11.9.17

À MÉDIA LUZ - PARTE VII



Sentaram-se. Ela voltou o rosto para a pista, para não ter de o olhar. Ele irritou-se. Inclinou-se para a frente e vociferou.
-Vais ou não falar, raios! Que diabo te passou pela cabeça para ires para o escritório, armada em camafeu? Para me ridicularizares?
- O regulamento da empresa, é omisso quanto a vestuário, Além disso sempre exerci exemplarmente a minha função de secretária,- disse com raiva.
- Olha para mim, Sandra. Quero entender o que se passa. Estás há seis meses como minha secretária. Sabes tudo o que se passa naquela empresa. E hoje descubro por acaso que me tens andado a enganar. Quem és tu? Uma espia comercial? Quem está por trás de ti?
-Espia comercial? O senhor não está bom da cabeça - disse nervosa.
Ele sorriu. Mais do que um sorriso parecia um esgar.
- Então é isso. Não negues, ficaste nervosa. Como é, queres falar ou denuncio-te à polícia?
- Faça como entender. Mais um, menos um pouco importa. Mandar inocentes para a prisão deve ser a sua especialidade – disse com raiva. 
Todos os músculos do homem se tornaram rígidos com o insulto. A sua voz soou cortante. 
- Levanta-te. Sem fitas nem escândalo. Vamos até ao jardim. Aqui está muita gente.
-E se eu não quiser ir?
- Desafias-me?
Ela não respondeu. Levantou-se e dirigiu-se ao jardim, seguida de perto por ele.
Afastaram-se da porta, procurando um local mais sossegado.
- Senta-te e fala. Que indireta foi aquela lá dentro?
- Não sei. Não me lembro.
As mãos dele cravaram-se como garras nos ombros femininos, apertando com tal força, que as lágrimas lhe chegaram aos olhos.
- Por favor, - suplicou. Está a magoar-me.
Afrouxou a pressão.
- Não brinques comigo, Sandra. Aquela firma, é minha, lutei muito por ela, e privei-me de muita coisa para que chegasse ao que é hoje.  Não vou permitir que ninguém me roube o que é meu. Quero saber, quem te paga, e o que é que tinhas que dar em troca.
- Ninguém me paga, para que eu revele seja o que for da sua maldita empresa. Sou uma espia, sim.  Mas trabalho por conta própria. Há seis meses que tento encontrar uma coisa muito importante na sua empresa. Infelizmente sem o conseguir. I
Ocultou o rosto nas mãos e desatou a chorar.

13 comentários:

✿ chica disse...

Puxa, ela revelou que está a procura de algo por lá! Vamos ver! Está empolgante! bjs, chica

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Estou a gostar.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

António Querido disse...

Querer é poder e ela vai conseguir encontrar o que procura!

Abraço.

Os olhares da Gracinha! disse...

A fragilidade veio ao de cima...
Elvira...naquela foto...é o Quim Barreiros com o dono do aldeamento e um amigo!
Bjoca

São disse...

POis, por vezes cede-se à pressão nos momentos mais complicados

Beijinho e boa semana :)

Cantinho da Gaiata disse...

Não estava à espera desta, realmente Elvira está sempre a surpreender com as suas histórias, estou a gostar.
Cenas do próximo capitulo, não vou aguentar... socorro, mais um pouco para esta noite, please.
Beijinho e até breve.

Edumanes disse...

A situação está azedando,
entre Gabriel e Sandra
continuarei acompanhando
para ver o fim da dança!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo,

Rosemildo Sales Furtado disse...

Continuo curioso, gostando e aguardando os acontecimentos.

Abraços,

Furtado

Tintinaine disse...

As lágrimas são uma grande arma. Quero ver como ele repele o ataque.

Socorro Melo disse...


Muito interessante a abordagem a dança de salão, que aprecio muito. E esse clima de mistério me encanta. Pena que Sandra não pôde manter por mais tempo o seu disfarce. E agora, como vai ficar seu trabalho de detetive?

Aguardemos.

Anete disse...

Conversando os dois vão se entendendo. Quero ver como será agora o trabalho dela na firma.
Um abraço nesta nova semana...

Bell disse...

Que confusão ainda bem que ela teve a chance de explicar.

bjokas e uma ótima semana =)

redonda disse...

Está-me a parecer que ela devia ter sido mais forte...mas talvez não tivesse alternativa uma vez que ele não está a ser nada simpático...