De Angola continuam a chegar cartas da filha. Trazem quase sempre fotos dela com a afilhada, mas não falam em filhos. Nem ele nem a mulher compreendem que gostando tanto de crianças, eles não tenham tido filhos nos cinco anos que estão a fazer de casados. Mas isso não é o pior. O pior conta-lhe a filha, na carta que recebe no início de Abril. Diz que o marido está farto de guerras e que meteu os papeis para abandonar a marinha no fim da comissão. Diz que já tem promessa de emprego em Luanda, que ela também está muito feliz com o emprego no Colégio Marista, e que pensam fixar residência em Luanda. Se a ele lhe custa, ter a filha tão longe, a mulher não para de chorar.
Por esses dias, morre Georges Pompidou e Marcelo vai ao funeral.
No dia 4 desse mês de Abril, as Brigadas Revolucionárias fazem explodir uma bomba a bordo do navio Cunene, que se preparava para partir para África.
Três dias depois, Otelo Saraiva de Carvalho, envia pelo major Carlos de Morais, o programa do MFA para Spínola, e este reúne com Costa Gomes.
Na altura, Manuel, como a maior parte do povo, trabalhador e pouco instruído, não sonha sequer que se aproxima a revolução. Mas ela está a ser "cozinhada" há muito tempo, e está quase pronta para ser servida a um país ávido de mudança.
Na Semana Santa, a população branca, manifesta-se em Nampula, contra os padres italianos que acusam de ser aliados da Frelimo, e contra o bispo D. Manuel Vieira Pinto que vai regressar à metrópole.
No dia 13 de Abril, sábado de Aleluia, Spínola recebe o novo programa do MFA, já com as alterações por ele sugeridos ao primeiro.
No dia seguinte, Domingo de Páscoa, Spínola reúne com Costa Gomes, mas este não se mostra favorável a um levantamento militar no continente.
Dias depois, um comunicado da DGS anuncia a prisão de 15 pessoas relacionadas com a preparação do 1º de Maio. Informam que foram encontrados na sede do jornal "Notícias da Amadora" panfletos revolucionários.
Manuel faz 56 anos no dia 20 de Abril, e no dia do seu aniversário, chega carta da filha. E dá conta de que o marido acabara de meter o requerimento para sair da marinha. Diz que virão à metrópole no fim da comissão, para apadrinhar o casamento da irmã, e voltarão para Luanda.
No dia 4 desse mês de Abril, as Brigadas Revolucionárias fazem explodir uma bomba a bordo do navio Cunene, que se preparava para partir para África.
Três dias depois, Otelo Saraiva de Carvalho, envia pelo major Carlos de Morais, o programa do MFA para Spínola, e este reúne com Costa Gomes.
Na altura, Manuel, como a maior parte do povo, trabalhador e pouco instruído, não sonha sequer que se aproxima a revolução. Mas ela está a ser "cozinhada" há muito tempo, e está quase pronta para ser servida a um país ávido de mudança.
Na Semana Santa, a população branca, manifesta-se em Nampula, contra os padres italianos que acusam de ser aliados da Frelimo, e contra o bispo D. Manuel Vieira Pinto que vai regressar à metrópole.
No dia 13 de Abril, sábado de Aleluia, Spínola recebe o novo programa do MFA, já com as alterações por ele sugeridos ao primeiro.
No dia seguinte, Domingo de Páscoa, Spínola reúne com Costa Gomes, mas este não se mostra favorável a um levantamento militar no continente.
Dias depois, um comunicado da DGS anuncia a prisão de 15 pessoas relacionadas com a preparação do 1º de Maio. Informam que foram encontrados na sede do jornal "Notícias da Amadora" panfletos revolucionários.
Manuel faz 56 anos no dia 20 de Abril, e no dia do seu aniversário, chega carta da filha. E dá conta de que o marido acabara de meter o requerimento para sair da marinha. Diz que virão à metrópole no fim da comissão, para apadrinhar o casamento da irmã, e voltarão para Luanda.
