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25.4.23

POESIA ÁS TERÇAS - 25 DE ABRIL


LIBERDADE

Ontem
Olhavas e fingias que não vias.
Os órfãos e viúvas de guerras inglórias
O desespero dos emigrantes clandestinos
As terras abandonadas ao sabor da fome
A força-sacrifício dos ideais feitos homens
Encerrados e torturados nas prisões do meu país.

Acordaste numa manhã de Abril
E ficaste arrepiado…
Porque nas nossas mãos
O sangue era cravo rubro.
Nas nossas gargantas
O medo era um hino à Liberdade.
Os nossos braços,
Enlaçavam-se na esperança do momento.

Acordaste...
E como quem muda de camisa
Puseste-te ao nosso lado.
Era o tempo
De fingires ser democrata.
Os anos passaram
Com a liberdade por companheira
Entre avanços e recuos,
Fomos fazendo a nossa história
E tu
Como joio insidioso abafando o trigo
Ias minando a caminhada.
Encerrando escolas
Fechando fábricas
Cortando subsídios
Empurrando-nos para a emigração
Aprisionando os nossos sonhos
No desespero e desencanto
Fomentando a descrença
Entre o Povo

Agora largaste a máscara
E ameaças voltar.
Mas hoje
O povo conhece o sabor
Da Liberdade.
Distingue-lhe o sal das lágrimas,
O odor do sangue derramado
Daqueles que por ela
Deram a vida.
E não se deixa enganar!

Elvira Carvalho

25.4.21

25 DE ABRIL - DIA DA LIBERDADE





Abril

Havia uma lua de prata e sangue
em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento
que empurrava o nosso olhar
e um momento de água clara a escorrer
pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril
que descia aos tropeções
pelas ladeiras da cidade.

Abril
tingindo de perfume os hospitais
e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril
o mês imprescindível que trazia
um sonho de bagos de romã
e o ar
a saber a framboesas.

Abril
um mês de flores concretas
colocadas na espoleta do desejo
flores pesadas de seiva e cânticos azuis
um mês de flores
um mês.

Havia barcos a voltar
de parte nenhuma
em Abril
e homens que escavavam a terra
em busca da vertical.

Ardiam as palavras
Nesse mês
e foram vistos
dicionários a voar
e mulheres que se despiam abraçando
a pele das oliveiras.

Era Abril que veio e que partiu.

Abril
a deixar sementes prateadas
germinando longamente
no olhar dos meninos por haver.


José Fanha, Lisboa, Portugal
(Do livro  "Tempo azul")

25.4.20

25 DE ABRIL - GRÂNDOLA , VILA MORENA




Sem nenhum poema novo sobre esta data memorável, e sem me querer repetir, aqui vos deixo a melodia, que ficou para sempre como o hino da revolução. A senha que pôs os militares na rua, na madrugada do dia 25, depois de na véspera às 22,55 outra senha, outra melodia, "E depois do Adeus" na voz do Paulo de Carvalho, confirmar que a revolução ia avançar.

25.4.18

25 DE ABRIL- DIA DA LIBERDADE


Porque eu vivi 27 anos no 24 de Abril, e ainda me recordo do que era a vida nessa época, junto a minha às vozes que gritam 25 de Abril, SEMPRE. E deixo-vos com o poema mais significativo sobre o 25 de Abril


Bom feriado

25.4.17

DIA DA LIBERDADE - 25 DE ABRIL - SEMPRE







LIBERDADE


Ontem
Olhavas e fingias que não vias.
Os órfãos e viúvas de guerras inglórias
O desespero dos emigrantes clandestinos
As terras abandonadas pelo terror da fome
A força sacrifício dos ideais feitos homens
Encerrados e torturados nas prisões do meu país

Acordaste numa manhã de Abril
Espantado
Porque nas nossas mãos
A revolta era cravo rubro
Nas nossas gargantas
O medo era um hino à Liberdade
Nos nossos braços enlaçados
A força da esperança no futuro.
Acordaste...
E como quem muda de camisa
Puseste-te ao nosso lado.

Era o tempo
de fingires ser democrata...

Com a Liberdade por companheira
Entre avanços e recuos
Fomos fazendo a nossa história
Mas como joio insidioso, 
Abafando o trigo
Ias minando a caminhada
Encerrando escolas, 
Fechando fábricas.
Cortando subsídios
Aumentando o desemprego
Empurrando-nos para a emigração
Aprisionando os nossos sonhos, 
No desespero e desencanto.
Fomentavas a descrença
Para desunir o Povo


Podes continuar a tentar.
Tal como a noite tenta todos os dias
apagar o esplendor do sol
Porque hoje
O povo tem mais
Do que o sonho e a esperança
Conhece o sabor da Liberdade
Reconhece o sabor a sal
Das lágrimas
O odor do sangue derramado
Daqueles que por ela, deram a vida.

E não se deixa enganar!

elvira carvalho


E agora deixo aqui o poeminha feito pela minha neta de 8 anos pelo mesmo tema, trabalho feito para a escola.

Portugal, o 25 de Abril, a Liberdade

Portugal é um país
À beira do oceano
Onde o céu é mais azul
E o sol mais brilhante.
As pessoas são alegres
Porque são livres.
Mas nem sempre foi assim.

No século passado
O povo vivia
Em permanente tristeza
Gente sem pão
Sem paz
Sem liberdade.
Os homens
Partiam para a guerra
Ou emigravam
As mulheres esperavam-nos
Saudosas
Ou choravam-lhes a morte.
E as crianças cresciam
Sem pai.
E muitos acabavam presos
Pois não tinham liberdade
Para protestar
Da vida que tinham.

Até que numa madrugada
De Abril
Os militares cansados
Da guerra
Fizeram a revolução
Derrubaram o governo
Acabaram com a guerra
Abriram as prisões
Fizeram novas leis
E o povo soube enfim
O que era a liberdade.



Mariana Carvalho  


Bom Feriado

12.5.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXVIII

                             Foto de Alfredo Cunha

Ele nem se atreve a ler à mulher a última parte da carta, e pede ao filhos que nada lhe digam por enquanto.
Nesse mesmo dia, Tomás e Caetano almoçam em Belém com os presidentes da Assembleia Nacional, do Supremo Tribunal de Justiça, e outras individualidades do regime.
Três dias depois, realiza-se o último Conselho de Ministros de Caetano. Enquanto isso no regimento de engenharia da Pontinha,  Otelo, Jaime Neves e Garcia dos Santos, ultimam os preparativos, para a instalação do posto de comando do golpe de estado.
No dia 24 às 22 horas, Tomás inicia aquela que seria a sua última visita oficial à Feira das Indústrias. À mesma hora, Otelo chegava ao regimento de Engenharia 1 na Pontinha, e verifica os últimos pormenores. Faltavam 5 minutos para as 23 horas, quando os Emissores Associados de Lisboa transmitem a senha para o desencadear do golpe. E depois do adeus, de Paulo de Carvalho.
O relógio despertou um pouco antes das seis e meia, como todos os dias em casa do Manuel. A mulher saltou da cama e dirigiu-se à cozinha para acender o esquentador. foi à casa de banho e procedeu à sua higiene, saindo de seguida para dar lugar à filha que entrou acompanhada do seu pequeno transistor, que ligava mal se levantava. Enquanto a filha tomava o seu banho, Gravelina começou a preparar os pequenos almoços, o marido e o filho não tardariam a levantar-se. Quando a filha já despachada entrou na cozinha , estava a dar no rádio o sinal horário das sete. E em vez das notícias, ouviu-se apenas um comunicado, pedindo à população para se manter em casa e aguardar serenamente novas notícias.  A filha comentou com a mãe, que alguma coisa se passaria em Lisboa, já que desde que se levantara apenas ouvia música revolucionária e marchas militares. E depois daquele comunicado, ela não iria trabalhar nesse dia.
Pouco depois, a família reunida à mesa, todos especulavam sobre o que se estaria a passar.
Eles não sabiam que durante a noite, os militares saíram para a rua, e que aquela hora decorria um golpe de estado que visava derrubar o governo




Nota  
Há 8 dias que estou com grandes dificuldades  no Sexta. Umas vezes não consigo entrar nos vossos blogues,  Outras consigo entrar e não consigo comentar, chego a levar 2 minutos à espera de abrir uma página. Neste momento estou com dificuldades até para aceder às mensagens que pretendo publicar. Não sei que se passa. Peço a vossa compreensão, visitar-vos-ei e comentarei sempre que possível. 

25.4.16

25 DE ABRIL 42 ANOS DEPOIS...


Recém chegada do Parque da Cidade, onde assisti à inauguração deste painel de Azulejos, feito pelas crianças da pré e do 1º Ciclo e ao espectáculo do Jorge Palma, que marcaram o início das comemorações do aniversário do 25 de Abril.
Há 42 anos atrás, o 25 de Abril e a revolução dos cravos entrou na minha vida quando eu era uma jovem cheia de sonhos. Em África onde me encontrava a acompanhar o marido que era militar, eu sonhava com a Liberdade, com o fim da guerra, e sobretudo com uma vida melhor e mais igualitária para todos os portugueses. Nasci numa família muito pobre, numa barraca sem água e sem luz, não pude estudar, aos 11 anos fui trabalhar. Fazia recados, tocava o gado na nora da quinta do ti Pereira,  e carregava com a ti "Jaquina" a mulher do caseiro,  padiolas de estrume que chegavam em fragatas para adubar as terras. Mais tarde aos 14 anos fui trabalhar para a Seca do bacalhau. Como quase toda a gente que vive assim, o meu maior sonho na altura era viver numa casa de pedra, com água e luz. Quando casei concretizei enfim esse sonho, e vivi outros que nunca me atrevera a ter. Quando aconteceu o 25 de Abril pensei que a vida dos portugueses ia enfim tomar um novo rumo. Com a Liberdade, não íamos mais olhar o nosso vizinho com desconfiança cada vez que desabafávamos sobre as dificuldades da vida, já que até aí muitos iam presos um ou dois dias depois de certos desabafos. Pensei também que com o fim das guerras coloniais, a vida dos jovens portugueses ia melhorar muito. Iam deixar de ser obrigados a partir para a guerra, donde voltavam, os que voltavam, física e mentalmente estropiados.  Íamos enfim ter um País mais justo, mais igualitário. Íamos dar aos nossos pais uma velhice digna e aos nossos filhos um futuro melhor do que o nosso. Passaram 42 anos, e os nossos filhos são obrigados a procurar em terras estranhas, o futuro que o país lhes nega. Ou então amordaçam os sonhos e a esperança e limitam-se a sobreviver. Os mais velhos que trabalharam duramente toda a sua vida, vivem no permanente dilema de escolher entre comer, ou pagar a medicação quase sempre necessária à medida que os anos aumentam, e a saúde escasseia. Porque as reformas de miséria que grande parte dos idosos recebe não chega aos 300 € mensais. Somos um País cada vez mais idoso, e as esperanças do 25 de Abril nos darem uma vida mais digna já se esfumaram há muito. Resta-nos a Liberdade, sem dúvida a maior conquista de Abril. E a vida sem Liberdade não faz sentido é verdade. Mas ...E a Liberdade sem pão, faz?
 Perguntem aos idosos que trabalharam uma vida inteira e que morrem à mingua na solidão das suas casas, ou abandonados em lares, sem condições. Perguntem aos desempregados que não têm pão para os filhos famintos. A Liberdade é sim um bem muito importante, mas só por si não alimenta um povo. E já agora outra pergunta: Existe Liberdade sem independência? E nós somos independentes? Ou vivemos subjugados ao FMI? E à União Europeia? E à Alemanha? E aos mercados que nos vão apertando o garrote à volta do pescoço?
Temos é certo a liberdade de expressão. É muito bom. Só quem viveu o 24 de Abril sabe o seu real valor. Mas é muito pouco para quem tanto sonhou, e principalmente para aqueles que tanto lutaram, alguns sacrificando até a sua vida para que o 25 de Abril fosse uma realidade.

E o vermelho da festa 
vai ficando descorado
Ausentes do país
os jovens emigrados
Ausentes dos velhos
os sonhos adiados


 É o que eu penso. E se não estiverem de acordo relevem. Eu de 
politica nem percebo nada.


24.4.13

25 DE ABRIL 1974 VERSOS 25 DE ABRIL 2013




 VENHO CONTAR-TE ESTRANGEIRO


Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal
Aos teus olhos tão estranhos vou mostrar-te
as aldeias esquecidas de Trás-os-Montes
onde os campos raquíticos não dão pão
Terras, só terras, sem água, sem luz
sem escolas
sem homens
que já se cansaram da fome
herdada
desde longínquas gerações.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Aos teus olhos velados da cegueira
das campanhas turísticas.
Aos teus olhos que erram pelas praias
banhadas de sol.
Venho contar-te estrangeiro
As horas de incerteza e de angústia
vividas pelo meu povo
que pela fome, o mar tornou seu escravo.
E...venho contar-te mais
desta terra onde nasci...
Onde os homens nascem
vivem
e morrem
sem consciência de terem vivido.
Terra de homens-escravos
do tempo
das máquinas
do dinheiro
da própria Vida.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Deste país que já não é  só de poetas
porque um dia
um punhado de homens acordou
quebrou as amarras do medo e lutou.
Era Primavera e os cravos floriram.
Na terra dos homens-escravos,
a Revolução nasceu.
               
Hoje festejamos a data!  

E por isso hoje  
Venho falar-te estrangeiro
no desalento  que mata a esperança
no desemprego enraízado no meu país
onde o povo envelhece desiludido
olhando as pétalas secas dos cravos.

Hoje venho contar-te estrangeiro
Que há velhos abandonados
Em aldeias esquecidas
entregues à solidão
e às  “aves de rapina”.
E acaso sabes que há crianças
que vão para a escola mastigando a fome?
E  que pela fome e pelo desemprego
os homens do meu País
voltaram a ser homens-escravos
e a encontrar na emigração
A fuga para a sobrevivência.

Por isso hoje,
venho falar-te estrangeiro
da revolta
Que me rasga o peito  
E me obriga a gritar.

EU QUERO UM PORTUGAL MELHOR
PARA TODOS OS PORTUGUESES.

 Elvira Carvalho


ESTE POEMA (SE ISTO É UM POEMA) É ASSIM UMA ESPÉCIE DE 2 EM 1. A PRIMEIRA PARTE FOI ESCRITA POUCO DEPOIS DO 25 DE ABRIL DE 74, E PUBLICADO A PRIMEIRA VEZ NUMA REVISTA EM 76. A SEGUNDA FOI ESCRITA AGORA. PORQUE ME APETECIA ESCREVER ALGO RELATIVO AO MOMENTO, MAS POR OUTRO LADO TIVE PENA DE DESTRUIR O QUE ANTES TINHA ESCRITO. POR ISSO FICOU ASSIM.


BOM FERIADO 

24.4.12

25 DE ABRIL - DIA DA LIBERDADE



Há 38 anos, eu era uma jovem cheia de sonhos e o 25 de Abril foi uma porta aberta para a sua realização. Desde então e durante muito tempo festejei a data com alegria. Porém a porta foi-se cerrando, primeiro tão lentamente que quase não nos apercebemos, depois mais rapidamente e de forma galopante nos últimos anos. Para trás ficaram a maioria dos sonhos que não consegui segurar no embate com a realidade. Hoje desiludida, já nem me apetece festejar Abril. O que é que nos ficou desses tempos? Temos (?) a Liberdade. E só por si chega? Perguntem aos jovens que se vêem sem futuro e sem emprego. Perguntem aos idosos que trabalharam uma vida inteira e que morrem à mingua na solidão das suas casas. Perguntem aos desempregados que não têm pão para os filhos famintos. A Liberdade é sim muito importante, mas só por si não alimenta um povo. E já agora uma pergunta: Existe Liberdade sem independência? E nós somos independentes? Ou vivemos subjugados ao FMI? E à Alemanha? E à França?  Por tudo isto não me apetece festejar Abril. E se não estiverem de acordo relevem. Eu de politica não percebo nada.

Deixo-vos  com um poema meu




 COM AS MINHAS PALAVRAS.

Com as minhas palavras invento o Sonho
terá alma o Sonho?
Saberá dos milhares de crianças chorando
a fome
revoltados
pelo vento que arranca impiedoso
os frutos ainda verdes?

Com as minhas palavras invento a Vida

terá alma a Vida?
Saberá do silêncio dos que nascem
vivem
e morrem
no desespero da solidão?

Com as minhas palavras invento a Liberdade

terá alma a liberdade?
Saberá dos milhares de homens vivendo
dia após dia
hora após hora
a esmagar a raiva que martelam na memória?

Com as minhas palavras invento a Esperança
Terá alma a Esperança?
Saberá dos milhares de idosos
Mortos-vivos
Agonizando no mar do esquecimento
Neste País que só é para alguns?
  
 Com as minhas palavras invento o Amor
Terá alma o amor?
Saberá da indiferença dos que dormem
lado a lado
frustrados
na rotina agonizante do dia-a-dia?

Elvira Carvalho


Poema escrito  pouco antes do 25 de Abril e publicado a primeira vez numa revista em 1976.