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12.7.20

DOMINGO COM HUMOR




Um casal sénior foi jantar a um restaurante para festejar os 65 anos de casamento. Diz o marido:
- Minha Rainha onde te queres sentar?
- Aqui, diz a esposa.
-Princesa, queres um aperitivo?
-Sim, obrigado.
-Meu Anjo o que te apetece comer?
Ela pede a ementa e faz o seu pedido.
- Meu doce, que vinho preferes?
O empregado que os atendia nem podia acreditar no que ouvia.
A certa altura a mulher vai ao WC e o empregado aproveita para falar com o marido:
- Como consegue chamar à sua esposa esses nomes tão lindos, ao fim de tantos anos de casado? Rainha, Princesa, Anjo, Doce, estou verdadeiramente admirado.
O marido olha o empregado nos olhos e disse:
-Sabe, é que já há tempos,  não me consigo lembrar do nome dela!


                                                                 *************

A mulher pergunta ao marido se gosta dela. 
-Claro que sim querida.
- E se eu ficar feia?
-Eu fico míope!
- Se eu chorar?
-Eu seco as tuas lágrimas!
- Se eu ficar muito triste?
- Eu viro palhaço!
-E se eu te xingar?
-Eu fico surdo!.
- E se eu ficar gorda?
- Eu quebro o espelho!
-E se eu pedir para deixares de beber?
- Aí  minha querida, eu peço o divórcio!


                                                              ***************

No tribunal, o juiz pergunta ao réu:
-Idade?
-35 anos
-É casado?
-Sim.
-Com quem?
-Com uma mulher.
E o juiz irritado pergunta:
-Conhece alguém casado com um homem?
-Sim!
-Quem?
-A minha mulher!


                                                               *****************



A D. Beatriz,é uma senhora alentejana, 80 anos, solteira, organista numa igreja da Diocese de Beja.
É admirada por todos pela sua simpatia e doçura.
Uma tarde convidou o novo padre da igreja para ir lanchar a sua casa e ele ficou sentado no sofá, enquanto ela foi preparar um chá.
Olhando para cima do órgão, o jovem padre reparou numa jarra de vidro com água e, lá dentro, boiava um preservativo.
Quando a D. Beatriz voltou com o chá e as torradas, o padre não resistiu tirar a sua curiosidade perguntando o porquê de tal decoração em cima do órgão 
E responde ela apontando para a jarra:
"Ah! refere-se a isto? Maravilhoso, não é? Há uns meses atrás, ia eu a passear pelo parque, quando encontrei um pacotinho no chão. As indicações diziam para colocar no órgão, manter húmido e que, assim, ficava prevenida contra todas as doenças. E sabe uma coisa?
Este Inverno ainda não me constipei !!!!"


                                                                ****************

A Mariazinha e o Joãozinho conversam
- O que vais pedir no DIA DA CRIANÇA?
- Eu vou pedir uma Barbie, e tu?
- Eu vou pedir um TAMPAX ! - responde o menino
- TAMPAX?! O que é isso?!
- Nem imagino... mas na televisão dizem que com TAMPAX a gente pode ir à praia todos os dias, andar de bicicleta, andar a cavalo, dançar, ir ao clube, correr, fazer um montão de coisas, e o melhor... SEM QUE NINGUÉM PERCEBA!!!

                                                                       
                                                                ***************

Um camponês tinha três filhos
Um dia o mais velho pediu:
- Pai quero um carro. Na faculdade sou o único que não tem carro.
- Agora não. Ainda não acabei de pagar o tractor. 
Depois veio o do meio e pediu:
-Ó pai quero uma mota.
- Só quando acabar de pagar o tractor.
 A tarde o mais novo chega a casa e pede :
-Pai quero uma bicicleta.
-Só quando pagar o tractor.
O miúdo amuado vai para o quintal e ao ver o galo em cima da galinha dá-lhe um pontapé e diz:
- Nesta casa enquanto o pai não pagar o tractor, anda tudo a pé.


10.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE IV



Desde muito nova, Teresa sempre sonhou ser mãe, e depois que completou vinte e nove anos o sonho tornou-se cada dia mais premente. Porém, não queria envolver-se em nenhuma relação. A sua desconfiança em relação ao sexo masculino era genética. E a  única experiência sexual que tivera durante o tempo da Universidade, não fora de modo algum gratificante, ao ponto de desejar repetir o ato. De modo que depois de muito pensar, e apesar da opinião contrária de Inês, que se esforçara para a convencer, a iniciar uma relação, inclusive apresentando-lhe alguns amigos, ela decidira-se pela produção independente e recorrer à Procriação Medicamente Assistida,  a fim de conseguir engravidar. 
Falou com o seu médico assistente, que lhe indicou os passos a seguir e então dirigiu-se ao Centro Clínico especializado nesse método, e marcou consulta com um dos médicos, desse centro médico.
Depois de várias consultas, entrevistas e exames médicos, físicos e psicológicos, foi considerada como tendo o perfil necessário, para se submeter à Inseminação Artificial, e marcado o dia do procedimento, para o seu próximo período fértil
Isso acontecera na semana anterior, faria no dia seguinte dez dias, que o procedimento ocorrera, e esse era o prazo, que o médico lhe dissera, ser necessário, para saber se tinha ou não conseguido engravidar. Claro que o clínico tinha-a avisado, de que embora a percentagem de sucesso fosse bastante alta, a gravidez não era garantida. A maioria das mulheres engravidava, a primeira vez que recorria ao processo mas outras só o conseguiam em duas ou mais tentativas.
Todavia Teresa era uma mulher de fé e acreditava que tudo iria dar certo. Por isso, quisera passar aquele fim de semana, na casa onde nascera, e onde vivera grande parte da sua vida. Antes da viagem, comprara na farmácia dois testes, e estava desejando o nascer do dia seguinte, a fim de saber, se as suas esperanças se tinham ou não concretizado.
 Preparava o almoço, quando o telemóvel tocou. Atendeu
- Olá aldeã, já tens notícias? - perguntou Inês.
- Bom dia, Inês.  Só amanhã farei os dez dias e os testes. Até lá continuo convencida de que estou grávida. E vocês como estão? E o meu afilhado?
- O Martim está cada dia mais rabugento. Agora deu em acordar de noite, a chorar. Tem dois dentinhos a nascer, a minha mãe diz que é disso, não sei. E de resto estamos tão bem quanto possível.
- O que queres dizer com isso? Brigaram?
- De modo algum. Mas o Gustavo tem cada dia mais trabalho, tem dias que pede à secretária que lhe vá buscar qualquer coisa ao restaurante que fica perto do escritório, e nem vem almoçar a casa. E eu não nasci para fada do lar. Sinto falta de um emprego. Afinal fartei-me de estudar para nada. Mas não te preocupes isto passa. Telefona-me logo que tenhas feito o teste. Estou ansiosa por saber o resultado.
- Claro, mulher, a quem mais telefonaria? És a minha melhor amiga!
-Sou? Olha que honra, nem sabia que tinhas outras. – disse rindo Inês. Até amanhã então. Tenho que desligar, o teu afilhado já acordou. Beijo
Desligou sem esperar resposta.
Teresa terminou a salada fria que estava a fazer, e colocou-a na mesa, sentando-se em seguida para almoçar
Pensou na sua mãe, e no que ela pensaria, se fosse viva e soubesse da sua decisão. Tinha a certeza que tentaria demovê-la da sua ideia. Iria dizer-lhe que se queria uma criança, fizesse uma adoção. Afinal  as instituições estavam cheias de crianças abandonadas, ansiosas por alguém que as amasse. 
 Esse tinha sido também o argumento do Mário e da esposa. E ela tê-lo-ia feito se o seu organismo fosse estéril. Mas não era o caso. Queria sentir a sensação de carregar um filho no ventre, amá-lo muito antes de sentir a alegria e a emoção de o apertar nos braços  após o parto. Eram emoções que não conheceria numa adoção, embora tivesse a certeza de que iria amá-la muito. Depois ela também sabia que a menos que optasse por uma criança já com alguns anos, teria que entrar numa lista de espera e esperar talvez anos para ter um bebé por adoção.
Depois do almoço. lavou a loiça e foi para a sala. Sentou-se num sofá e abriu o livro que tinha em cima da mesa “O grande livro da Grávida” e pouco depois adormecia com o livro no colo.


8.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE III





Quando Teresa terminou o Ensino Secundário no liceu da vila mais próxima, a mãe decidiu que ela devia ir para a Universidade em Lisboa, já que era o único sítio onde tinha um familiar, a tia Julieta, irmã da sua mãe, viúva de um oficial da Marinha, a quem escreveu pedindo-lhe guarida para a filha, a fim de que esta pudesse frequentar a Universidade. A tia mostrou-se encantada em receber a sobrinha-neta e foi assim que ela viajou num carro de aluguer, desde a aldeia até à Avenida Estados Unidos da América onde a tia vivia. Um mês depois da chegada, a avó morreu de ataque cardíaco e Teresa voltou à aldeia, desta vez com a tia, para acompanharem Ermelinda à sua última morada.
Nessa altura, Teresa quis desistir da Universidade e ficar na aldeia com a mãe, mas esta  não o permitiu, e, assim tia e sobrinha voltaram para Lisboa. A jovem tinha chegado ao último ano do Curso de Economia, quando a mãe sofreu um AVC que a deixou incapaz de sobreviver sozinha. Teresa abandonou os estudos, despediu-se da tia-avó, e regressou à aldeia. Durante oito meses foi uma filha amorosa e uma cuidadora dedicada, mas isso não impediu que a mãe sofresse uma recidiva a que não resistiu.  Depois do funeral, Teresa fechou as portas da casa, pediu ao casal que vivia na moradia ao lado, para dar uma olhada pela sua habitação e lhe telefonar se houvesse alguma emergência e voltou com a tia-avó, agora a única pessoa de família que lhe restava, para Lisboa.  Enquanto esperava pelo novo ano escolar para voltar à Universidade, empregou-se numa pastelaria, mais para sair de casa do que por necessidade financeira, já que a mãe lhe tinha deixado algum dinheiro, e a tia fazia questão de suprir todas as suas necessidades. Embora nunca tivesse pensado em semelhante trabalho para o futuro, apaixonou-se por ele, fez amizade com os colegas, especialmente com o pasteleiro, para junto de quem fugia nas horas de menos movimento, para aprender como se faziam as mais diversas massas e cremes. De tal modo, se entusiasmou que decidiu não voltar à Universidade. E quando soube que o dono da pastelaria se pretendia retirar e queria vender o negócio, comentou com a tia que se tivesse dinheiro suficiente, o compraria.
E então, Julieta disse-lhe:
-Bom, como sabes tenho oitenta e três anos, já não me restarão muitos mais de vida. Além desta casa, tenho uma boa quantia em dinheiro. O meu falecido marido era filho único e vinha de uma família com algumas posses. Também ganhava bem e quando morreu, fiquei com uma boa pensão. Como tens visto durante estes anos, desde que estás comigo, não sou pessoa de gastar mais do que preciso. E como não tenho mais família, tudo será teu quando eu morrer, já o estipulei em testamento. Por isso nada me impede de te comprar essa pastelaria se é esse o teu sonho de vida. Vou telefonar ao meu  advogado, para que trate disso.
Chorando de alegria e gratidão abraçou a tia, emocionada e sem palavras para dizer o que lhe ia na alma.
E foi assim, que cinco anos antes, ela se tornara dona da pastelaria “Flor da Avenida”, e iniciara a sua vida de empresária.
Naqueles cinco anos, muita coisa acontecera na vida de Teresa. Desde logo a mais dolorosa, a perda da tia-avó Julieta, que, desde o primeiro momento em que chegara a Lisboa, fora como uma segunda mãe.
A sua vida ter-se-ia tornado ainda mais solitária, não fora a relação de amizade que tinha com as suas empregadas, e especialmente com Mário, o pasteleiro, que naqueles dias de tristeza a tratou com o mesmo carinho com que um pai trataria uma filha, levando-a até sua casa, onde a mulher e a filha completaram o seu trabalho, dispensando-lhe uma amizade e um carinho, que ela nunca esqueceria.
Com uma mãe e uma avó profundamente religiosas, Teresa aprendeu cedo que devia confiar em Deus, que Ele nunca lhe faltaria, e de facto, até agora não se podia queixar. Perdera a família biológica, mas ganhara uma do coração.
Ganhara até, na pessoa de Inês, a filha de Mário, uma irmã, coisa que toda a vida desejara.

6.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE II


- Bom dia! É verdade, embora só por dois dias, vim arejar a casa. E o ti’ Joaquim, já a apanhar as cebolas?
-Tem que ser. É uma pena teres esse terreno aí abandonado. Sabes o que devias fazer? Arranjar um marido, e voltares de vez. Tenho a certeza de que tanto a tua mãe como a tua avó, lá onde se encontram, ficariam muito mais descansadas se te vissem aqui a cuidar daquilo que tanto lhes custou a ganhar.
-Eu gosto disto, mas não sei se me habituaria a viver aqui de forma permanente. Habituei-me a viver na cidade, é lá que tenho a minha vida. Talvez um dia venda o terreno e fique apenas com a casa para passar uns dias quando me sentir mais cansada.
- De certa forma compreendo-vos. A aldeia não evoluiu, e o ser humano nunca está satisfeito com o que tem, então os nossos filhos partiram para a cidade em busca de melhor vida, e os filhos deles, que sempre tiveram muito mais do que os seus pais e avós, emigraram para o estrangeiro, porque a vida na cidade já não lhes chegava. E um dia vão dar-se conta de que lá, também é pouco para eles. E trabalham toda a vida cada vez mais, e nunca estão felizes, porque não sabem que a felicidade está dentro de nós e não nas coisas que nos rodeiam.
- O Ti’ Joaquim é um filósofo – disse Teresa sorrindo.
- Já pareces o meu neto, com essa conversa.
- O Alberto? Não o vejo há mais de cinco anos. O que é feito dele?
- Acabou o curso, casou com uma colega e estão os dois a trabalhar num hospital no Porto. É o único que ficou cá e que vou vendo de vez em quando; os mais velhos foram para a Austrália, nunca mais os vou ver.
- Não perca a esperança, qualquer dia vêm de férias.
- Não. A Austrália, fica muito longe, as viagens saem demasiado caras. Depois partiram sós, lá arranjaram companheira, fizeram os seus ninhos, já têm filhos. Essa, é agora a família deles e aquele o seu país. Do resto não reza a história. Bom tenho que ir levar as cebolas à mulher que daqui a pouco ela pensa que me perdi. Gostei de ver-te. Se pensares em vender o terreno fala comigo. O meu cunhado que está na França está a pensar voltar. Quer comprar um terreno aqui, para construir uma casa, mas ninguém quer vender.
-Fique descansado se pensar em vender, vou ter consigo, - disse a jovem e acrescentou em voz baixa quando o homem virou costas. - Se calhar mais depressa do que aquilo que pensa.
Pouco depois levantou-se e empreendeu o caminho do regresso a casa. Teresa era uma mulher morena, alta e esguia, de cabelos e olhos castanhos.
Na aldeia, conhecia toda a gente, e todos a conheciam já que ali nascera, na casa da avó Rosário, onde também nascera Ana, a sua mãe, vinte e cinco anos antes dela. Teresa, não acreditava no amor, nem nos homens. O seu avô largara a sua avó grávida de cinco meses para se juntar com outra mulher. O seu pai, bom esse, nem sequer chegara a casar com a sua mãe. Quando soube que a tinha engravidado, simplesmente desaparecera.
Desde bem pequenina, Teresa habitou-se a ouvir a mãe e a avó dizerem que os homens não prestavam, não consideravam as mulheres como suas iguais. Serviam-se delas quando delas podiam tirar algum proveito e descartavam-nas quando já não lhes eram úteis. De modo que bem cedo, jurou a si mesma, que nunca ia querer saber de homem algum e assim se manteve até à atualidade.



Gente, alguém me explica uma coisa? O primeiro capitulo desta história na Sexta-feira teve 19 comentários e 14 visualizações. É possível alguém comentar sem ver?

5.7.20

DOMINGO COM HUMOR




Diz ele:
- Eu sou o ”Lobo Mau”.
Diz ela:
- E eu sou o ”Capuchinho Vermelho”.
Ele:
- Sabes porque é que tenho uns olhos tão grandes?
Ela:
- É para me veres melhor!
Ele:
- E porque é que eu tenho uns braços tão compridos?
Ela:
- É para me abraçares melhor.
Ele:
- E porque é que eu tenho uns lábios tão grossos?
Ela:
- É para me beijares melhor.
Ele:
- Então e se fossemos para a cama?!
Ela:
- Para quê, se o ”resto” é tão pequenino…


                                               *****************


Num passeio público deveras estreito, um alentejano e um turista caminham face a face e nenhum se mostrou disposto a facultar a passagem ao outro. Diz o turista com um ar muito importante:
- Eu não me desvio de nenhum burro!
Replica o alentejano:
- Ah, mas eu desvio-me…


                                                      **********************


Um alentejano chega à Amazónia com um machado de 15 centímetros e vai preencher os papéis para ser lenhador. O capataz pergunta-lhe:
- Nome?
- Johnny das Quintas. – responde o alentejano.
Continua ao capataz:
- Idade?
- 44. – Responde o alentejano.
- Grau de experiência? – Pergunta o capataz.
Diz o alentejano com orgulho:
- Imensa! Rápido, eficaz e trabalhador. Corto tudo num instante.
- Local anterior de trabalho? – Pergunta o capataz.
Responde o alentejano:
- Deserto do Saara.
Diz o capataz muito espantado:
- Saara? Ouça lá, está a gozar comigo? No Saara não há árvores!
E responde o alentejano:
- Não há agora! Havia de ver aquilo antes de eu ir para lá…


                                               *********************

Num bar um bêbado pede mais uma cervejinha  para continuar a noite em altas. O barman depois de servir o bêbado pergunta ao individuo que estava ao seu lado se pretende beber alguma coisa e o mesmo diz ser testemunha de Jeová e com ar ofendido acrescenta:
- Prefiro ser raptado e violado sucessivamente por uma centena de “meninas da vida” antes que uma gota de álcool toque nos meus lábios.
Rapidamente o bêbado devolve a cerveja ao barman e diz:
- Eu também! Não sabia que se podia escolher…


                                                    *******************

Dois alentejanos faziam a pausa do almoço, à sombra de um chaparro. A certa altura, diz um:
- Ó compadri, vocemecêi já deu notado que andamos sempri esperando qualqueri coisa?!
E continuou:
- À nôti, vamos p´ra cama, e esperêmos acordari no dia seguinti.
- Depôs, da canssêra do trabalho da manhã, esperamos sempre pelas migas do almoço.
- Ao fim da tardi, regressando a casa, tambê esperamos pelo jantari.
- Depois, vamos para a cama e… – aqui o homem fez uma pausa e vira-se para o outro:
- Ó compadri, vocemecêi está-me ouvindo?
Responde o outro:
- Tou, sim senhori.
O primeiro:
- Antão, e nã diz nada?!
O outro:
- Ora, eu tambê tênho estado esperando que vocemecêi se calassi…


                                                           ***************

O Joãozinho chega a casa com uma carteira e diz: 
-Pai achei uma carteira na rua com dinheiro mas tem o nome do dono. Entrego para o dono, ou gasto tudo?
O pai malandro diz:
-Entrega nada. Pode gastar tudo. Achou é seu, o dono que se dane.
Seguindo o conselho o Joãozinho gastou tudo o que havia na carteira.
Algum tempo depois o pai pergunta curioso:
-Disseste que a carteira que achaste tinha o nome do dono nela, afinal de quem ela era?
- Era sua, pai -responde o Joãozinho

3.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE I



A manhã ainda não tinha alvorecido no horizonte quando Teresa se levantou. Enfiou um robe e foi à cozinha onde pôs duas fatias de pão na torradeira, tirou do frigorífico duas laranjas e preparou um sumo. Saboreou o pequeno almoço com gosto.  Quando terminou, lavou o prato e o copo e foi para a casa de banho.
Escovou os dentes, prendeu os seus longos cabelos castanhos no alto da cabeça, cobriu-os com uma touca, despiu-se e entrou no duche. Quando terminou enrolou ao corpo uma toalha e dirigiu-se ao quarto. Abriu a gaveta da cómoda, donde tirou um conjunto de roupa interior de algodão aos quadrados.
Retirou a toalha do corpo e vestiu-o. Olhou-se ao espelho. Não eram peças finas, de seda e rendas, mas ajustavam-se-lhe perfeitamente ao corpo, eram cómodas, e isso era o que lhe importava, não pretendia seduzir ninguém. Vestiu umas calças de ganga, e um camiseiro branco. Tirou a touca, desprendeu o cabelo, escovou-o e prendeu-o numa trança. Calçou uns ténis brancos, puxou a roupa da cama para trás, e abriu um pouco a janela a fim de arejar o quarto, saindo em seguida.
Na cozinha, pegou nas chaves da casa, e no telemóvel que meteu no bolso das calças e abrindo a porta que dava para as traseiras, saiu. Contornou a habitação, uma casa térrea, pintada de branco como quase todas as outras da aldeia, passou pela porta principal e seguiu em direção ao fundo da rua.
O sol apenas despontava no horizonte, mas ali acordava-se cedo. A maioria dos homens, já se encontrava nos terrenos, cavando ou regando, que Junho estava no fim, e era necessário aproveitar aquelas horas, já que pelo meio-dia, o calor começava a apertar e de tarde era impossível fazer trabalhos ao ar livre.
- Bom dia Teresa! – saudou uma mulher que dava milho às galinhas no seu quintal.
- Bom dia, dona Arminda. Como vai a senhora?
- Como Deus quer, filha, como Deus quer. Sempre com o coração apertado com muitas saudades da minha Lena, mas que fazer? Deus quis assim, há que aceitar, a Sua vontade!
- É a vida dona Arminda. Cada um procura o sítio onde pode ter melhor vida. O que interessa é que ela e a família estejam bem. E não tarda chega Agosto e estão aí todos para matar saudades. Vou andando. Até logo
- Vai com Deus - respondeu a mulher
 Teresa continuou o seu caminho. Ao chegar ao fundo da rua, a principal da aldeia, virou à esquerda, e entrou num pedaço de terreno onde pontuavam apenas meia dúzia de oliveiras, e a erva crescia solta, por todo o terreno  que se estendia até ao ribeiro, onde tantas vezes em menina se banhara nos dias de maior canícula.
Ao chegar ao leito do mesmo, agora quase seco devido ao calor intenso que se fizera sentir durante todo o mês, sentou-se numa pedra e olhou ao seu redor. Na sua frente do outro lado do ribeiro, para lá dos campos de milho, erguiam-se as montanhas. Atrás de si, o campo inculto que atravessara, e que lhe pertencia, destoava dos campos de outros vizinhos, todos cultivados com os mais diversos legumes, que o cercavam.
-Bom dia, Teresa! Por cá de novo?
Levantou a cabeça. Ali perto um homem de cabelos brancos com umas quantas cebolas numa mão e o boné na outra, os pequenos olhos meio escondidos entre as rugas, mirava-a.