27.2.18

CARLOTA - PARTE IV


Duas vezes por mês Carlota tinha o dia de folga. Eram os dias para passar com o filho que continuava a ser criado pela irmã. À medida que os anos iam passando, e o garoto crescendo, tornava-se cada dia mais parecido com o pai. Essa parecença, já fora notada pelo pessoal da aldeia que vinha fazer a safra para a Seca. Tanto Carlota, quanto a irmã, Fernanda, tinham a certeza que já toda a gente sabia de quem o garoto era filho. Esta semelhança, era um espinho cravado no peito de Carlota que não conseguia olhar o filho sem reviver a violência de que fora alvo, e se culpava por não conseguir demonstrar ao filho, todo o amor que realmente sentia por ele.
Quantas vezes, levantava a mão, para fazer uma carícia ao filho, e ao olhá-lo, se lembrava do pai , e a deixava cair inerte. João foi crescendo assim, sentindo mais amor pela tia, do que pela mãe, que via esporadicamente e que não lhe demonstrava grande afeto.  Ele não podia saber, o amor que a mãe sentia por ele, nem os sacrifícios que fazia para que não lhe faltasse o necessário, já que a irmã e o cunhado, tinham um ordenado de miséria e três filhos para criar. Prestes a fazer vinte e nove anos, Carlota conheceu Francisco que se apaixonou por ela e lhe propôs casamento.
 Francisco era um homem alto, bem-parecido, que dizia ter um futuro estável, pois era funcionário público. 
Sentindo-se tentada a mudar de vida, especialmente por causa do filho, a quem podia dar um melhor futuro se casasse, Carlota contou-lhe que tinha um filho de dez anos, e que só aceitaria casar se ele aceitasse esse facto e a autorizasse a trazer o filho para a sua companhia. Francisco aceitou, e combinado o futuro casamento, Carlota fez-se acompanhar por ele, quando na folga seguinte foi visitar o filho a casa da irmã.
Contrariamente ao que esperava, nem a irmã nem o marido se mostraram entusiasmados com o  casamento.  Mas ela era maior de idade, sabia o que fazer, e eles só desejavam que fosse feliz.
Quatro meses passados, Carlota e Francisco, uniam o seu destino na Igreja de Santa Cruz no Barreiro, numa cerimónia simples mas bonita.
Depois do casamento ficaram a viver no Barreiro. Carlota deixou o seu trabalho de “criada interna” em Lisboa e começou a procurar um trabalho de limpezas perto de casa. Não sabia ler nem escrever, mas sabia como ninguém tratar de uma casa, lavar, cozinhar ou engomar.
A sua casa não era grande, apenas dois quartos e uma pequena sala, mas Carlota estava feliz por ter o filho consigo. Depois,Francisco tinha prometido, que havia de perfilhar o garoto e dar-lhe o seu nome. Mas nem tudo eram rosas na sua vida.
Primeiro porque o filho queria voltar para casa da tia, sentia a falta das brincadeiras com os primos e sentia que a mãe e o “tio” lhe eram pessoas estranhas.  Segundo, Carlota, não amava o marido. Estava-lhe grata, respeitava-o, mas não se entregava. Não se fazia rogada, não inventava desculpas, para evitar as relações sexuais, mas o fazia como alguém que cumpre uma obrigação, dolorosa, mas que não se pode evitar.



Estou sem internet. Com visita do técnico agendada para amanhã à tarde. Pelo Smartphone tenho dificuldade em vos visitar. Peço desculpa.


Voltou a Internet. Já ando a ficar farta.  O ano passado foi uma desgraça. Três vezes me mudaram o modem, Cinco vezes estiveram aqui os técnicos. Este ano é a terceira vez. 
Fico sem net sem que haja avaria na zona. Telefono e sigo todas as instruções e nada. Agendam uma visita porque a box não responde, e passadas 4 ou 5 horas  a net  volta sem que ninguém faça nada. E lá tenho que telefonar de novo a desmarcar a visita do técnico.

21 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

Estive a ler, os capítulos anteriores.
Mais um conto que promete.
Oxalá acabe bem.
Aguardando os novos posts
Boa semana.
beijinhos
:)

noname disse...

Carlota não seria feliz e não faria o marido feliz, mais um arranjinho que um casamento, vamos ver onde nos leva.

Beijinho

PS- De novo? Eu já tinha feito um escarcéu à séria com a operadora.

✿ chica disse...

Triste um casamento sem amor... Mas a história tá boa! beijos, chica

Cidália Ferreira disse...

Boa noite!
Mais um capitulo interessante! Porém triste

Beijinhos
Boa noite!

Lucia Silva disse...

Como Carlota sofre! Casamento sem amor, dificuldade para demonstrar amor pelo filho, quantos traumas na vida dela! Estou amando a história, é um drama, mas vale a pena ler.
Beijos carinhosos!

Pedro Coimbra disse...

Lembra-se da prima da minha mãe?
O neto, pelo que diz o meu pai, é a tromba do avô.
Parecido com a mãe e o pai não é nada.
E o meu pai, que sabe quem era o gajo que abandonou a Alice grávida, diz que o neto, o meu afilhado, é a trombinha do fdp do avô.
Castigo???
Abraço

Roaquim Rosa disse...

bom dia
esta historia está sem duvida a ser um drama para a protagonista .temos indícios que não vai acabar bem .
JAFR

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com muito interessa minha amiga.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Tintinaine disse...

Estou curioso para ver que tombo vai dar a vida da nossa Carlota. Cuidado, Srª novelista, a moça não merece passar por mais desgraças.
Quanto à internet informe-se com os vizinhos. Qual é o fornecedor? Se também sofrem do mesmo mal?
Só assim conseguirá detectar de onde vem o mal.

Olinda Melo disse...


Um capítulo que promete.

Bj

O meu pensamento viaja disse...

Boa semana, Elvira.
Abraço

Anete disse...

Veremos o que vem pela frente na vida da sofrida Carlota. Aguardarei dias melhores e esperanças felizes...
Uma boa 3a feira... Abraço

António Querido disse...

Boa sorte para a Carlota, não a conheço mas estou com pena dela!
E não me assuste com cartas de 2070, espero ver em 2100 os rios correrem para o mar.
Abraço

Edumanes disse...

Carlota terá ficado tão magoada pela violação de que foi vítima. Será que perdeu o interesse pelo sexo? Se assim continuar de certeza não será feliz nem ela nem o marido?
Tenha um bom dia amiga Elvira.
Um abraço.

Cantinho da Gaiata disse...

Estou triste pela Carlota, mas será que a rapariga não vai ter sorte na vida ?
Amiga Elvira estou a ficar com cabelos brancos de tanta desgraça.
Abracinho

Larissa Santos disse...

Como dia o ditado, "não há mal que sempre dure" :))
Estou a gostar

Hoje: - Magia sem sumo
.
Bjos

Votos de boa Terça-Feira

Rui disse...

Vidas como a da Carlota, muito correntes nesse período do séc passado e talvez piores ainda, anteriormente !
Felizmente que, nesse aspecto se assistiu a uma tremenda reviravolta !

Quanto à net, será que a ligação é ADSL (por linha telefónica), ou é por "fibra" (directamente por cabo, do exterior) ? ... Será que o problema reside aí, ou será preciso "ameaçar" o operador com a resolução do contracto e mudança de operador ?...

Os olhares da Gracinha! disse...

Casar sem amar vai dar mau resultado!!!bj

lis disse...

Um desacerto casamento sem amor , vamos ver o que acontecerá mas ja presumo uma separação.
E o filho sofre com a desarmonia.
Aguardando melhores dias para Carlota rs

Rosemildo Sales Furtado disse...

Casamento sem amor pode não ser uma boa ideia. Aguardemos os acontecimentos.

Abraços,

Furtado

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
A Carlota continua ser infeliz!
Merece melhor sorte.
Bjs
Ailime