13.1.18

A VIDA É ... UM COMBOIO - PARTE III


- Por favor Ricardo, o que te custa ajudar-me?  Tu tens tantos amigos. Será que não tens entre eles nenhum que seja inteligente, simpático e honesto, que não se importe de doar esperma para uma inseminação?
-Estás doida, Amélia. Se queres tanto ser mãe, porque não fazes como as outras mulheres?  Arranja um namorado? Com a tua carinho e esse corpo, garanto não vai ser difícil.
- Não sejas cínico. Sabes bem que perdi a confiança na vossa espécie. Ainda não esqueci a traição de Afonso e creio que nunca esquecerei. Quero ter um filho sim, mas só um filho, não uma relação. Já falei com a minha médica para fazer a inseminação, mas pelos processos oficiais, é muito complicado, posso levar anos à espera. Só tenho duas soluções. Ou arranjo um dador extraoficial, ou tenho que me deslocar ao estrangeiro, coisa que não me agrada.  Caramba, não me digas que não consegues convencer um dos teus amigos.
- Claro que sim. Na próxima vez que sair para os copos, vou perguntar qual deles, quer doar esperma para a maluca da minha irmã, que cismou de ser mãe. Já estou a imaginar a cena. Decididamente estás louca.
- Não sejas ridículo! Primeiro, não dirás que é para a tua irmã, mas para uma amiga e não deves dar nenhuma indicação sobre mim. Também não quero saber nada, sobre ele. Apenas,  quero que seja uma pessoa inteligente, e integra. O resto não me importa. Pensa nisso. Levas o nome da minha médica e o endereço da clinica onde ela trabalha e se fará o processo. Ela me avisará depois. E quero que me jures, que nunca fornecerás a essa pessoa, qualquer informação sobre mim, ou a criança que venha a nascer.
- Continuo a pensar que estás a precisar de tratamento psiquiátrico. A traição do Afonso, deu-te volta à cabeça. Não me conheces, se pensas que vou fazer o que me pedes.
Ricardo saiu sem se despedir. Estava deveras zangado com a irmã. Era três anos mais velho que ela, formara-se em gestão de empresas, e tinha um bom emprego. Gostava demais da vida de solteiro, e não se via como chefe de família, pelo menos por enquanto. A irmã casara-se, antes mesmo de começar a exercer a profissão, mal terminara a faculdade. Desde a infância que tinha em Afonso, todos os seus pensamentos. Casara muito apaixonada e a traição do marido dera-lhe volta à cabeça. Onde é que já se vira, ideia mais estapafúrdia. Claro que não ia atender ao pedido dela. Se queria ter um filho por inseminação, pois que o tivesse sem a sua intervenção.


20 comentários:

✿ chica disse...

O enredo começa a diversificar..Tá lindo! Vamos seguindo! beijos praianos,chica

Isa Sá disse...

A passar por ca para acompanhar a história

Os olhares da Gracinha! disse...

Se conseguir encontrar um novo amor é melhor!bj

Roaquim Rosa disse...

bom dia
uma volta que ninguém contava, mas já estamos habituados a ficar na espectativa .
JAFR

Tintinaine disse...

Por esta é que eu não esperava!
Eu sei que os rapazes estão mais interessados em sexo do que subscrever a paternidade de alguém, mas mesmo assim ela poderia engendrar um modo mais original do que pedir ao irmão.

António Querido disse...

Um bebé de comboio! Eu achava melhor, mais confortável e agradável encomendá-lo à cegonha numa noite de verão à beira-mar.

Bom fim de semana com o meu abraço.

Marina Fligueira disse...

¡Hola Elvira!

¡Siento no poder pasar antes, no es abandono ya lo sabes! Voy recuperando poco a poco la normalidad.

Bueno, pues he leído las dos entrada más a bajo y toda esta historia va a resultar muy interesante.
En cierto modo si es verdad que la vida puede dar muchos cambios, a veces para mejor y otras no tanto, a pesar de lo vivido como esta protagonista, Amelia.
Hay otras Amelias por la vida que pasan por algo parecido.
Te admiro por lo bien que se te dan los relatos -historias, lo cuentas tan nítidamente que resultan nítidos y muy atractivos. Mi enhorabuena, amiga.

Me ha encantado. Y ha sido un placer leerte. Te dejo mi cálido abrazo y mi gratitud por tu buen hacer, y por tu huella en mi puerto.

Feliz fin de semana.

Lucia Silva disse...

Quando se perde a confiança, as coisas complicam, pensamentos e dogmas mudam, é uma reviravolta danada na cabeça da pessoa e daí resulta em decisões loucas, dependendo do pensar de cada um, como essa. O melhor seria a criança vir através do amor, da emoção e do querer dos dois. O irmão dela tem razão, contudo a decisão é dela e deve ser respeitada.
Beijos e feliz sábado!

Cidália Ferreira disse...

Confesso que também não atendia a este pedido. Por muitas razões. Ela deve dar um tempo e, arranjar um novo amor para esquecer tal pesadelo...lool. Estou adorar

Next...

Beijo e um sábado feliz.

Majo Dutra disse...

Tive a ler as duas partes anteriores.
Excelente criatividade, baseada na vida real.
Continuação da convalescença da horrível ciática.
Ótimo fim de semana.
Grande abraço.
~~~~

Larissa Santos disse...

A moça ficou com o trauma aos homens. Tenho para mim que ainda vai ser feliz com outro...

Do Gil António, que se encontra doente, motivo porque não vos visita. Pedimos a compreensão. Hoje:- Luz no teu quarto ...Tentação do meu olhar
.
Bjos
Bom Sábado.

Victor Barão disse...

Também aqui, deixo a minha gratidão pela visita e respectivo simpático comentário da cara Elvira Carvalho lá no meu próprio virtual espaço/blogue pessoal.
A partir de passando a aludir a esta presente última publicação da cara Elvira aqui, com adição de minha rápida incursão pelo blogue, oferece-se-me dizer que por aqui há literatura. E se eu gosto muito de fotografia, necessito tanto ou até muito mais escrever, por isso e na medida do possível vou ficar atento, de resto vou passar a seguidor, também, deste espaço "Sexta feira".
Ah! E aproveito para dizer que tem dois blogues, a meu ver, concepcionalmente muito bem conseguidos!
Finamente deixo o desejo dum, na circunstancia, resto de excelente Sábado e correspondente final de semana.
Cumprimentos
VB

noname disse...

Isto está a ficar interessante :-)

Beijinho

aluap Al disse...

Também acho a ideia estpafúrdia!
Um abraço Elvira e continuação de melhoras.

Edumanes disse...

As ideias de Amélia,
sejam malucas ou não
mas, como ela quisera
não tem apoio do irmão!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Odete Ferreira disse...

Nesta parte, a narradora introduz um assunto que não é consensual; é o lado "pedagógico" de muitas das histórias da Elvira.
A acompanhar e a gostar.
Bjinho

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Que terá passado pela cabeça de Amélia?
Concordo com o irmão, mas há razões que a, razão desconhece.
Beijinhos e bom domingo.
Ailime

Berço do Mundo disse...

Entendo a ideia de querer ser mãe, mesmo sem parceiro. Já pedir ao irmão que arranje um dador, é mais difícil de entender.

Cantinho da Gaiata disse...

Não entendo porque ela tem esse pensamento, até posso entender que esteja revoltada, mas nunca ao ponto de querer fazer para já uma inseminação, quanto a mim deixava passar mais algum tempinho.
Beijinho, vou passar ao proximo.

Gaja Maria disse...

Se recorresse a um banco de esperma muito bem, mas pedir isso a alguém não é assim tão simples...

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