Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta notícia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta notícia. Mostrar todas as mensagens

20.9.21

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXI

 






 Mal Helena pôs o carro a rodar, Fernando perguntou ansioso.
-Era o inspetor, não era?
- Sim. Já viu a notícia. Quer que vás lá com urgência, tirar as impressões digitais, para confirmar no arquivo centrar se correspondem às do pianista. Só depois disso avançam com a investigação, pois dizem que há pessoas muito parecidas, e tu não podes confirmar nada devido à amnésia. Vamos lá, logo a seguir ao almoço. Já telefonei à Marta, pedindo-lhe para ficar com o Diogo, enquanto vamos à esquadra. A Marta é minha empregada, desde que vim para Lisboa. Ainda não a viste , porque está de férias, mas prontificou-se a ficar com ele. É uma boa mulher e adora o Diogo.

Falava baixo de modo a que o menino não os ouvisse.

- Não tiveste mais nenhum sonho?
- Não. Cada dia que passa estou mais desesperado. Será que sou realmente o tal pianista? E se for? Mudará essa certeza alguma coisa na minha cabeça?
- Não fiques assim, - disse atenta à estrada. Às vezes, basta relaxar um pouco para que as coisas comecem a surgir.

Ergueu a voz e falou para o filho.
- Diogo a mamã está quase a entrar na autoestrada. Tens vontade de fazer xixi?
-Não mamã.
- Vê lá, filho, depois são muitos quilómetros sem poder parar.
-Já disse que não, mamã.

Pouco depois entravam na A1 em direção a Lisboa, e três horas depois estavam em casa, depois de uma breve paragem em Aveiras.
A empregada já os esperava. Mais, tinha feito uma sopa de creme de abóbora, e um Bacalhau à Lagareiro, para o almoço. “Para desenjoarem do cabrito assado”- disse a sorrir. Comprara também alguma fruta para a sobremesa.

Marta era uma cinquentona, cuja simpatia parecia ser proporcional ao seu avantajado corpo. Adorava a patroa e o seu menino, de quem cuidava, como se de um neto se tratasse. 
Foi igualmente simpática com o desconhecido, não demonstrando qualquer curiosidade a seu respeito. De resto, era evidente o carinho do “seu” menino pelo desconhecido, e isso era suficiente para ela.
Depois do almoço, Marta foi deitar o menino, e eles seguiram para a esquadra.


13.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE V



Na manhã seguinte, acordou já o sol ia alto no horizonte. Depois do duche, Teresa fez o primeiro teste e o resultado foi positivo. 
Não saltou de alegria, nem correu a telefonar a Inês a dar a notícia. Ficou quieta sentindo o coração bater apressado no peito e um nó na garganta.
Depois de uns minutos, tentando acalmar-se, repetiu o teste e ao ver o resultado, caiu sobre a cama e chorou de alegria. Mais calma, lavou o rosto com água fria, vestiu-se e entrou no quarto que fora da avó, ajoelhou junto do velho oratório e agradeceu à Virgem. Só depois, telefonou a Inês, a sua irmã do coração para lhe dar a notícia.
Inicialmente a amiga, tentara demovê-la daquela ideia. Ela não compreendia porque uma mulher jovem e bonita, não se interessara por nenhum dos homens, que ela e o marido, lhe tinham apresentado. Um dia, com a franqueza que lhe era habitual, perguntara-lhe se  ela  se sentia atraída por mulheres. Teresa rira-se. “Nem por mulheres, nem por homens” respondera-lhe. 
E era verdade. Sentia-se bem sozinha, nunca sentira o desejo de partilhar a sua vida com outro adulto, mas queria muito ser mãe, e tencionava sê-lo em breve pois estava prestes a fazer trinta anos e não queria correr riscos desnecessários por causa da idade.
“E que pensas fazer? Adotar uma criança?” – perguntara Inês?
“Não. Quero ter um filho meu. quero sentir todas as emoções de uma gravidez e parto. Quero sentir a alegria de saber que o meu corpo não é estéril, que um pequeno ser se está desenvolvendo dentro dele. E amá-lo muito antes de poder tê-lo nos meus braços.
- E como pensas engravidar, se não queres saber dos homens? - perguntou Inês
-Recorri a um banco de esperma e estou a cumprir tudo o que me exigiram para a Inseminação”
“Mas isso é uma loucura”, - dissera a amiga
-Loucura ou não, estou decidida e o processo já está em marcha. E não tentes demover-me, porque não te darei ouvidos.
Inês não tentou demovê-la, mas os seus pais, sim. Todavia os seus argumentos esbateram-se contra a firme decisão dela e eles acabaram por aceitar.
- Estou muito feliz por ti, – dizia-lhe Inês ao telefone. Voltas hoje?
- Volto. Sabes que não gosto de me afastar muito tempo da pastelaria.  Apesar de saber que o teu pai cuida dela como se fosse sua, não gosto de abusar da sua confiança, nem das suas forças, começa de madrugada e fica o dia todo quando não estou. Porque queres saber?
-Podias vir cá jantar. Para comemorar.
- Não! Nada de comemorações.  Vou contar ao teu pai, mas vou pedir-lhe que não faça nenhum comentário. Não quero que além de vós, alguém mais saiba antes de terminar o primeiro trimestre.
-Ok. Mas posso contar ao Gustavo?
-Como se eu não soubesse que não tens segredos para ele. Bom, vou-me despachar que quero ir cedo. Telefono-te quando chegar. Até logo.
- Boa viagem. Tem cuidado contigo.
Teresa, preparou o pequeno almoço, comeu, e depois dedicou-se a arrumar a casa, pois pensava que tão cedo não voltaria à aldeia. Talvez depois do bebé nascer ou pelo batizado. Gostaria de batizar o filho na pequena igreja onde ela o fora. Embora tivesse a certeza que o facto de ir ser mãe solteira, ia originar um falatório que duraria meses.
Pelas onze e meia, fechou a porta, entregou uma chave à vizinha, com o mesmo pedido de sempre, entrou no carro e fez-se à estrada. Almoçaria pelo caminho.

                          

7.5.20

À MÉDIA LUZ - PARTE XVII


Mais um mês se passou, sem qualquer novidade digna de relevo na vida de Sandra. Continuava a ser uma excelente secretária, e a ver Gabriel quase todas as noites, num convívio que se ia a pouco-e-pouco tornando mais difícil, com o homem fugindo dos seus sentimentos e ela sofrendo em silêncio, numa espera feita de ansiedade e desespero. Continuava a ir ver o pai sempre que as visitas eram permitidas, e cada dia o achava mais desanimado. 
Gabriel  que viajara para o estrangeiro, já estava ausente há quatro dias, quando o inspetor se apresentou naquela tarde, no escritório, finalmente portador de uma boa notícia. Tinha conseguido a prova para reabrir o processo e libertar o pai de Sandra.
Reunira as provas precisas contra Fernando e podia agora provar sem qualquer dúvida que fora ele quem se apoderara do dinheiro e forjara as provas que haveriam de condenar o contabilista. O homem tinha o vício do jogo, mas era um jogador azarado. Perdera grandes somas de dinheiro, e estava a ser ameaçado de morte, pelo que o dinheiro do desfalque servira para pagar essas dívidas. O dinheiro mal entrara na sua conta, fora direcionado, para o pagamento das mesmas.
- Então e agora? – perguntou a jovem.
Agora vamos entregar ao juiz, o resultado desta investigação, e esperar que ele ordene a reabertura do processo e revogue a sentença que ditou a prisão do seu pai.
- E isso ainda vai levar muito tempo?
Algum. E há outra coisa. Eu não posso fazer isso, toda esta investigação, foi feita de modo particular, a pedido do Gabriel, de quem sou amigo desde criança. Isto tem que ser tratado por um advogado. Vocês têm algum?
- Não. Na verdade, na altura meu pai, foi defendido por um advogado nomeado oficialmente. O ano passado consultei um de renome, mas cobra muito caro. E eu só posso contar com o meu ordenado.
- Todavia vai ter que nomear um, para que possa tratar do caso e apresentar ao juiz as provas que inocentam o seu pai. Quando o tiver, ele que entre em contacto comigo e eu lhe entregarei todas as provas que consegui. Agora o mais importante, é que seu pai vai poder provar a sua inocência, sair em liberdade, e provavelmente até, ser indemnizado por danos morais. E o Gabriel, quando volta?
- Não sei. Penso que chegará esta noite, ou amanhã de manhã. Tem uma reunião agendada com uns clientes importantes para amanhã à tarde, e não me pediu para cancelá-la.
- Diga-lhe que me telefone logo que possível.


19.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXXVI



A notícia que a jovem tanto esperava, chegou nessa mesma tarde, num telefonema do pai. Ele fora ao laboratório buscar o resultado, e informaram-no de que também já o tinham enviado para ela, nessa mesma manhã, pelo que devia recebê-lo no dia seguinte. Ela era filha de Jorge Noronha sem qualquer dúvida. Que aliás ele nunca tivera e sempre dissera que por ele, aquele teste  era desnecessário. Mas ela, sim, precisava ter certeza. Estava emocionada, tinha vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. O pai contou-lhe que já tinham feito as vindimas e que o vinho já estava no processo de fermentação. Também, lhe disse que dentro de dois dias, a mulher voltava ao médico e que como estava tudo a correr bem, ele lhe devia dar alta. Ele estava à espera desse dia, para falar com o médico e saber se o que tinha para contar à mulher, podia de algum modo prejudicá-la.  E se a opinião do médico fosse favorável, nesse mesmo dia lhe contaria. E terminou, dizendo que estava cheio de saudades dela.
Lena desligou a chamada e ligou para o tio a contar-lhe a novidade.
- Nunca duvidei que fosse esse o resultado, querida. E tenho a certeza de que o Jorge também não terá duvidado nem por um minuto. A tua mãe era doida por ele, e nunca teve outro homem antes ou depois dele.
- Mas se ela o amava tanto, porque pediu o divórcio? E porque nunca lhe disse que estava grávida.
- Mistérios da alma humana. A tua mãe sofria de um grave complexo de inferioridade. Não se julgava merecedora do amor do teu pai. Talvez pensasse que um dia ele se ia cansar dela e pedir o divórcio. Então para não prolongar a tortura da espera, resolveu pedi-lo ela. Tenho a certeza de que aquele abraço foi só o pretexto, ela sabia bem que não fora traída. Desde que soube que estava grávida, deve ter pensado, que quando ele pedisse o divórcio, ficaria também com o filho, uma vez que tinha uma melhor situação financeira. E ela não ia suportar a dupla perda. Eu e a Ana, conversámos algumas vezes sobre isto e a tua tia, Também pensava assim.
- Meu Deus, isso é doença! Como é que eu nunca me apercebi desse complexo? Dessa insegurança?
- Não te recrimines. És muito jovem, mal começavas a descobrir a vida, e depois tinhas a faculdade, os estudos, as amigas. Tenho a certeza que a tua mãe se arrependeu. Se assim não fosse quando sentiu que estava perto do fim, teria destruído as provas. Penso que conhecendo-te, ela sabia que ias em busca do teu pai, e isso foi também uma maneira de  lhe pedir desculpa.
-Acreditas que ela se arrependeu?
- Penso que sim. Quando sentiu que ia partir e que ficavas sozinha, deve ter-se arrependido, sim. Só assim se explica o não ter, destruído os documentos. E agora, vais viver com o teu pai?
Havia tristeza na sua voz e a jovem percebeu-o.
- Ainda não sei. É verdade que gostaria de o fazer, mas o meu pai tem a sua família e eles podem não me aceitar. E eu não quero criar mal-estar na sua vida. Não te preocupes. Mesmo que me aceitem e vá viver para lá. Nunca te deixarei sozinho. Quando estive em Viseu, falamos nisso. E o pai disse, que vocês sempre foram amigos e que seria uma mais-valia ter-te por perto.
- Está bem querida, mas não vamos por o carro à frente dos bois. A vida nem sempre nos leva por onde queremos ir. Olha para festejar o facto, vou aí buscar-te e vamos jantar a qualquer lado. Aposto que não tens saído desde que vieste do norte.
- Mas tio…
- Não tem mas, nem meio mas, põe-te bonita que eu não demoro.



Não se admirem se saírem dois posts por dia. Não serão todos os dias mas em alguns já aconteceu e vai voltar a acontecer, visto que eu desejo acabar esta história antes das férias.