Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta soluços. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta soluços. Mostrar todas as mensagens

10.5.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XLVIII



A tensão acumulada durante aquelas duas semanas, a conversa com o pai e o irmão, a solidão dos seus quase trinta anos, tudo isso tinha fragilizado a jovem e a tinha feito chorar. Talvez fosse o seu relógio biológico que estivesse a dar sinais de envelhecimento. Ela não sabia. O que sabia é que sentia um aperto no peito e uma enorme vontade de chorar.
Ele não disse mais nada. Limitou-se a mantê-la apertada ao peito e aguardar que ela exteriorizasse toda a dor que a acompanhara durante tantos anos. Gradualmente os soluços foram diminuindo e finalmente cessaram. Por fim ela levantou o rosto para ele e murmurou.
-Desculpa, não sei o que me deu. Deves estar a pensar que sou doida.
Tentou levantar-se, mas ele segurou-a com firmeza.
- Não tenhas medo, nem vergonha dos teus sentimentos. Não pudemos viver uma vida inteira, carregando sentimentos que nos vão destruindo aos poucos, sejam eles desejos de vingança, frustração, ou carência afetiva. Descobri isso há pouco tempo.  
-Pensei que estavas zangado comigo. Não permitiste que me aproximasse de ti, nem sequer para me despedir, - queixou-se.
-E isso incomodou-te? Queres dizer que eu te importo um pouquinho?- perguntou ansioso.
Escondendo de novo o rosto no peito masculino ela confessou com uma única palavra.
-Sim
Ele levantou-lhe o queixo, e durante uns segundos procurou ler nos  olhos dela, a verdade daquela declaração. Depois a sua boca procurou a dela que se abriu para ele como o botão de rosa se abre para o raio de sol que a acaricia. O desejo tomou conta deles e o beijo inocente e tímido, tornou-se gradualmente mais intenso, exigente e possessivo, depois a sua boca percorreu-lhe o pescoço, a língua acariciando o lóbulo da orelha, as mãos infiltrando-se debaixo do top e recriando-se com o toque suave do corpo feminino, em carícias que a enlouqueciam, e a faziam soltar suaves gemidos de prazer.
 Trémula de paixão, Paula devolvia as carícias, as mãos acariciando-lhe a nuca, para descerem depois e se entregarem à tarefa de lhe desabotoar os botões da camisa, na ânsia de sentir sob as suas mãos, o calor do torso masculino. De súbito porém, ele parou e afastando-a um pouco disse com a voz enrouquecida pela paixão:
- Querida, estou louco de amor. Quero tanto fazer amor contigo, que me sinto enlouquecer de desejo. Porém se tu não o desejas, se queres parar, tem que ser agora. Mais um pouco e não vou ser capaz de me controlar.
Como resposta, ela levantou-se, pegou-lhe na mão e disse simplesmente:
-Vem
E de mão dada, guiou-o até ao seu quarto.  


O último capitulo sairá hoje ao meio-dia.

27.11.18

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE XV




Em menos tempo do que se leva a escrevê-lo, Simão estava atrás dela, abraçando-a com firmeza. Intensificou-se o choro feminino, o frágil corpo sacudido pelos soluços.
Não chores Ana. Não suporto ver-te chorar, - murmurou atormentado.
Ela voltou-se. Continuava presa nos firmes braços dele. Ergueu o seu rosto choroso, e fitou-o. Ele não desviou o olhar. Durante alguns segundos, que aos dois pareceu uma eternidade, permaneceram assim, olho no olho, deixando que a alma aflorasse ao olhar e desvendasse  todos os seus segredos.
Com suavidade ela afastou-se. Voltou-lhe as costas murmurando.
-Não pode ser. É uma loucura.
- Eu sei, - respondeu ele, a voz rouca pela emoção. Percebes agora porque fui viver para Paris? Porque evito aproximar-me de ti?
Voltou-se. Olhou-o tentando mostrar uma serenidade que não sentia.
- Nunca me passaria pela cabeça. Não pode ser. Estás a confundir tudo e a deixar-me confusa. Somos irmãos. Os melhores irmãos do mundo, lembras-te? Tens que esquecer isso que pensas sentir. Temos que esquecer. Temos que esquecer,- repetiu
- Se repeti-lo vezes sem conta, servisse de alguma coisa, já o tinha esquecido há muito tempo, - disse ele com amargura.
Sentia-se indigno dela, dos pais, dos irmãos. Traíra a confiança de todos albergando aquele sentimento. Não lhe servia de consolo, saber que não estava a cometer um pecado, aquele sentimento não era incestuoso, eles não eram irmãos de verdade. Porque na verdade, não importava que o não fossem, se era assim que ela e toda a família o sentiam.
- Dadas as circunstâncias, peço-te que me perdoes a minha insistência. Desejo, que consigas esquecer, e perdoar-me. Não irei logo ao aeroporto. Despeço-me aqui.
Aproximou-se dele como fazia antigamente. Com a mesma confiança, de outrora, ofereceu-lhe o rosto para um breve beijo de despedida.
Como podia fazê-lo, com um homem que estava doido de amor por ela? Como podia ser tão ingénua para não pensar que ele seria incapaz de resistir, a provar as delícias da sua boca, agora que ela tinha descoberto o seu segredo?
Subitamente envolveu-a nos braços, e a sua boca aprisionou a  dela, num beijo intenso, onde deixava expresso todo o amor que lhe atormentava a alma.
Inicialmente recebeu-o surpresa, depois indignou-se.
Empurrou-o com força.
- Como pudeste fazer isto? É infame. Nunca te perdoarei.
E saiu a correr, fechando a porta atrás de si.