Mal Helena pôs o carro a rodar, Fernando perguntou ansioso.
-Era o inspetor, não era?
- Sim. Já viu a notícia. Quer que vás lá com urgência, tirar as impressões digitais, para confirmar no arquivo centrar se correspondem às do pianista. Só depois disso avançam com a investigação, pois dizem que há pessoas muito parecidas, e tu não podes confirmar nada devido à amnésia. Vamos lá, logo a seguir ao almoço. Já telefonei à Marta, pedindo-lhe para ficar com o Diogo, enquanto vamos à esquadra. A Marta é minha empregada, desde que vim para Lisboa. Ainda não a viste , porque está de férias, mas prontificou-se a ficar com ele. É uma boa mulher e adora o Diogo.
Falava baixo de modo a que o menino não os ouvisse.
- Não tiveste mais nenhum sonho?
- Não. Cada dia que passa estou mais desesperado. Será que sou realmente o tal pianista? E se for? Mudará essa certeza alguma coisa na minha cabeça?
- Não fiques assim, - disse atenta à estrada. Às vezes, basta relaxar um pouco para que as coisas comecem a surgir.
Ergueu a voz e falou para o filho.
- Diogo a mamã está quase a entrar na autoestrada. Tens vontade de fazer xixi?
-Não mamã.
- Vê lá, filho, depois são muitos quilómetros sem poder parar.
-Já disse que não, mamã.
Pouco depois entravam na A1 em direção a Lisboa, e três horas depois estavam em casa, depois de uma breve paragem em Aveiras.
A empregada já os esperava. Mais, tinha feito uma sopa de creme de abóbora, e um Bacalhau à Lagareiro, para o almoço. “Para desenjoarem do cabrito assado”- disse a sorrir. Comprara também alguma fruta para a sobremesa.
Marta era uma cinquentona, cuja simpatia parecia ser proporcional ao seu avantajado corpo. Adorava a patroa e o seu menino, de quem cuidava, como se de um neto se tratasse.
Foi igualmente simpática com o desconhecido, não demonstrando qualquer curiosidade a seu respeito. De resto, era evidente o carinho do “seu” menino pelo desconhecido, e isso era suficiente para ela.
Depois do almoço, Marta foi deitar o menino, e eles seguiram para a esquadra.




