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16.5.16
15.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXIX
Foto de Alfredo Cunha
Pelas seis da manhã, uma coluna de carros de combate e transporte de tropas da Escola Prática de Cavalaria comandada pelo capitão Salgueiro Maia instala-se no Terreiro do Paço. Corta os acessos aos ministérios, Banco de Portugal, Marconi, Câmara Municipal de Lisboa e 1.ª Divisão da PSP. Marcelo Caetano, líder do Governo, refugia-se no Comando-Geral da GNR, no largo do Carmo. Lisboa sempre foi o grande centro de emprego para as gentes da margem sul, que todas as manhãs desembarcavam no Terreiro do Paço, vindo do Barreiro, Seixal, Almada ou Montijo, rumo aos seus empregos. Mas naquela manhã, os primeiros a desembarcar, vindos da margem sul, verificaram que os tanques estavam na rua e foram aconselhados pelos militares, a regressarem a suas casas. Coisa que poucos fizeram, pois o povo, esperava à demasiado tempo por uma mudança.
Pelas nove horas, a fragata "Almirante Gago Coutinho" toma posição no Tejo, frente às forças de Salgueiro Maia, instaladas na Praça do Comércio.
Pouco depois das nove e meia, chega ao Terreiro do Paço uma força liderada pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º comandante da Região Militar de Lisboa, constituída por quatro carros de combate M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões de Polícia Militar.
Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, colocam-se na Ribeira das Naus, os outros dois, comandados pelo coronel Romeiras Júnior, posicionam-se na Rua do Arsenal em frente das forças de Salgueiro Maia. Na Avenida Ribeira das Naus apela-se às forças do regime para aderirem à revolta. Seguem-se momentos de grande tensão. Se as forças do regime, abrirem fogo, e a Fragata apoiar, será uma carnificina, e o fim da revolução. Salgueiro Maia toma a decisão de tentar convencer as forças do regime a desistirem e a passarem-se para o seu lado, coisa que consegue, pois cerca das dez e meia, o major Pato Anselmo rende-se e os dois carros de combate, bem como as tropas que os acompanham, passam para o lado do MFA, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.
Relembro que todos este factos, são objecto de pesquisa, de jornais da época, do arquivo da RTP, e sobretudo da base de dados históricos.
Pelas seis da manhã, uma coluna de carros de combate e transporte de tropas da Escola Prática de Cavalaria comandada pelo capitão Salgueiro Maia instala-se no Terreiro do Paço. Corta os acessos aos ministérios, Banco de Portugal, Marconi, Câmara Municipal de Lisboa e 1.ª Divisão da PSP. Marcelo Caetano, líder do Governo, refugia-se no Comando-Geral da GNR, no largo do Carmo. Lisboa sempre foi o grande centro de emprego para as gentes da margem sul, que todas as manhãs desembarcavam no Terreiro do Paço, vindo do Barreiro, Seixal, Almada ou Montijo, rumo aos seus empregos. Mas naquela manhã, os primeiros a desembarcar, vindos da margem sul, verificaram que os tanques estavam na rua e foram aconselhados pelos militares, a regressarem a suas casas. Coisa que poucos fizeram, pois o povo, esperava à demasiado tempo por uma mudança.
Pelas nove horas, a fragata "Almirante Gago Coutinho" toma posição no Tejo, frente às forças de Salgueiro Maia, instaladas na Praça do Comércio.
Pouco depois das nove e meia, chega ao Terreiro do Paço uma força liderada pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º comandante da Região Militar de Lisboa, constituída por quatro carros de combate M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões de Polícia Militar.
Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, colocam-se na Ribeira das Naus, os outros dois, comandados pelo coronel Romeiras Júnior, posicionam-se na Rua do Arsenal em frente das forças de Salgueiro Maia. Na Avenida Ribeira das Naus apela-se às forças do regime para aderirem à revolta. Seguem-se momentos de grande tensão. Se as forças do regime, abrirem fogo, e a Fragata apoiar, será uma carnificina, e o fim da revolução. Salgueiro Maia toma a decisão de tentar convencer as forças do regime a desistirem e a passarem-se para o seu lado, coisa que consegue, pois cerca das dez e meia, o major Pato Anselmo rende-se e os dois carros de combate, bem como as tropas que os acompanham, passam para o lado do MFA, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.
Na rua do Arsenal continua o comandante Junqueira Reis com os outros dois carros de combate. Ele não se rende, e apesar de várias tentativas de negociações, está disposto a abrir fogo sobre os revoltosos, mas depois de ter por várias vezes dado essa ordem, os seus homens não lhe obedeceram. Incapaz de os obrigar, resolveu ficar no local, não se unindo aos revoltosos.
Para quem em casa ligava o rádio, não havia mais nada que breves comunicados apelando à calma e à manutenção em casa, seguidos de música militar, ou revolucionária.
Para quem em casa ligava o rádio, não havia mais nada que breves comunicados apelando à calma e à manutenção em casa, seguidos de música militar, ou revolucionária.
Relembro que todos este factos, são objecto de pesquisa, de jornais da época, do arquivo da RTP, e sobretudo da base de dados históricos.
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12.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXVIII
Foto de Alfredo Cunha
Ele nem se atreve a ler à mulher a última parte da carta, e pede ao filhos que nada lhe digam por enquanto.
Nesse mesmo dia, Tomás e Caetano almoçam em Belém com os presidentes da Assembleia Nacional, do Supremo Tribunal de Justiça, e outras individualidades do regime.
Três dias depois, realiza-se o último Conselho de Ministros de Caetano. Enquanto isso no regimento de engenharia da Pontinha, Otelo, Jaime Neves e Garcia dos Santos, ultimam os preparativos, para a instalação do posto de comando do golpe de estado.
No dia 24 às 22 horas, Tomás inicia aquela que seria a sua última visita oficial à Feira das Indústrias. À mesma hora, Otelo chegava ao regimento de Engenharia 1 na Pontinha, e verifica os últimos pormenores. Faltavam 5 minutos para as 23 horas, quando os Emissores Associados de Lisboa transmitem a senha para o desencadear do golpe. E depois do adeus, de Paulo de Carvalho.
O relógio despertou um pouco antes das seis e meia, como todos os dias em casa do Manuel. A mulher saltou da cama e dirigiu-se à cozinha para acender o esquentador. foi à casa de banho e procedeu à sua higiene, saindo de seguida para dar lugar à filha que entrou acompanhada do seu pequeno transistor, que ligava mal se levantava. Enquanto a filha tomava o seu banho, Gravelina começou a preparar os pequenos almoços, o marido e o filho não tardariam a levantar-se. Quando a filha já despachada entrou na cozinha , estava a dar no rádio o sinal horário das sete. E em vez das notícias, ouviu-se apenas um comunicado, pedindo à população para se manter em casa e aguardar serenamente novas notícias. A filha comentou com a mãe, que alguma coisa se passaria em Lisboa, já que desde que se levantara apenas ouvia música revolucionária e marchas militares. E depois daquele comunicado, ela não iria trabalhar nesse dia.
Pouco depois, a família reunida à mesa, todos especulavam sobre o que se estaria a passar.
Eles não sabiam que durante a noite, os militares saíram para a rua, e que aquela hora decorria um golpe de estado que visava derrubar o governo
Nota
Há 8 dias que estou com grandes dificuldades no Sexta. Umas vezes não consigo entrar nos vossos blogues, Outras consigo entrar e não consigo comentar, chego a levar 2 minutos à espera de abrir uma página. Neste momento estou com dificuldades até para aceder às mensagens que pretendo publicar. Não sei que se passa. Peço a vossa compreensão, visitar-vos-ei e comentarei sempre que possível.
Ele nem se atreve a ler à mulher a última parte da carta, e pede ao filhos que nada lhe digam por enquanto.
Nesse mesmo dia, Tomás e Caetano almoçam em Belém com os presidentes da Assembleia Nacional, do Supremo Tribunal de Justiça, e outras individualidades do regime.
Três dias depois, realiza-se o último Conselho de Ministros de Caetano. Enquanto isso no regimento de engenharia da Pontinha, Otelo, Jaime Neves e Garcia dos Santos, ultimam os preparativos, para a instalação do posto de comando do golpe de estado.
No dia 24 às 22 horas, Tomás inicia aquela que seria a sua última visita oficial à Feira das Indústrias. À mesma hora, Otelo chegava ao regimento de Engenharia 1 na Pontinha, e verifica os últimos pormenores. Faltavam 5 minutos para as 23 horas, quando os Emissores Associados de Lisboa transmitem a senha para o desencadear do golpe. E depois do adeus, de Paulo de Carvalho.
O relógio despertou um pouco antes das seis e meia, como todos os dias em casa do Manuel. A mulher saltou da cama e dirigiu-se à cozinha para acender o esquentador. foi à casa de banho e procedeu à sua higiene, saindo de seguida para dar lugar à filha que entrou acompanhada do seu pequeno transistor, que ligava mal se levantava. Enquanto a filha tomava o seu banho, Gravelina começou a preparar os pequenos almoços, o marido e o filho não tardariam a levantar-se. Quando a filha já despachada entrou na cozinha , estava a dar no rádio o sinal horário das sete. E em vez das notícias, ouviu-se apenas um comunicado, pedindo à população para se manter em casa e aguardar serenamente novas notícias. A filha comentou com a mãe, que alguma coisa se passaria em Lisboa, já que desde que se levantara apenas ouvia música revolucionária e marchas militares. E depois daquele comunicado, ela não iria trabalhar nesse dia.
Pouco depois, a família reunida à mesa, todos especulavam sobre o que se estaria a passar.
Eles não sabiam que durante a noite, os militares saíram para a rua, e que aquela hora decorria um golpe de estado que visava derrubar o governo
Nota
Há 8 dias que estou com grandes dificuldades no Sexta. Umas vezes não consigo entrar nos vossos blogues, Outras consigo entrar e não consigo comentar, chego a levar 2 minutos à espera de abrir uma página. Neste momento estou com dificuldades até para aceder às mensagens que pretendo publicar. Não sei que se passa. Peço a vossa compreensão, visitar-vos-ei e comentarei sempre que possível.
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11.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXVII
foto do Google
De Angola continuam a chegar cartas da filha. Trazem quase sempre fotos dela com a afilhada, mas não falam em filhos. Nem ele nem a mulher compreendem que gostando tanto de crianças, eles não tenham tido filhos nos cinco anos que estão a fazer de casados. Mas isso não é o pior. O pior conta-lhe a filha, na carta que recebe no início de Abril. Diz que o marido está farto de guerras e que meteu os papeis para abandonar a marinha no fim da comissão. Diz que já tem promessa de emprego em Luanda, que ela também está muito feliz com o emprego no Colégio Marista, e que pensam fixar residência em Luanda. Se a ele lhe custa, ter a filha tão longe, a mulher não para de chorar.
De Angola continuam a chegar cartas da filha. Trazem quase sempre fotos dela com a afilhada, mas não falam em filhos. Nem ele nem a mulher compreendem que gostando tanto de crianças, eles não tenham tido filhos nos cinco anos que estão a fazer de casados. Mas isso não é o pior. O pior conta-lhe a filha, na carta que recebe no início de Abril. Diz que o marido está farto de guerras e que meteu os papeis para abandonar a marinha no fim da comissão. Diz que já tem promessa de emprego em Luanda, que ela também está muito feliz com o emprego no Colégio Marista, e que pensam fixar residência em Luanda. Se a ele lhe custa, ter a filha tão longe, a mulher não para de chorar.
Por esses dias, morre Georges Pompidou e Marcelo vai ao funeral.
No dia 4 desse mês de Abril, as Brigadas Revolucionárias fazem explodir uma bomba a bordo do navio Cunene, que se preparava para partir para África.
Três dias depois, Otelo Saraiva de Carvalho, envia pelo major Carlos de Morais, o programa do MFA para Spínola, e este reúne com Costa Gomes.
Na altura, Manuel, como a maior parte do povo, trabalhador e pouco instruído, não sonha sequer que se aproxima a revolução. Mas ela está a ser "cozinhada" há muito tempo, e está quase pronta para ser servida a um país ávido de mudança.
Na Semana Santa, a população branca, manifesta-se em Nampula, contra os padres italianos que acusam de ser aliados da Frelimo, e contra o bispo D. Manuel Vieira Pinto que vai regressar à metrópole.
No dia 13 de Abril, sábado de Aleluia, Spínola recebe o novo programa do MFA, já com as alterações por ele sugeridos ao primeiro.
No dia seguinte, Domingo de Páscoa, Spínola reúne com Costa Gomes, mas este não se mostra favorável a um levantamento militar no continente.
Dias depois, um comunicado da DGS anuncia a prisão de 15 pessoas relacionadas com a preparação do 1º de Maio. Informam que foram encontrados na sede do jornal "Notícias da Amadora" panfletos revolucionários.
Manuel faz 56 anos no dia 20 de Abril, e no dia do seu aniversário, chega carta da filha. E dá conta de que o marido acabara de meter o requerimento para sair da marinha. Diz que virão à metrópole no fim da comissão, para apadrinhar o casamento da irmã, e voltarão para Luanda.
No dia 4 desse mês de Abril, as Brigadas Revolucionárias fazem explodir uma bomba a bordo do navio Cunene, que se preparava para partir para África.
Três dias depois, Otelo Saraiva de Carvalho, envia pelo major Carlos de Morais, o programa do MFA para Spínola, e este reúne com Costa Gomes.
Na altura, Manuel, como a maior parte do povo, trabalhador e pouco instruído, não sonha sequer que se aproxima a revolução. Mas ela está a ser "cozinhada" há muito tempo, e está quase pronta para ser servida a um país ávido de mudança.
Na Semana Santa, a população branca, manifesta-se em Nampula, contra os padres italianos que acusam de ser aliados da Frelimo, e contra o bispo D. Manuel Vieira Pinto que vai regressar à metrópole.
No dia 13 de Abril, sábado de Aleluia, Spínola recebe o novo programa do MFA, já com as alterações por ele sugeridos ao primeiro.
No dia seguinte, Domingo de Páscoa, Spínola reúne com Costa Gomes, mas este não se mostra favorável a um levantamento militar no continente.
Dias depois, um comunicado da DGS anuncia a prisão de 15 pessoas relacionadas com a preparação do 1º de Maio. Informam que foram encontrados na sede do jornal "Notícias da Amadora" panfletos revolucionários.
Manuel faz 56 anos no dia 20 de Abril, e no dia do seu aniversário, chega carta da filha. E dá conta de que o marido acabara de meter o requerimento para sair da marinha. Diz que virão à metrópole no fim da comissão, para apadrinhar o casamento da irmã, e voltarão para Luanda.
9.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXVI
A 9 de Março, é decretado estado de prevenção rigorosa em Lisboa, que se estende por três dias. Enquanto isso as forças militares e políticas movimentam-se em sentido contrário, às decisões governamentais.
Dias depois reúne-se em S. Bento a "brigada do reumático". À cerimónia, faltam os chefes militares mais influentes, entre eles, Costa Gomes, Spínola e Silvério Marques. Em consequência, Marcelo demite Costa Gomes e Spínola, e faz mais uma remodelação do governo.
A 16 desse mesmo mês, dá-se o golpe das Caldas. O Regimento de Infantaria 5 subleva-se e sai para a rua, numa tentativa de fazer a revolução. Esperava que outros quartéis em todo o país o seguissem, mas isso não aconteceu. Sem hipótese acabam por se render ao brigadeiro Serrano, segundo comandante da região militar de Tomar. Duzentos militares foram presos, mas a revolução não fora debelada. Fora apenas adiada. Com o tradicional humor português, contava-se por todo o país, dias depois.
"Lisboa ainda é virgem. O das Caldas não conseguiu entrar"
No final do mês, Marcelo vai ao estádio José Alvalade, assistir ao Sporting - Benfica, e numa impressionante orquestração é intensamente ovacionado. E nesse mesmo dia, após os incidente no Instituto Superior de Economia, a escola é encerrada.
Na Seca, a safra já terminara. Apesar de haver cerca de metade do pessoal de outrora, ela acabara mais cedo. E isso devia-se a dois factos. O Inverno não fora tão rigoroso como em outros anos, e as máquinas introduzidas. Na Seca estão agora além do Manel, o pessoal residente na Seca. O armazém está encerrado a maior parte do tempo, e o Manuel junta-se ao restante pessoal, na limpeza e pintura dos grandes armazéns, no roçar das ervas daninhas sob as mesas de arame, onde o bacalhau é estendido, na reparação dos arames partidos, e em tudo o que é necessário para que tudo esteja em ordem quando os navios voltarem. A pouca lenha que sobrou, já está toda transformada em cavacos, e Manuel vai ao armazém uma vez por semana carregar o carro de mão e abastecer as residências. Em Agosto virão as camionetas cheias de grossos troncos de árvores, cortados com aproximadamente um metro de comprimento, que ele terá de empilhar no armazém, para depois transformar em cavacos que alimentarão a seca durante a safra. Para esse trabalho, terá a ajuda da mulher, bem como das outras mulheres residentes na Seca. É uma autentica obra colocar toda a lenha em pilhas até ao tecto, que terão que ficar bem seguras, para não correr o risco de desabarem e ficar soterrado sob elas. Porque alguns dos troncos são bem retorcidos e de difícil encaixe, mas ele não consentia que mais ninguém os empilhasse, porque só confiava no seu trabalho. Assim ele fica no armazém, enquanto as mulheres transportam para dentro os troncos que ele empilha. Quando a pilha, atingia a sua altura, pouco mais de um metro e sessenta, começava outra. Quando a terceira atingia cerca de um metro, uma das mulheres ia para essa pilha, ele para a segunda, e começava a subir a primeira da seguinte forma. As mulheres que traziam os troncos para dentro,iam colocando-os na terceira pilha. A mulher que lá estava, ia apanhando-os e passando-os para a segunda pilha, onde o Manuel se encontrava. Este por sua vez, apanhava-os e colocava-os na primeira. Quando subia um bocado, mandava que fosse feita outra pilha, de modo a que os troncos fossem empilhados em escada, e que uma pilha nunca subisse muito sem o apoio da seguinte.
Era trabalho moroso, e pesado, mas ele tinha que sentir segurança. E nunca teve qualquer acidente nos 44 anos que foi lenhador.
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8.5.16
MANEL DA LENHA PARTE LXV
A foto da filha e do genro do Manuel com a afilhada
foto minha
A 25 de Fevereiro de 1974, explode uma granada num café em Bissau. Resultado, um morto e 63 feridos. No dia seguinte Marcelo Caetano recolhe-se no Buçaco. Regressa no fim do mês, é recebido por Américo Tomás e pede-lhe a exoneração, que não é aceite.
O país está sentado sobre uma bomba relógio. Por um lado os militares cansados da guerra querem acabar com ela o mais rápido possível. Por outro a poderosa máquina montada por Salazar e mantida por Américo Tomás, que quer manter tudo como está a sacrifício da vida do povo que sofre cada vez mais com a repressão, e com a perda dos seus filhos, mortos numa guerra inglória, e por fim com os Movimentos de Libertação, cada vez mais apoiados internacionalmente.
No meio de tudo isto temos um povo, maioritariamente a caminho da velhice, que viu sair os seus filhos ou para a guerra, ou fugidos de salto para a França, e que nem podia desabafar a sua revolta, sob pena de acabar vendo o sol através das grades do presídio. Manuel era parte integrante deste povo. Com 56 anos, tivera a sorte de ter visto o filho cumprir o serviço militar sem ir à guerra, mas vira alguns amigos perderem os seus filhos, vira o sobrinho ficar estropiado, e tinha a filha, o genro e um sobrinho por lá que não sabia quando voltariam e se voltariam.
A 5 de Março o Movimento dos Capitães reúne-se em Cascais no estúdio do arquitecto Braula Reis. Melo Antunes apresenta o que seria um esboço do programa. Elegem como chefes do Movimento, Costa Gomes e Spínola. A comissão militar, fica a cargo de Casanova, Monge e Otelo. Na comissão política, Melo Antunes Victor Alves e Vasco Lourenço.
Poucos dias depois, na intenção de acabar com o movimento, vários dos seus membros são transferidos para outra unidades militares.
E o Manuel recebe carta da filha com as fotos do baptizado da filha da ex-vizinha.
Nota 1 A quem me pediu os nomes das filhas do Manuel, apesar deles serem referenciados nos capítulos a seguir ao seu nascimento, aqui vão de novo.
A mais velha chama-se Elvira, aí está nessa foto 42 anos mais nova.
A segunda filha chama-se Lourdes.
Nota 2
A maioria dos factos que decorrem na época e que achei por bem incluir nesta história de família, são históricos, e para os conseguir servi-me das pesquisas por jornais da época, pelo google, e pelos factos registados no anuário. Porque na época, o Manuel, como a maioria do povo, não sabia o que se passava para mo relatar depois.
5.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXIV
Enquanto a vida na seca continuava, agora com menos de metade do pessoal de outrora, já que a modernização do método de trabalho fazia com que não fossem necessárias tantas pessoas, o relógio do tempo não para, e em Portugal e no resto do mundo, ele como dizia o poeta, pula e avança. A segunda filha do Manuel pensa casar no próximo ano. Tanto ela como o namorado têm emprego estável nas respectivas empresas, a rapariga está quase a fazer vinte e cinco anos, e já está para lá da data padrão de casamento na época. O namorado é um pouco mais velho, já foi à tropa, e já fez uma comissão nos comandos em Timor. Porém quando crianças, as filhas tinham feito um pacto. Se um dia se casassem uma seria madrinha da outra. Por isso a mais nova fora madrinha da mais velha, e agora esperava que o cunhado terminasse a comissão em Angola, para casar e ter a irmã como madrinha.
Estávamos em Fevereiro, Spínola acabava de lançar o livro "Portugal e o Futuro" e quase em simultâneo aparece o primeiro comunicado do Movimento dos Capitães, que defendia a democratização e a procura de uma solução política para a questão das colónias.
E como que a dar-lhes razão, agrava-se a situação na Guiné, primeiro com uma explosão a meio do mês no quartel-general de Bissau, e já quase no fim do mês, uma bomba em Bissau, faz um morto e 63 feridos.
No dia 8 desse mês de Fevereiro, sai o primeiro comunicado do Movimento dos Capitães, defendendo a democratização, e a procura de uma solução política para o Ultramar.
O livro de Spínola, é oferecido por Costa Gomes a Silva Cunha, que por sua vez o dá a Marcelo Caetano. Este dirá ao acabar a sua leitura "tinha compreendido que o golpe de Estado militar; cuja marcha eu pressentia há meses, era agora inevitável."
No dia em que o livro é posto à venda, no jornal República lê-se na primeira página "A vitória exclusivamente militar é Inviável"
No dia seguinte o Expresso transcreve várias passagens do livro de Spínola.
4.5.16
MANEL DA LENHA - PARTE LXIII
Cidade da Beira - Moçambique colonial
O novo ano começa com o regresso do filho do Manuel ao trabalho na CP, acabado que foi o tempo de tropa, integralmente cumprido no Ministério da Marinha. Acabou-se para eles o medo de que a qualquer momento, o filho fosse mobilizado para a guerra no Ultramar, numa altura em que as coisas por lá pareciam estar cada vez pior, a julgar pelos recentes incidentes na Beira, em Moçambique, e pela retoma pela UNITA da luta armada no leste de Angola.
De Luanda, chegam notícias da filha. Diz que já está recuperada, que regressou ao trabalho, que cada dia gosta mais da cidade, e que não fora o marido ser militar, fixariam lá residência.
"É doida -exclamou a mulher. Onde já se viu querer ficar a viver no fim do mundo. Ainda por cima numa terra em guerra"
-A guerra não chega à cidade, mulher.
-Ainda... resmungou a Gravelina
Enquanto isso o trabalho na seca prosseguia, com outra novidade. O transporte dos fardos de bacalhau seco, ia deixar de ser feito em fragata, pelo rio. Passaria a ser feito por camioneta. Diga-se em abono da verdade que enquanto eram precisas 30 mulheres com um carrinho de mão para carregarem uma fragata em meio dia, já que tinham de ir com ele até à cabeça da ponte, e voltar, uma camioneta carregava-se em menos de uma hora, e eram precisas apenas duas pessoas na camioneta para arrumarem os fardos, pois a camioneta estacionava por baixo, do local onde os fardos estavam prontos para o embarque, no primeiro andar do edifício como já expliquei noutro capítulo. Punha-se a tal tábua de escorrega, directamente na camioneta e era só deixar cair os sacos. Mais rápido e sobretudo muito mais económico.
Entretanto Spínola é nomeado Vice-Chefe EMGFA, e poucos dias depois, reúne-se com Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço.
Oficialmente, discutem-se os recentes acontecimentos na Beira. Mas seria só isso? Faltavam exactamente noventa e quatro dias para o 25 de Abril.
Gente estive três dias fora. Por via disso, não houve visitas. Espero retomá-las hoje mesmo.
Amanhã já vos mostrarei algumas fotos das minhas andanças.
O novo ano começa com o regresso do filho do Manuel ao trabalho na CP, acabado que foi o tempo de tropa, integralmente cumprido no Ministério da Marinha. Acabou-se para eles o medo de que a qualquer momento, o filho fosse mobilizado para a guerra no Ultramar, numa altura em que as coisas por lá pareciam estar cada vez pior, a julgar pelos recentes incidentes na Beira, em Moçambique, e pela retoma pela UNITA da luta armada no leste de Angola.
De Luanda, chegam notícias da filha. Diz que já está recuperada, que regressou ao trabalho, que cada dia gosta mais da cidade, e que não fora o marido ser militar, fixariam lá residência.
"É doida -exclamou a mulher. Onde já se viu querer ficar a viver no fim do mundo. Ainda por cima numa terra em guerra"
-A guerra não chega à cidade, mulher.
-Ainda... resmungou a Gravelina
Enquanto isso o trabalho na seca prosseguia, com outra novidade. O transporte dos fardos de bacalhau seco, ia deixar de ser feito em fragata, pelo rio. Passaria a ser feito por camioneta. Diga-se em abono da verdade que enquanto eram precisas 30 mulheres com um carrinho de mão para carregarem uma fragata em meio dia, já que tinham de ir com ele até à cabeça da ponte, e voltar, uma camioneta carregava-se em menos de uma hora, e eram precisas apenas duas pessoas na camioneta para arrumarem os fardos, pois a camioneta estacionava por baixo, do local onde os fardos estavam prontos para o embarque, no primeiro andar do edifício como já expliquei noutro capítulo. Punha-se a tal tábua de escorrega, directamente na camioneta e era só deixar cair os sacos. Mais rápido e sobretudo muito mais económico.
Entretanto Spínola é nomeado Vice-Chefe EMGFA, e poucos dias depois, reúne-se com Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço.
Oficialmente, discutem-se os recentes acontecimentos na Beira. Mas seria só isso? Faltavam exactamente noventa e quatro dias para o 25 de Abril.
Gente estive três dias fora. Por via disso, não houve visitas. Espero retomá-las hoje mesmo.
Amanhã já vos mostrarei algumas fotos das minhas andanças.
1.5.16
1º DE MAIO DE 2016
Porque é preciso estarmos alerta e não adormecer nas muralhas, esta tarde o povo esteve de novo na rua. Eis aqui alguns momentos.
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datas a comemorar.
DOIS EM UM COMO NO SUPER
Festeja-se hoje o dia da mãe. E o dia do trabalhador. Talvez a ordem não esteja correcta, já que o dia do trabalhador é dia primeiro de Maio e o dia da mãe, como festa móvel que é devia ser festejada como na grande maioria dos países, no segundo domingo de Maio para não coincidir nunca com o dia dos trabalhadores. Vocês sabem, que apenas Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, além da Espanha, Hungria e Lituânia, festejam o dia da mãe no primeiro domingo de Maio? Então deixem-me falar primeiro do dia da mãe, já que antes de sermos trabalhadores, tivemos que nascer, e ainda não somos como os pintos que nascem às centenas nas chocadeiras. Não, não vou falar da origem do dia da mãe, que já todos conhecem, e se alguém não souber, o dr. Google conta-lhe como foi. Vou apenas desejar a todas as mães do mundo, (e se não faço excepções, é porque as outras, aquelas que abandonam ou matam os filhos, não as considero como tal. São aberrações da natureza, a que me recuso chamar de mães.) um dia muito feliz junto dos seus filhos. E queria lembrar os filhos, que mãe é profissão sem reforma, que mãe se é desde o momento em que o médico diz à mulher que ela está grávida, até ao último suspiro da sua vida. Não o é apenas no Natal, ou no dia da mãe. E que não vale a pena gastarem muito dinheiro numa prenda toda xpto. Salvo raras excepções, o que a mãe deseja do seu filho, é um abraço, um beijo, um afago no rosto, um sorriso. Algumas se contentavam apenas em receber um telefonema, a perguntar se estão bem.
E não só hoje, mas sim todos os dias do ano.
Foto do Google
E vamos então ao dia do trabalhador. De que também não vos vou contar a história que conheceis bem. Vou apenas desejar a todos os que são trabalhadores, (e aos outros que tendo trabalhado a vida inteira, já não o são) um dia alegre e feliz. E para todos vós, deixo um poema de que muito gosto.
PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO de BERTOLT BRECHT
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis.
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstituiu? Em que casas
Da Lima dourada moravam os seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios.
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas.
Pois é isso aí. Os governantes ficam na história, mas quem a constrói são os governados.
Tenham um EXCELENTE dia.
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