Sentaram-se. Ela voltou o rosto para a pista, para não ter de o olhar. Ele irritou-se. Inclinou-se para a frente e vociferou.
-Vais ou não falar, raios! Que diabo te passou pela
cabeça para ires para o escritório, armada em camafeu? Para me ridicularizares?
- O regulamento da empresa, é omisso quanto a vestuário,
Além disso sempre exerci exemplarmente a minha função de secretária,- disse com
raiva.
- Olha para mim, Sandra. Quero entender o que se passa.
Estás há seis meses como minha secretária. Sabes tudo o que se passa naquela
empresa. E hoje descubro por acaso que me tens andado a enganar. Quem és tu?
Uma espia comercial? Quem está por trás de ti?
-Espia comercial? O senhor não está bom da cabeça - disse
nervosa.
Ele sorriu. Mais do que um sorriso parecia um esgar.
- Então é isso. Não negues, ficaste nervosa. Como é,
queres falar ou denuncio-te à polícia?
- Faça como entender. Mais um, menos um pouco importa.
Mandar inocentes para a prisão deve ser a sua especialidade – disse com raiva.
Todos os músculos do homem se tornaram rígidos com o insulto. A sua voz soou cortante.
Todos os músculos do homem se tornaram rígidos com o insulto. A sua voz soou cortante.
- Levanta-te. Sem fitas nem escândalo. Vamos até ao jardim. Aqui está muita gente.
-E se eu não quiser ir?
- Desafias-me?
Ela não respondeu. Levantou-se e dirigiu-se ao jardim,
seguida de perto por ele.
Afastaram-se da porta, procurando um local mais
sossegado.
- Senta-te e fala. Que indireta foi aquela lá dentro?
- Não sei. Não me lembro.
As mãos dele cravaram-se como garras nos ombros femininos,
apertando com tal força, que as lágrimas lhe chegaram aos olhos.
- Por favor, - suplicou. Está a magoar-me.
Afrouxou a pressão.
- Não brinques comigo, Sandra. Aquela firma, é minha, lutei muito por ela, e privei-me de muita coisa para que chegasse ao que é hoje. Não
vou permitir que ninguém me roube o que é meu. Quero saber, quem te paga, e o
que é que tinhas que dar em troca.
- Ninguém me paga, para que eu revele seja o que for da
sua maldita empresa. Sou uma espia, sim. Mas trabalho por conta própria. Há seis
meses que tento encontrar uma coisa muito importante na sua empresa.
Infelizmente sem o conseguir. I
Ocultou o rosto nas mãos e desatou a chorar.
