4.5.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXIII

              Cidade da Beira - Moçambique colonial

O novo ano começa com o regresso do filho do Manuel ao trabalho na CP, acabado que foi o tempo de tropa, integralmente cumprido no Ministério da Marinha.  Acabou-se para eles o medo de que a qualquer momento, o filho fosse mobilizado para a guerra no Ultramar, numa altura em que as coisas por lá pareciam estar cada vez pior, a julgar pelos recentes incidentes na Beira, em Moçambique, e pela retoma pela UNITA da luta armada no leste de Angola.
De Luanda, chegam notícias da filha. Diz que já está recuperada, que regressou ao trabalho, que cada dia gosta mais da cidade, e que não fora o marido ser militar, fixariam lá residência. 
"É doida -exclamou a mulher. Onde já se viu querer ficar a viver no fim do mundo. Ainda por cima numa terra em guerra"
-A guerra não chega à cidade, mulher.
-Ainda... resmungou a Gravelina
Enquanto isso o trabalho na seca prosseguia, com outra novidade. O transporte dos fardos de bacalhau seco, ia deixar de ser feito em fragata, pelo rio.  Passaria a ser feito por camioneta. Diga-se em abono da verdade que enquanto eram precisas 30 mulheres com um carrinho de mão para carregarem uma fragata em meio dia, já que tinham de ir com ele até à cabeça da ponte, e voltar, uma camioneta carregava-se em menos de uma hora, e eram precisas apenas duas pessoas na camioneta para arrumarem os fardos, pois a camioneta estacionava por baixo, do local onde os fardos estavam prontos para o embarque, no primeiro andar do edifício como já expliquei noutro capítulo.  Punha-se a tal tábua de escorrega, directamente na camioneta e era só deixar cair os sacos.  Mais rápido e sobretudo muito mais económico.
Entretanto Spínola é nomeado Vice-Chefe EMGFA, e poucos dias depois, reúne-se com Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço.
Oficialmente, discutem-se os recentes acontecimentos na Beira. Mas seria só isso? Faltavam exactamente noventa e quatro dias para o 25 de Abril.


Gente estive três dias fora. Por via disso, não houve visitas. Espero retomá-las hoje mesmo.
Amanhã já vos mostrarei algumas fotos das minhas andanças.

18 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continua bem interessante a história do Manel da Lenha.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

✿ chica disse...

E por aqui, te acompanhando novamente e mais, gostando sempre! bjs, chica

Mariangela do lago vieira disse...

Estou também meio atrasada, mas aos pouco colocaremos em ordem!
Vou acompanhando e gostando muito.
Abraços, um bom dia!
Mariangela

António Querido disse...

Também estive algum tempo na Beira à espera do nosso transporte marítimo, para regressar a Lourenço Marques, (Maputo), deu para ver ao vivo a nossa querida Amália e o Toni de Matos! Tempo de guerra, mas bons momentos para mim.

O meu abraço

Elisa Bernardo disse...

Das coisas boas de ter "voltado" é poder visitar blogs como o seu Elvira! Um cantinho diferente e que aprecio imenso! A minha vida não se resume a batons e máscaras de pestanas ehehe:) Adoro o seu blog!
Beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.pt

Silenciosamente ouvindo... disse...

Continuando a acompanhar e a rever momentos de que me
lembro muito bem.
Bjs.
Irene Alves

Edumanes disse...

Mais rápido e mais económico. Com prejuízo para quem precisava de ganhar o pão de cada dia! As máquinas aliviam o esforço do homem, mas em contrapartida, mandam-no para o desemprego!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Certeiro, o comentário do Edumanes
...era isso o que eu ia pensando, enquanto lia

Tintinaine disse...

Mas é assim o progresso que ninguém pode parar. Vamos de máquina em máquina até à robotização total. Os empregos são mais leves agora, vamos ver se chegarão para todos.

Lu Nogfer disse...

Mais um episódio muito interessante. Você como sempre uma grande escritora contista. Parabéns amiga.
Um abraço.

Odete Ferreira disse...

E daqui não saio!!!
Agora, ainda com mais curiosidade!
BJO, amiga :)

Pedro Coimbra disse...

Começavam a delinear-se os planos para tomar o poder

Rui Espírito Santo disse...

Tempos terríveis esses (nos 13 anos anteriores ao 25 de Abril) para os militares de então, nos quais eu me incluía ! :(
Aquele sofrimento da expectativa, ... Vão-me mandar para lá,...não vão, ... )
Felizmente que entre 62 e 65 não fui "enviado" , mas tive que esperar que os meus camaradas (do meu curso) regressassem ! :(( ... 40 meses de "tempo de vida perdidos !!!

Abraço, Elvira !

Crocheteando...momentos! disse...

...uma bela história de vida Elvira...com momentos bem marcantes! Bj

Crocheteando...momentos! disse...

...uma bela história de vida Elvira...com momentos bem marcantes! Bj

esteban lob disse...

Sigo trasladándome contigo Elvira, por los caminos de la historia y del pasado, apareciendo la mítica Mozambique como atrayente lugar común.

Abrazo austral.

Evanir disse...

Estou passando para deixar
um carinho e matar as saudades.
Desejar um feliz dia das mães,
Um Domingo abençoado.
Se for do seu gosto deixei mimos
na postagem.
Beijos.
Evanir..

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Acompanhando, mas chego lá
Você e excelente contista.
Beijos
Minicontista2