- Por favor Ricardo, o que te custa ajudar-me? Tu tens tantos amigos. Será que não tens entre eles nenhum que seja inteligente, simpático e honesto, que não se importe de doar esperma para uma inseminação?
-Estás doida, Amélia. Se queres tanto ser mãe, porque não fazes como as outras mulheres? Arranja um namorado? Com a tua carinho e esse corpo, garanto não vai ser difícil.
- Não sejas cínico. Sabes bem que perdi a confiança na vossa espécie. Ainda não esqueci a
traição de Afonso e creio que nunca esquecerei. Quero ter um filho sim, mas só
um filho, não uma relação. Já falei com a minha médica para fazer a
inseminação, mas pelos processos oficiais, é muito complicado, posso levar anos
à espera. Só tenho duas soluções. Ou arranjo um dador extraoficial, ou tenho
que me deslocar ao estrangeiro, coisa que não me agrada. Caramba, não me digas que não consegues
convencer um dos teus amigos.
- Claro que sim. Na próxima vez que sair para os copos, vou
perguntar qual deles, quer doar esperma para a maluca da minha irmã, que
cismou de ser mãe. Já estou a imaginar a cena. Decididamente estás louca.
- Não sejas ridículo! Primeiro, não dirás que é para a
tua irmã, mas para uma amiga e não deves dar nenhuma indicação sobre mim.
Também não quero saber nada, sobre ele. Apenas, quero que seja uma pessoa
inteligente, e integra. O resto não me importa. Pensa nisso. Levas o nome da
minha médica e o endereço da clinica onde ela trabalha e se fará o processo. Ela me avisará depois. E quero que me
jures, que nunca fornecerás a essa pessoa, qualquer informação sobre mim, ou a
criança que venha a nascer.
- Continuo a pensar que estás a precisar de tratamento
psiquiátrico. A traição do Afonso, deu-te volta à cabeça. Não me conheces, se
pensas que vou fazer o que me pedes.
Ricardo saiu sem se despedir. Estava deveras zangado com
a irmã. Era três anos mais velho que ela, formara-se em gestão de empresas, e
tinha um bom emprego. Gostava demais da vida de solteiro, e não se via como
chefe de família, pelo menos por enquanto. A irmã casara-se, antes mesmo de
começar a exercer a profissão, mal terminara a faculdade. Desde a
infância que tinha em Afonso, todos os seus pensamentos. Casara muito apaixonada
e a traição do marido dera-lhe volta à cabeça. Onde é que já se vira, ideia
mais estapafúrdia. Claro que não ia atender ao pedido dela. Se queria ter um filho
por inseminação, pois que o tivesse sem a sua intervenção.
