11.5.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXVII

                                  foto do Google

De Angola continuam a chegar cartas da filha. Trazem quase sempre fotos dela com a afilhada, mas não falam em filhos. Nem ele nem a mulher compreendem que gostando tanto de crianças, eles não tenham tido filhos nos cinco anos que estão a fazer de casados. Mas isso não é o pior. O pior conta-lhe a filha, na carta que recebe no início de Abril. Diz que o marido está farto de guerras e que meteu os papeis para abandonar a marinha no fim da comissão. Diz que já tem promessa de emprego em Luanda, que ela também está muito feliz com o emprego no Colégio Marista, e que pensam fixar residência em Luanda. Se a ele lhe custa, ter a filha tão longe, a mulher não para de chorar. 
Por esses dias, morre Georges Pompidou e  Marcelo vai ao funeral.
No dia 4 desse mês de Abril, as Brigadas Revolucionárias fazem explodir  uma bomba a bordo do navio Cunene, que se preparava para partir para África.
Três dias depois, Otelo Saraiva de Carvalho, envia pelo   major Carlos de Morais, o programa do MFA para Spínola, e este reúne com Costa Gomes.
Na altura, Manuel, como a maior parte do povo, trabalhador e pouco instruído, não sonha sequer que se aproxima a revolução. Mas ela está a ser "cozinhada" há muito tempo,  e está quase pronta para ser servida a um país ávido de mudança.
Na Semana Santa, a população branca, manifesta-se em Nampula, contra os padres italianos que acusam de ser aliados da Frelimo, e contra o bispo D. Manuel Vieira Pinto que vai regressar à metrópole.
No dia 13 de Abril, sábado de Aleluia, Spínola recebe o novo programa do MFA, já com as alterações por ele sugeridos ao primeiro.
No dia seguinte, Domingo de Páscoa, Spínola reúne com Costa Gomes, mas este não se mostra favorável a um levantamento militar no continente.
Dias depois, um comunicado da DGS anuncia a prisão de 15  pessoas relacionadas com a preparação do 1º de Maio. Informam que foram encontrados na sede do jornal "Notícias da Amadora" panfletos revolucionários. 
Manuel faz 56 anos no dia 20 de Abril, e no dia do seu aniversário, chega carta da filha. E dá conta de que o marido acabara de meter o requerimento para sair da marinha. Diz que virão à metrópole no fim da comissão, para apadrinhar o casamento da irmã, e voltarão para Luanda.

16 comentários:

Daniela Silva disse...

Gostei imenso, tenho antepassados angolanos :)

Beijinho meu,
http://danielasilvablogof.blogspot.pt

LopesCa Blog disse...

Sempre a acompanhar a história :)

maria madeira disse...

Continuo de quando em vez a acompanhar a história. Leio tudo de seguida. Entretanto dei um salto ao seu outro blog das fotos, tentei comentar, mas a página envia-me não sei bem para onde. Não tenho perfil Google+, não faço a menor ideia se é esse o problema, nunca tal coisa me tinha acontecido, de qualquer forma gostei muito das fotos e de toda a explicação que a Elvira foi dando. Na parte das igrejas, admito que tenho uma verdadeira paixão por capelas, algumas são magníficas.

Tenha uma boa noite, Elvira.

Edumanes disse...

Onde terminou esse capitulo. Começa o meu comentário! Será que voltaram para Luanda ou ficaram em Lisboa? No dia 25 de Abril de 1974, quem me deu a notícia em Angola, de que tinha havido um golpe de estado em Lisboa. Disse agora é que isto vai ficar bom, porque acabam com a PIDE/DGS, tendo eu respondido, pode começar a arrumar as malas! Isso é que era bom, você está enganado. Em Setembro de 1975, em Nova Lisboa,onde, nos encontramos, pouco antes do embarque para Lisboa. Disse para mim, você tinha razão!

Boa noite e bons sonhos, amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Crónicas de um tempo
que eu ainda lembro

era um pouco antes desse
onde o aroma de Abril
já se sentia
ou pressentia

Elisa Bernardo disse...

Passei por aqui agora. Uma boa noite querida Elvira.
Gosto muito de si.
Beijinhos

Anete disse...

Acompanhando por aqui os últimos acontecimentos...
Vem um novo casamento por aí...

Uma boa 5a feira, Elvira... Beijos

Pedro Coimbra disse...

E chegarão mesmo a tempo da Revolução...

Isa Sá disse...

Acompanhando a história...tenha um ótimo dia!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Zé Povinho disse...

A História desses tempos ainda está por escrever, e pouco se conhece dos interesses americanos na África, dos planos para uma união no sul de África e dos equilíbrios estratégicos e políticos que interessavam às grandes potências, USA, URSSS e RPC. Portugal era então, e ainda é, um peão dos interesses dos "donos do mundo"...
Abraço do Zé

António Querido disse...

BOM DIA AMIGA ELVIRA!

Passei no sexta à quinta, para lhe desejar bom fim de semana já com sol!
Ao mesmo tempo aproveito para lhe dar uma sugestão, se gostava de atravessar a serra do Marão, pelo túnel, aproveite no dia 18 de junho e junte-se a nós no nosso convívio anual, em Vila Real, leve consigo o nosso filho da escola Carvalho, ele iria gostar.
Com o meu abraço

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Altura certa para fazer a viagem ao continente.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Odete Ferreira disse...

Além da história da família, sabe-me mesmo bem ter conhecimento destes pormenores históricos.
Bjo, Elvira :)

Bell disse...

Bom diaaa,

Um coração cheio de esperança vê tudo de outra forma.

bjokas =)

Berço do Mundo disse...

Amiga Elvira, conheço esse lugar em Luanda, junto à baía. Continua como na foto, mas com um rosa bonito. E perto daí fica a nova Assembleia da República, um edifício da mesma cor mas muito mais grandioso.
Muita gente sente esta sua história como sua, por tudo o que passaram naqueles anos.
Beijinho, um doce fim-de-semana
Ruthia d'O Berço do Mundo

esteban lob disse...

Sigo con interés, Elvira, la historia de esos tiempos de incertidumbre y esperanza para la historia de Portugal.