2.6.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXXXII

          O neto do Manuel muito compenetrado apagando a vela do seu baptizado


Um ano depois, convocado o pai biológico, ele reafirmou o seu desejo de que a criança fosse adoptada pelo casal, e o processo de adopção plena entrou nos seus trâmites legais. Ainda assim, foi demorada a sentença, que chegou quando o bebé já tinha três anos. O Juiz informou que  a partir daquele momento, a criança era legalmente filha do casal, todos os vínculos com a família biológica eram cortados, a criança perdia os apelidos com que foram registada e ganhava os apelidos do casal.  Mais, não podia antes de atingir a maioridade ser contactado pelos familiares biológicos, devendo o casal recorrer à justiça se isso acontecesse.
Foi uma grande alegria. Os avós porque se tinham afeiçoado à criança, e ao mesmo tempo porque viam a felicidade do casal, que tanto lutara por um filho sem contudo o conseguir
A sentença saiu em Outubro e a 8 de Dezembro, dia da Nª Senhora da Conceição, fez-se o baptizado do menino.
E o ano de 1983 chegava ao fim, com o Natal passado na casa do Manuel, a família toda reunida, e as duas crianças, a disputarem o lugar de Menino Jesus na festa.
Naquela época, ninguém podia adivinhar  que aquele era o último Natal que a família estava assim reunida, alegre e feliz. 
Manuel ia a caminho dos 66 anos, mas continuava a trabalhar. A reforma seria para mais tarde, não tinha pressa, ele dizia que não sabia fazer outra coisa que trabalhar. Continuava a semear o quintal e a fazer o seu vinho, agora num lagar que o filho construíra no quintal da sua casa. O filho continuava solteiro. Tinha deixado a CP, e alugado as instalações de um aviário de pintos, onde se instalou com um aviário de codornizes. Sem estudos, mas um "engenhocas" capaz de fazer qualquer coisa que se lhe metesse na cabeça, tinha a quem sair, ele mesmo construiu as chocadeiras para lhe chocarem os ovos e tirar as codornizes. O seu dia não tinha horas. Trabalhava desde antes do sol nascer, até às onze, meia-noite. Por isso a família praticamente não o via a não ser que se deslocasse ao aviário, ou uma vez por mês, quando toda a família se reunia à volta da mesa do Manuel para um alegre convívio familiar.
A Gravelina, que sempre fora muito doente, desde o parto do filho, foi reformada por invalidez, nos primeiros meses desse ano de 1984


24 comentários:

Carmem Grinheiro disse...

Uma epopeia, querida Elvira.
Algumas coisas a se encaixarem tão bem numa vida de lutas, outras a prepararem-se para ruim desfecho, já lhe adivinho.
um bj amg

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar a história desta família.
Continuação de uma boa semana.

António Querido disse...

Mais uma bela história do Manel, eu também sou um pouco engenhocas, mas às vezes quando a obra sai furada lá tenho que abrir a carteira e pagar ao técnico!
Cá vai o meu abraço.

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história.
Tenha um ótimo dia!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

✿ chica disse...

Que boa a alegria com o neto lindo e pena o trabalho que era tanto e já se antevê tristeza ...bjs, chica e lindo dia!

Gaja Maria disse...

Uma criança na família é sempre uma enorme alegria ;)

Anete disse...

A vida que segue o seu percurso...
Agora a família com netos... A esposa aposentada...

Boa 5a feira... Abraço

Bell disse...

Adoção é uma grande ato de amor.
Não acompanhei tudo, mas gostei do que li.

bjokas =)

Rui Espírito Santo disse...

Reparei agora que não tinha acompanhado estes 3 últimos "episódios", o que fiz de seguida !
Maravilhosa esta ideia de passar para o papel os factos de uma vida em família ! ...
Este último, enternecedor e de enorme responsabilidade !
Continuo a adorar, Elvira !

Um grande abraço !

cesar farias disse...

Trama envolvente, tal qual a vida.

Amiga, me atrapalhei com meu recém comprado tablet e acabei deletando aquela postagem sobre a África, com comentários e tudo. Perdoe_me e apareça sempre.

Ana S. disse...

o amor por um filho, ainda que não seja biológico tem o seu valor. Às vezes até mais do que os próprios pais!
Abraço Elvira

Jaime Portela disse...

Um grande problema da adoção é a morosidade. Por isso, muitas das crianças que estão em instituições, acabam por nem serem entregues a pais adotivos. Mas quando as crianças são entregues a casais responsáveis, é uma felicidade enorme para todos.
Continuo a ler e a gostar da história do Manuel da Lenha.
Elvira, continuação de boa semana.
Beijo.

O meu pensamento viaja disse...

Uma família enredada em 1000 histórias. Continuo pendente dos próximos episódios.
Beijo

Às Bolinhas Amarelas disse...

Passei para lhe dar um alô, eu vi os seus comentários preocupados e agradeço-lhe imenso pela preocupação e por nunca se esquecer de mim <3 .
Eu tenho andado, devagarinho, tenho estado mais frágil fisica e emocionalmente, a operação entretanto já está marcada para dia 20 deste mês em principio será de manhã mas saberei mais pormenores no dia 9 na consulta com a anestesista.
Estou muito ansiosa, com muito medo, como deve imaginar, 28 anos, com um problema destes, ter que ser operada quando nunca o fui, é complicado gerir todas estas emoções e ainda ter que gerir as emoções de dois filhos... A minha mãe está por cá, vai-me ajudando com o mais novo porque o meu ouvido tem piorado a olhos vistos e mal consigo manter-me em pé equilibrada, entretanto entrei numa depressão desgraçada por várias coisas e tudo junto tornou-me "inapta" para cuidar do meu bebé 24h por dia.
Peço a Deus que me dê força, mesmo quando às vezes na hora da raiva eu Lhe pergunto o porquê de tanto sofrimento, às vezes a minha fé abala-se mas, aguento-me, tenho que me aguentar firme.
Eu vou dando notícias, ou aqui ou no blog, mas vou dando.

Beijinho grande e muito obrigada por estar sempre por perto
www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

Pedro Coimbra disse...

Avizinha-se tragédia na família.
Bfds

Tintinaine disse...

Também continuo por cá a acompanhar a evolução da história. Depois de conhecer as origens do Manel e da Gravelina, fico a pensar como o destino dá voltas engraçadas. Ele veio de Carvalhais para a margem direita do Coina e ela de Penude para a margem esquerda. Um bote e dois remos serviram para os juntar.

Blog da Gigi disse...

Ótimo final de semana!! Beijos

Marina Fligueira disse...

¡Hola Elvira!!!

Veo que sigues con tus interesantes relatos viográficos, este me ha gustado mucho, Manuel es un hombre de provecho un trabajador nato. Pero también debería saber vivir un poco la vida! Que tenemos una sola, y el tiempo pasa en un suspiro, mas cada cual disfruta a su manera, no seré yo la juzgue a nadie.

Ha sido un placer pasearme por tu letras.
Te dejo mi cálido abrazo, mi inmensa gratitud y estima.
Feliz fin de semana.

aluap Al disse...

Como disse um outro comentador um grande problema da adoção é a morosidade e sendo assim muitas das crianças acabam por nem serem entregues a pais adotivos.
Mas que bom e emocional não deve ser quando finalmente se consegue!
Elvira, quase não tenho tempo para visitar os blogues que sigo, mas prometo ler amanhã os textos que perdi sobre a história do Manel da Lenha.
Boa noite*

lourdes disse...

Vim hoje pôr em dia a leitura da história do nosso Manel da lenha.
E recordar algumas coisas das nossas vidas.
Beijinhos.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Amiga estou a persentir qualquer coisa menos boa
na sua história.
Aguardo,mas a vida é mesmo feita de coisas
boas e más.
Um beijinho.
Irene Alves

Elisa Bernardo disse...

Já ando por aqui para acompanhar tudinho:)
Beijinhos querida Elvira e uma boa semana
elisaumarapariganormal.blogspot.pt

Odete Ferreira disse...

Estou a atualizar a leitura, contudo não podia passar ao próximo capítulo sem deixar o meu apreço por essa decisão de adotar. Naquela altura, foi um ato de coragem da vossa parte, pois, infelizmente, ainda hoje há casais que não tomam esse passo. E há tantas crianças que passam a sua vida em instituições. Durante alguns anos fiz parte da CPCJ da minha cidade e como me era pungente a problemática da institucionalização...
Bjo, amiga :)

lua singular disse...

Oi Elvira,
Esta parecendo com minha história, mas da pra ver que será bem diferente.
Beijos
Lua Singular