9.1.18

ESCRITO NAS ESTRELAS - PARTE II


Os mais antigos sabem que esta foto é do meu casamento. Repito-a em cada história que tem um casamento naquela época.






Decidido, foi até Santar, no distrito de Viseu e procurou a jovem que o acompanhara e lhe dera apoio moral nos últimos vinte meses.  
Simpatizaram, namoraram e casaram. Depois emigraram para França, lá trabalharam, tiveram filhos e netos. Fernanda foi uma grande companheira. Era boa esposa e boa mãe, e apesar de reconhecê-lo sabia que não se tinha dado por inteiro e por vezes o remorso assaltava-o. Mas não estava na sua mão, ele não conseguia amar sem reservas, com todo o seu coração. Porque uma parte dele não lhe pertencia. Apesar de tudo, ela foi uma mulher feliz até que o maldito cancro a levou.
Viúvo e prestes a ser reformado, Abílio sonhava voltar ao seu amado Portugal, rever as ruas onde crescera e vivera, sentir o cálido e luminoso sol de Lisboa, passear pela baixa, espraiar o olhar pelo Tejo. Porém os filhos e os netos eram franceses. Lá nasceram, cresceram se fizeram adultos, amaram, casaram. Abílio entendia que os filhos não quisessem alterar toda a sua vida, para irem para um país que nada lhes dizia, e que, não tinha condições, de lhes oferecer empregos, compatíveis com a vida que tinham no seu país natal. Mas como diziam na sua terra, amigo não empata amigo e por isso despediu-se dos filhos e netos, prometendo que passariam as datas mais importantes juntos, quer fosse em Lisboa, ou em França, e rumou a Lisboa, onde alugou uma pequena casa na Graça.
Nos primeiros tempos deambulou pela cidade, admirando-se com as enormes mudanças efetuadas desde a última vez que ali estivera para assistir ao funeral da mãe, trinta anos atrás.( O pai havia falecido, anos antes, enquanto ele estava em Moçambique). Depois disso, sempre que vinha de férias a Portugal, ficava-se pela casa dos sogros em Santar. Viveu feliz durante uns meses, até ao dia em que a solidão se apresentou na sua casa, sentou à sua mesa e deitou na sua cama.  É que a rua onde nascera estava irreconhecível, os amigos de infância tinham desaparecido, e nesta nova Lisboa, ele não conhecia ninguém.
O olhar tonou-se nostálgico, o sorriso foi perdendo naturalidade. Até os filhos e netos, notaram a diferença, nas longas conversas via Skipe.  Para o animar, Alexandre o neto mais velho, aconselhou-o a criar um perfil numa rede social muito em voga, e a procurar os seus antigos amigos pelo nome nessa rede.
“Hoje em dia, avô, só não está nessa rede, quem já morreu, ou não sabe ler. Vais ver que vais encontrar amigos, até talvez os teus antigos colegas de Moçambique”
Animado, Abílio assim fez. E começou uma busca, pelos seus amigos na internet. Conseguiu encontrar alguns amigos de infância, mas apenas três residiam na cidade, os outros estavam espalhados pela Europa, para onde tinham emigrado em busca de melhores condições, tal como ele fizera. E então, antes de procurar os colegas de tropa, ganhou coragem e procurou Ema. 
Encontrou-a a viver em Braga, e enviou-lhe uma mensagem a que ela respondeu no mesmo dia, com o seu número de telemóvel.
Nervoso e ansioso esperou a noite para lhe telefonar. Emocionou-se ao ouvir a sua voz, enquanto lhe contava que vivia com a irmã, e a sobrinha. Que voltara a viver em Lisboa, depois que os pais, morreram, mas que se mudara para Braga, quando a irmã ficara viúva a fim de a apoiar. Não, não tinha casado, nunca tinha encontrado alguém que a levasse a desejar fazê-lo.  Por sua vez, ele falou-lhe do tempo de guerra em Moçambique, das inúmeras cartas que lhe enviara e recebera de volta, de Fernanda, do seu casamento, dos filhos e netos, luso-franceses, e da sua atual vida em Lisboa. 

Continua


Nota:
 Há oito dias com uma dieta rigorosa, que deveria terminar hoje, tive uma nova sessão de vómitos ontem à noite. Hoje estou bem dispostas, mas sinto-me fraca, e sem paciência. Tenho saudades de um bom prato de comida, e não consigo apaziguar o maldito ciático.
Fiquem bem

17 comentários:

noname disse...

Caramba, não será tempo de voltar ao médico Elvira? Não é já tempo demais assim com vómitos? Cuide-se, por si, pelos seus e por nós seus e suas leitoras :-)

Beijinho de melhoras

Roaquim Rosa disse...

boas
já muita gente está a imaginar o fim da historia mas ao certo ninguém sabe , por isso vamos esperar mais um dia para lermos um final feliz.
Dª Elvira com certeza não precisa de conselhos mas a saúde sempre em primeiro lugar.
JAFR

Gil António disse...

Hum. Deixou-me curioso em continuar a ler a história que, acredito, vai ter um final feliz
.
* Sou como um ramo de árvore ... partido. *
.
Tema escrito em sextilhas.
Deixo cumprimentos
.

✿ chica disse...

Conheço essa foto e acho linda!!
A história se encaminhando bem...

Falta apenas TU ficar boa! É o que desejo! bjs praianos,chica

Rui disse...

:)... As voltas que a vida dá, Elvira ! :) ...
Vamos lá a ver o que resultará do encontro !

Entretanto, as suas melhoras, Elvira. Já teve dose que chegue !!! :)

Abraço !

No Reino do Infinito disse...

Antes de mais, desejo as suas melhoras e que possa em breve deliciar-se com um bom prato de comida de verdade e estas maleitas façam parte do passado.

Que história tão ao meu jeito de ler, em.pulgas para o desfecho.

Infinitos mimos de melhoras :)

Tintinaine disse...

Da história estou a gostar, mas da sua saúde nem tanto. O seu médico é um aselha ou a Elvira não perde muito tempo com ele?

Cantinho da Gaiata disse...

Amiga estou ficando preocupada com a sua saúde, não será melhor voltar ao médico ?
Estou a gostar desta história e pronto mais uma ao meu jeito, por certo vão ficar juntos...hehehe, eu quero.
Beijinho grande e as melhoras.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Estou adorando o conto com encontros e desencontros.
Favor cuidar da saúde, eu também não estou bem, saí do médico agora. Sexta-feira vou ter meu veredicto final. Conforme não postarei mais.
Beijos
Lua Singular

Lucia Silva disse...

Estou amando a história! Lindíssima sua foto de casamento e, se cuide e fique boa!
Beijos afetuosos!

Edumanes disse...

Há sempre alguém que nos dá bons conselhos. O neto fez com que o avô Abílio abandonasse a solidão e assim já teve a oportunidade de falar com Ema ao telefone.
Tenha uma boa noite e as suas melhoras amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Kique disse...

Estou cheio de curiosidade pelo final
Bjs
Kique
https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt

Diana Fonseca disse...

Que história bonita. Estou a gostar.

Beijinhos, D’A Vida De Diana.

Pedro Coimbra disse...

O reencontro que eu previa afinal foi mais rápido do que o que julgava.
Abraço, as melhoras.

Larissa Santos disse...

Muito bom. Tenho a certeza que vou gostar da continuação.

Hoje:- Saudade, com cor e presença.
.
Bjos
Óptima quarta-feira

Gaja Maria disse...

Oh Elvira, mas que grande chatice, já devia estar a sentir-se melhor. Veja lá isso. Abraço e as melhoras

Portuguesinha disse...

Cuide-se Elvira.
Ajude o estômago e finja que não conhece esse bom prato de comida :P

É claro que conheço essa foto de casamento. Mas só agora observei um detalhe da época. E acho tão bonito! Essas "persianas" na janela traseira do carro. Que coisa mais chique. Provavelmente não para conduzir, eehehe. Pois o condutor precisa da visibilidade. Mas esse tempo devia ser diferente. Devia ser bonito... Andar num carro, estar sol, correr as persianas para ficar no fresco da sombra e poder, se calhar, ter privacidade no banco de trás :)

Saude