te. Só verei amanhã, porque depois das dez não temos acesso aos computadores.
-Cuida-te Ricardo. Nós precisamos de ti.
- Nós? Tu também?
- Não costumo dizer o que não sinto – ela tinha a noção de que devia estar mais vermelha do que a camisola que trazia vestida. – Adeus.
- Adeus Clara.


19.4.18

RENASCER - XVI




Aviso aos amigos. Amanhã não haverá continuação desta história. 
É um dia especial, um dia de saudade. Se meu pai fosse vivo faria amanhã 100 anos. Os mais antigos conheceram-no através da sua história, e sabem do amor e da admiração que tinha por ele.