9.6.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXXXVI



                                                    Creche - Foto do Google




Aquele Natal, foi o mais triste que aquela família algum dia viveu.
Os filhos do Manuel, bem como a cunhada,  revezavam-se nos cuidados com a doente. Mesmo a filha que vivia em Lisboa e trabalhava de segunda à Sexta, ia todos os fins de semana, para a casa paterna. 
A filha mais velha, que como sabemos tomava conta de crianças, vira-se obrigada a pedir ao pais das mesmas, para arranjarem outra ama, pois os pais precisavam dela e não podia continuar a cuidar das crianças, com a atenção que eles precisavam.
Agora o casal estava com outro problema. O filho, quando fora lá para casa, já encontrou os outros meninos que a mãe cuidava. Cresceu com eles, e um dia perguntou à mãe, porque é que os manos não dormiam lá em casa. A mãe lá lhe explicou que os outros meninos, não eram seus filhos, ela só cuidava deles para que os pais deles pudessem trabalhar, mas o menino não deve ter entendido o que a mãe lhe explicara.
Depois que os outros meninos deixaram de aparecer,  o menino começou a ter pesadelos. Acordava de noite a chorar, e quando os pais o iam acalmar, o menino agarrava-se ao pescoço da mãe, pedindo que não o mandasse embora, como fizera com os outros meninos. E por mais que os pais lhe dissessem, que os outros só tinham ido para junto dos pais deles, e que sendo ele seu filho, os pais nunca o abandonariam, a criança parecia não entender.
Os pais viram-se obrigados a recorrer à ajuda especializada de um psicólogo.
Entretanto as horas, ou no máximo alguns dias que o médico no hospital dera de vida à Gravelina foram-se alargando. Sob os cuidados da filha, e do marido, aos poucos ela ia recuperando forças. Mas a filha reconhecia que não conseguia dar ao filho a atenção que ele precisava, e assim procurou uma creche, pensando que a convivência com outras crianças seria melhor para ele. Mas contrariamente ao que esperava, isso agravou mais os pesadelos da criança.
Incapaz de cuidar da mãe e do filho com o tempo e atenção que ambos precisavam, tanto mais que a tia tinha regressado à sua casa, e o Manuel, por muito boa vontade que tivesse, não conseguia cuidar da esposa, reuniram-se os irmãos para decidirem como fazer. O irmão, decidiu que ele contrataria e pagaria a uma pessoa para cuidar da mãe. Apesar das irmãs se mostrarem dispostas a ajudar, ele disse que a despesa seria dele, já que era o único que não tinha família a seu cargo, pois continuava solteiro.  



Desejo a todos um bom fim de semana. E esta história volta Segunda.

23 comentários:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Elvira! Lamento não poder acompanhar a história como antes, pois além de destinar a maior parte do meu tempo para a saúde, minha mulher está com esse mesmo problema de família, diariamente vai à casa da mãe dela que está com 89 anos e totalmente dependente, estando a irmã precisando muito da ajuda dela nos afazeres da casa. Mas com fé em DEUS tudo se normalizará.

Abraços,

Furtado.

Luis Eme disse...

A vida é muito estranha.

abraço Elvira

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar a história que está a ficar interessante.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Tintinaine disse...

Vida complicada a do Manel neste período da sua vida!
Adivinho que a vida atribulada da sua querida Gravelina não estará longe do fim e uma vida sem qualidade não se deseja a ninguém.

✿ chica disse...

Que triste pedaço de vida... Acompanhando até aqui! Agora farei uma pausa pra descansinho e passeio. Quando voltar retomo de onde parei! Inté! bjs, chica

Odete Ferreira disse...

Decisões sempre muito complicadas, Elvira.
Sobre o filho, oxalá a situação melhore com a ajuda especializada, apesar de não ser fácil de "desalojar" este medo do abandono.
Bjo

Anete disse...

Bom final de semana, Elvira...
Novos problemas, novas soluções por aqui...
Vamos ver quais os passos seguintes!

Bjs

Bell disse...

Difícil mesmo cuidar do filho e da mãe, conheço pessoas que passam por essa prova e não é fácil.
Será que o menino vai se sentir abandonado na creche? Aguardemos...

bjokas =)

Miguel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O meu pensamento viaja disse...

Aguardando ...
Bom fim de semana.

Mariazita disse...

Amiga Elvira
Tenho acompanhado, como sempre, embora não assinale a passagem a maioria das vezes (também já comecei a ler "A Rosa")porque tenho andado bastante atarefada com o final do ano na Universidade.
Agora estamos em férias!!! :)

De facto a vida às vezes é bastante complicada, e doenças desse tipo requerem cuidados que envolvem, quase sempre, a família toda...
Oxalá o problema do menino se resolva da melhor maneira, mas nem sempre é fácil vencer esses traumas. O psicólogo tem um trabalho árduo pela frente!
Aguardemos a continuação.

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Ana S. disse...

Acho que é sempre melhor pagar a uma pessoa para cuidar do seu familiar em casa do que interná-lo. Deve ser triste sentir-se abandonado.
Abraço Elvira

Edumanes disse...

Os cuidados a prestar a Gravelina, devido ao seu estado de saúde, é que não podiam ficar suspensos como fica esta história até segunda-feira.
Cá estarei à sua espera para ler mais um dos seus belos capítulos. Bom fim de semana prolongado. Para mim são todos prolongados, enquanto por cá andar. Tento fazê-lo o mais devagar possível, porque não tenho pressa d'abalar!

Boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

lis disse...

Oi Elvira
Estou voltando aos blog's e com saudade das histórias interessantes e muito reais que conta aqui na sua 'sexta-feira',
Vou acompanhar a saga do seu Manel ,
Por hoje ,o abraço

Pedro Coimbra disse...

Esses dramas estão na ordem do dia com a discussão acerca da eutanásia.
Bfds

Majo Dutra disse...

~~~
Foram dias muito tristes e complicados, Elvira.

Ainda bem que eram uma família unida,

formada por pessoas generosas.

Abraço.
~~~

lourdes disse...

Há vidas muito complicadas. Depois de uma vida inteira a trabalhar tanto, quando no fim da vida se deveria descansar e viver o que se não viveu em novos, de repente a vida se encarrega de nos "trocar as voltas".
Bjs

Elisa Bernardo disse...

Aqui continuo eu...a ler e reler pelo seu blog!
Beijinho

Rui Espírito Santo disse...

Para alem do resto, ressalta o caso do miúdo que fica sem os "irmãos" ! ...
O que iria naquela cabecinha de criança ?... E quanto é compreensível o modo como ele pensava !...

Beijinhos, Elvira !

Ane disse...

Oi Elvira!A vida tem momentos difíceis como este que sua família viveu.E sempre temos que cuidar de nossos pais,como antes eles cuidaram de nós,e também cuidar de nossas crianças.Acompanho com interesse esta história.Um abraço!

AC disse...

Uma família unida, uma verdadeira família.

Um beijinho, Elvira :)

Emília Pinto disse...

Assim acontece tantas vezes, Elvira! Quando a vida parece estar melhor, com os filhos criados aparecem as doenças e tudo vai por água abaixo, Eu que o diga, com os meus pais, ele 88 e ela 86. O meu pai está como a mulher do Manuel, embora ainda consiga falar e usar a cadeira de rodas,; mas sinto muita pena por ver uma pessoa sempre tao forte, tão trabalhadora, não sabendo, na maioria das vezes, onde está, quem é a minha mãe e onde eu moro, Mas... se não queremos morrer novos, temos que aceitar que um dia poderemos estar assim. Querida amiga, cá fico à espera da continuação. Entretando, desejo-te tudo de bom, em especial no que respeita à saúde; sem ela, nada tem valor. Um beijinho
Emilia