16.11.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XXVII






Afonso, chegou a casa, à hora de jantar. As crianças que ouviram o carro vieram ao seu encontro, mal abriu a porta. Era um ritual que se repetia diariamente, e que lhe aquecia o coração. E apesar de naquele dia não ser diferente, ele notou algo estranho. João, sempre tão alegre, tão extrovertido, estava sério. Parecia ter chorado. Inquietou-se. 
- Meninas vão brincar. Quero falar com os manos.
Baixou-se e agarrou o menino.
-Que aconteceu? Choraste?
João respondeu com outra pergunta.
-Vais continuar a ser meu pai? Não vais virar estrelinha como o outro?
Percebeu o que acontecera. Inconscientemente pensou como reagiriam as filhas, quando soubessem a verdade sobre a mãe biológica.  Abraçou o menino com carinho.
-É claro que vou ser, sempre teu pai, filho.
- Obrigado…pai.
Sentiu um nó na garganta. Não fora João quem falara, mas sim o irmão. Era a primeira vez que Simão lhe chamava pai, depois de conviverem há quase um ano, e de ouvir o irmão, a chamar-lhe assim, quase desde o primeiro dia. Passou-lhe a mão pela cabeça, numa caricia e disse:
- O pai ama-vos muito. Mas agora vão chamar as manas, e lavar as mãos, para irmos jantar.  
Ergueu-se emocionado. E só então reparou em Francisca.
-Ouviste? Chamou-me pai. Finalmente.
Acenou afirmativamente
- Sempre soube que o faria. Tinha-te dito, que tinhas de ser paciente. Compraste o que querias?
- Sim. Está tudo no escritório.
Olhou-a e sussurrou:
-Estás linda.
Estremeceu. Era a primeira vez que Afonso lhe elogiava a beleza. E fazia-o de uma forma apaixonada, intima. Que se passava? Era uma consequência da emoção anterior, ou o homem finalmente reparara nela?
As crianças, voltaram e todos foram para a mesa. O jantar decorreu animado como sempre. Quando se sentem amadas, as crianças esquecem depressa  qualquer coisa mais desagradável. E depois João  nascera após a morte do pai, nunca o vira a não ser por foto, apesar da mãe sempre lhe ter ensinado a amá-lo.
Depois do jantar, enquanto Francisca levantava as loiças da mesa e as punha na máquina, Afonso foi para a sala ver a árvore, e os garotos contaram ao pai, como tinham ajudado a decorá-la. Estavam entusiasmados com a festa que se aproximava, e a perspectiva das prendas que iriam receber. Mais tarde, Francisca reuniu-se-lhes dizendo que eram horas de ir lavar os dentes e dormir.
- Ajudo-te, - disse Afonso levantando-se e seguindo-os


14 comentários:

✿ chica disse...

Que bom! Tudo andando bem por lá e agora que os filhos foram dormir.... Pode ser!!! Tomara,rs bjs, chica

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Rui Espírito Santo disse...

:))) ... Não acredito que "esta gente" seja latina, Elvira !

UM ANO ??? :(((

A viverem na mesma casa, no quarto ao lado, situação regularizada, a gostarem-se (creio que a amarem-se ?!) ... Jovens, ... a adorarem os filhos de ambos como iguais,...
O que interessa a cláusula 5ª ??? ... Esta gente não pode ser deste mundo " rsrsrs

Que mais "provas" são necessárias ?... Vamos avançar para o capítulo XXXII ! eheheh

Abraço !

Emília Pinto disse...

Está tudo a correr bem e o " estranho contrato" vai-se transformar numa bela união. E um problema falar de morte às crianças mais pequeninas. Quando o meu netinho era pequenino, depois da minha noravlhecter explicado que o cãozinho deles estava velhinho e por isso tinha virado uma estrela, ele correu para o meu marido e disse: vovô, tu não vais virar uma estrelonha, pois não? Claro, para ele o avô era velhinho e podia acontecer-lhe o mesmo que ao cãozinho. Elvira, linda estoria, como sempre. Um beijinho e muita saúde.
Emilia

maria disse...

O inevitável vai mesmo acabar por acontecer... eu acredito que sim!!!

As Mulheres 4estacoes disse...

Estou torcendo para que o casal reconheça que ambos estão ligados por um sentimento maior que um contrato.
Um abraço,
Sônia

Odete Ferreira disse...

Está a ser muito emocionante!
Parabéns, Elvira!
Bjinho :)

Zé Povinho disse...

O temo e a paciência aliados à natureza podem realizar milagres, e a vida é um grande milagre...
Abraço do Zé

Gaja Maria disse...

Tão carinhoso. Aos poucos conquista todos :)

Pedro Coimbra disse...

As crianças são um óptimo pretexto para o amor acontecer.

Edumanes disse...

Não ata nem desata...Está difícil de desatar esse nó que é tão fácil, quando de ambas as partes há vontade, só poderá ser mesmo falta de coragem?

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Tudo caminhando para ser uma família de verdade. que bom que a jovem mulher recebeu um elogio, já é meio caminho andado.
Beijos no coração
Minicontista2

Rosemildo Sales Furtado disse...

Deixe que digam, que pensem e que falem. Deixa isso pra lá, vem pra cá o que é que tem, eu não tô fazendo nada, você também. Faz mal bater um papo assim gostoso com alguém. Desse bate-papo pode sair fogo. Rsrs.

Abraços,

Furtado

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Já está na hora dos beijos , abraços e paixões dos dois. Eu não aguentaria.kkk
Beijos
Minicontista2