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19.11.18

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE I




 - Outra vez não, Ana. Não vou admiti-lo.
- Não podes impedir-me. É a minha vida, sou eu quem decido.
A calma da jovem contrastava com a irritação do rosto masculino. Levantou-se, tentando sair do escritório. Irritado Afonso esticou o braço e segurou-a.
- Senta-te! – Ordenou com aspereza. Ainda não acabei.
Contrariada, a jovem deixou-se cair na cadeira. Loira, de olhos claros, quase do tom do mel. Nariz pequeno, boca bem desenhada.
Alta, o corpo bem proporcionado. Era muito bonita. 
- Ana é a terceira vez que terminas um noivado. A primeira vez, relevei, não me agradava nada aquele namoro, não queria sequer  pensar na hipótese de algo sério. Tinhas apenas dezoito anos, eras demasiado jovem, tinha medo que sofresses. Na verdade devo confessar que senti um certo alívio quando terminaste com aquele disparate. Depois tinhas vinte e três anos quando terminaste o segundo. Já eras adulta, tinhas terminado o curso, estagiavas no meu escritório. 
Fez uma pausa e olhou para a jovem. Esta cruzou as suas longas pernas, encobertas com umas justas calças pretas e mostrou um gesto de enfado.
-Lembro-me bem. Passaste-me um sermão, fizeste-me sentir tão culpada que chorei, - a sua voz bem modulada, saía calma e determinada.
- E tu prometeste que não voltaria a acontecer. Há dois meses estavas entusiasmada com o Paulo, e disseste-nos que ias anunciar o noivado na data das nossas bodas de prata. Faltam poucos dias para a festa e vens dizer-me que acabaste tudo? Que já não vai haver noivado nem casamento? A tua mãe já sabe?
- Vou falar com ela, assim que me libertes – respondeu a jovem. E acrescentou.
- Olha, vê as coisas por este prisma. Preferias que me casasse e dois ou três meses depois entrasse com um pedido de divórcio?
- É claro que não. Quero a tua felicidade
- Então? – Perguntou encarando-o
-Quantos anos tens, Ana?
- Que pergunta, pai. Sabes que fiz vinte e seis em Maio.
-Sei. Queria saber se tens noção da tua idade. Repara nos teus irmãos. Estão casados, têm filhos, a sua própria família. Até a Matilde, que é a mais nova já está de casamento marcado. 
- O Simão está solteiro e não te preocupas…
- É diferente.
- Diferente? Diferente porquê? Porque ele é homem? Agora fazes descriminação? Não te conhecia essa faceta. – Disse irritada
- Cala-te. Fazes-me perder a paciência. Sabes que não é assim. Mas tens que admitir que a natureza foi mais pródiga para o homem do que para a mulher, em determinados aspetos. Um homem pode casar-se muito tarde e ainda assim constituir família, ter filhos. A mulher não o poderá fazer.
A jovem levantou-se.
-Desculpa. Penso que me excedi. Mas irrita-me, que sempre que saio com alguém, comeces logo a falar em casamento.
- Mas… foste tu que dissestes que ias anunciar a data do casamento na festa. Palavra que não te entendo,
- Não te preocupes. Às vezes nem eu própria me entendo.
 E dizendo isto a jovem levou a ponta dos dedos à boca, atirou um beijo ao pai, e saiu fechando a porta atrás de si…

 reedição                                       







5.11.18

ESTRANHO CONTRATO - PARTE VII



- Que queres que diga? É a coisa mais disparatada que já ouvi. Se não te considerasse minha  amiga diria que estás a divertir-te à minha custa.
- É claro que não. Estou a falar muito a sério. Tenho que me ir embora e queria ficar descansada com respeito às minhas sobrinhas. Eu falo com o meu irmão. Tenho a certeza que ele vai aceitar, se eu lhe disser que és minha amiga e que pode confiar em ti como confia em mim. Só preciso que me digas que aceitas.
Francisca escondeu a cara entre as mãos. A proposta da amiga, era a coisa mais estúpida que ouvira na vida. Como podia ela aceitar casar com um homem que nunca vira? Por outro lado supondo que as coisas fossem como a amiga dizia, tinha o futuro dos filhos assegurado. Mas e se tudo desse certo e depois de casados um deles se apaixonasse por outra pessoa? Como iam resolver isso? Não sabia que fazer, nem dizer.
-Então Francisca? Não dizes nada?
- Não sei que dizer. Continuo a achar a proposta descabida e irreal. Mesmo que tudo acontecesse como dizes. Supõe que casamos e depois de casados nos apaixonamos…
-Ó isso é que era, ouro sobre azul, - interrompeu Graça
- Não me interrompas. Eu perguntava se depois de casados, ele ou eu nos apaixonamos por outra pessoa. É possível, ou não?
-É possível mas improvável. Meu irmão era muito apaixonado pela mulher. Não será fácil esquecê-la. Tu pelo que contaste, sofreste demais com o teu casamento, para que estejas a pensar em novas experiências. O mais provável é que com o tempo, a convivência e o conhecimento mutuo, vocês se apaixonem um pelo outro. Mas para isso será preciso que ambos consigam esquecer a experiência anterior. Acredita, por muito descabida que te pareça hoje esta proposta, é a tua tábua de salvação. Olha, tenho que ir. Tens aqui o meu telefone. Pensa bem e depois telefona-me.
Francisca guardou o número que a amiga lhe estendera, enquanto esta pagava a conta. Na rua Graça perguntou:
-Queres que te leve a algum lado?
- Não. Tenho ali a paragem do autocarro.
- Então não te esqueças. Espero a tua resposta esta tarde.
Despediram-se com um beijo. Depois Graça entrou no carro e arrancou. Francisca ficou parada no passeio até vê-lo desaparecer no fundo da rua. Lentamente dirigiu-se à paragem do autocarro.

Reedição.
Ora bem, esta história vai passar em passo de corrida. Porque os mais antigos já a leram e sabem que esta história teve continuação vinte e tal anos depois. Na Prática, entre as duas são 52 capítulos, e como os mais antigos sabem eu deixo de passar novelas pelo menos 10 dias antes do Natal. Espero que não se importem. Já que em Janeiro haverá histórias novas.

22.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXXV




“Dorme bem, -resmungou entre dentes. - Como se um homem o conseguisse fazer quando o corpo arde de paixão. Vamos Ricardo, acalma-te e pensa. Perder uma batalha, não significa perder a guerra. E se é verdade que ela te ama, vai acabar por ceder.”
Com este pensamento, apagou a luz e dirigiu-se ao seu quarto.
Aí chegado foi à casa de banho, despiu-se, abriu a torneira da água fria e meteu-se debaixo do duche. Durante alguns minutos deixou que a água gelada lhe acariciasse o corpo. Depois do banho, escovou os dentes, vestiu umas calças de pijama, e deitou-se.  Pegou no livro que tinha na mesa-de-cabeceira. Leu duas, três vezes a mesma página. Não conseguia concentrar-se. Imaginava Clara deitada, os longos cabelos soltos espalhados pela almofada. E esse simples pensamento anulou o efeito do duche frio.
Não fora assim que ele sonhara passar a sua noite de regresso. Que diabo, afinal estavam casados, ele prometeu-lhe lealdade e fidelidade.
Porque é que ela vinha com aquela treta de amor? Pela sua cabeça, passou como num filme, aquela noite de Junho, quando ele regressou a casa, depois de terminada a missão no Kosovo, onde fora substituir um outro militar que tinha sido ferido. Ele não avisara Marisa da chegada, pois pretendia fazer-lhe uma surpresa. E afinal, o surpreendido fora ele. Chegara ao princípio da noite, e não encontrando ninguém na parte inferior da casa, pensou que a mulher estaria no quarto e começou a subir as escadas. A meio, pareceu-lhe escutar uma voz masculina. Surpreso parou, e escutou. Reconheceu então os gemidos de Marisa e não teve mais dúvidas. Acabou de subir a escada, e abriu a porta do quarto. Na cama, a sua mulher, completamente nua, cavalgava o corpo do amante, como se não houvesse amanhã.
Sentiu que o sangue lhe subia à cabeça, e só o pensamento do filho, o impediu de acabar com os dois naquela hora. Depois, quando já o seu amante tinha fugido, e ela lhe disse que nunca pensara abortar só o dissera para que ele assumisse a responsabilidade do filho que estava à espera, mas que ele não era o pai do menino, sentiu vontade de esganá-la. E até hoje não sabia se não o teria feito, se naquele momento Bernardo não tivesse acordado e desatado a chorar a plenos pulmões. Fora o choro do filho que o impediram de cometer uma loucura.
Não voltou a dormir no seu quarto até ter mudado toda a mobília. E fora nessa altura, no primeiro dia em que voltou ao quarto, que jurou a si mesmo, que nunca mais ia por o seu coração nas mãos de uma mulher. Daí para a frente, ia viver para o filho, para a carreira, aproveitar das mulheres aquilo que elas estivessem dispostas a dar-lhe, e nada mais.
Meses depois, já Marisa tinha morrido, ele foi chamado para uma missão no Mali. Antónia e o marido, mudaram-se para a casa grande, pois foram eles que ficaram com Bernardo durante os meses que esteve ausente. Depois, já com Soraia, pediu dispensa de missões por um ano, em virtude de ter dois filhos pequenos. E foi assim até que findo o prazo, e na iminência de voltar a partir, Francisco, seu advogado, gestor e grande amigo de longa data, lhe aconselhou a tomar a decisão que trouxera Clara e o irmão para a sua vida.
Apesar do relatório que recebera do investigador, Ricardo não pensara que a jovem aceitasse a sua proposta. Tudo bem, ela vinha de um noivado desfeito, mas era muito jovem, para aceitar as suas condições. Uma mulher mais velha, mais vivida, provavelmente mais desiludida da vida, aceitaria aquele contrato como uma bênção. Quase se arrependeu de ter marcado a entrevista. Mas contra o que ele esperara, ela aceitou. E o que aconteceu depois disso foi uma surpresa total. Clara era autêntica com as crianças, não procedia como alguém que executa um trabalho. Também com ele o fora, contestando as suas ideias e princípios.
E ele tinha uma profunda admiração por ela. E um desejo ainda maior.
Mas amor? Amor não, nunca mais. O amor torna os homens, trouxas. E ele jurara que mulher nenhuma, nunca mais o ia enganar. 
Acabou por adormecer, quando o dia já ia despontando, depois de ter dado mil e uma voltas na cama.



9.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE IX




- Enganas-te. Para o caso de não te lembrares, não nos divorciámos, por isso continuamos casados. Vai. Fala com a tua mãe, e depois pensa no que te disse. Tens vinte e quatro horas para tomares uma decisão. Amanhã por esta hora espero-te em casa. Mas lembra-te que só depende de ti, o internamento e cirurgia da  tua mãe.
- Porquê João? Porque me queres na tua casa?
- Parece-me óbvio, não? Primeiro porque ainda somos casados, e não me agrada que a minha esposa se perca pelo mundo, sem que eu saiba como vive e com quem vive. Segundo porque a casa também é tua. Mas agora vai. Parece que te esqueceste que a tua mãe está lá fora ansiosa, e isso é perigoso para o coração dela. Amanhã em casa conversamos.
-E se a minha mãe não quiser ser operada? - Perguntou
- Nesse caso, nem tu nem eu podemos ser responsabilizados pelo que lhe acontecer. Até amanhã, Odete, - disse levantando-se e dirigindo-se ao gabinete ao lado, dando a conversa por terminada. Não queria que a sua expressão o traísse. Pensou que aquela era a hipótese meio maluca de recuperar a sua esposa. Com ela em casa, talvez ele conseguisse entender o que a tinha levado a abandoná-lo, e quem sabe o que podia acontecer com os dois debaixo do mesmo teto. O povo não dizia que onde há cinzas há fogo? Porém se a mãe dela, optasse por não ser operada, isso deitaria por terra o plano desesperado que arquitetara ao vê-la.
 Odete levantou-se e dirigiu-se à saída. Antes de abrir a porta que dava acesso à sala de espera tentou afivelar no rosto um sorriso, para não afligir mais a mãe. Mas sentia-se morta por dentro. Tinha sido para ela muito difícil ter de recorrer ao ainda marido, mas a vida da mãe era mais importante que o seu desejo de não voltar a vê-lo. Mas nunca pensou que João fosse fazer chantagem com ela. E como é que ela ia viver de novo na mesma casa que ele, sem acabar de destruir o seu próprio coração? Porque apesar dos quase quatro anos, de afastamento, o seu amor por ele continuava tão intenso como no dia em que abandonara o lar.
- Vamos, mãe? Como te sentes?
- Cansada, filha. Muito cansada. 

27.2.18

CARLOTA - PARTE V


O comportamento de Francisco começou a mudar seis meses depois. Primeiro foram as saídas à noite. Depois o dinheiro que lhe dava para a casa que foi encurtando até deixar por completo de lhe entregar dinheiro. Carlota fazia limpezas em duas lojas, mas o ordenado não chegava para as despesas da casa. Começou a questionar o marido, e ele tornou-se agressivo. 
A poucos dias de comemorarem um ano de casados, levou a primeira sova. 
Ficou com um olho negro, e várias equimoses espalhadas pelo corpo. Tudo porque ela queria dinheiro para pagar, a conta no talho e na mercearia.  
Por vergonha escondeu de todos o que se passava.  Até mesmo quando questionada pela irmã, ela disse que tinha caído na rua. Dias depois, o marido chegou a casa com um ramo de flores, pediu-lhe desculpa, jurou que nunca mais lhe fazia mal, deu-lhe dinheiro, e durante algum tempo tratou-a com carinho, parecendo o homem dos primeiros tempos de casado.
Para mal dela, essas alterações, tornaram-se rotina. Ora lhe batia, ora lhe suplicava perdão e jurava mudar de comportamento. Ora lhe dava dinheiro, ora lho tirava e a deixava sem um tostão em casa. Carlota contou à irmã o que se passava, e disse-lhe que se queria separar do marido. A irmã disse-lhe que era uma vergonha, nunca ninguém na família se separara, o povo ia dizer que ela era uma perdida, e depois ela sabia que “quem se obriga a amar, obriga-se a padecer”. Carlota chorou, mas resignou-se, especialmente depois que descobriu que estava grávida.
Infelizmente não teve tempo para contar ao marido o que se passava. Naquela noite, ele disse-lhe que ia sair e pediu-lhe o dinheiro, que dias antes, entregara para a casa. Ela negou, e depois de duas violentas bofetadas, o marido dirigiu-se à gaveta onde ela guardava o dinheiro.
Com as notas na mão encaminhou-se para a porta. Carlota tentou impedi-lo e ele deu-lhe um encontrão que a derrubou na sua frente. Como se não chegasse ainda lhe deu um pontapé, que a apanhou em cheio na barriga.
Depois abriu a porta e saiu. A jovem ficou no chão contorcendo-se com dores. O filho, aflito, sem forças para a levantar, chamou uma vizinha.
A mulher ajudou-a a erguer-se e ao fazê-lo, Carlota deu-se conta que estava com uma hemorragia. A vizinha ofereceu-se para ir ao café chamar uma ambulância, (naquele tempo poucas pessoas tinham telefone em casa).
No hospital Carlota soube que acabara de perder o filho que esperava.  Ficou internada, pois surgiram complicações, foi operada e informada de que não mais podia engravidar.
O marido ia vê-la todos os dias. Chorava, pedia perdão, fazia promessas. Ela já não acreditava nele. Pensava que ele tinha uma amante. E se assim era, pois que fosse para junto dela. Soube depois que não havia tal amante. O marido era viciado no jogo. Contou-lhe a vizinha quando a visitou no hospital. Fora um sobrinho que lhe contara, “ele está empregado num desses sítios onde se joga,  e diz que já o viu perder muito dinheiro” dissera ela.
De qualquer modo ela estava decidida. Não voltaria para casa. Só precisava falar com, a irmã, e  pedir se lhe cuidava do filho. Ela não tinha dinheiro para alugar uma casa, para  viver com ele. Nessa altura, dava graças a Deus, por Francisco nunca ter cumprido a promessa de perfilhar o garoto.
Assim, não podia exercer qualquer chantagem por causa dos direitos sobre o filho.
Depois, ela havia de se arranjar. O trabalho nunca lhe metera medo.



30.10.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE VII



- Que queres que diga? É a coisa mais disparatada que já ouvi. Se não te considerasse minha  amiga diria que estás a divertir-te à minha custa.
- É claro que não. Estou a falar muito a sério. Tenho que me ir embora e queria ficar descansada com respeito às minhas sobrinhas. Eu falo com o meu irmão. Tenho a certeza que ele vai aceitar, se eu lhe disser que és minha amiga e que pode confiar em ti como confia em mim. Só preciso que me digas que aceitas.
Francisca escondeu a cara entre as mãos. A proposta da amiga, era a coisa mais estúpida que ouvira na vida. Como podia ela aceitar casar com um homem que nunca vira? Por outro lado supondo que as coisas fossem como a amiga dizia, tinha o futuro dos filhos assegurado. Mas e se tudo desse certo e depois de casados um deles se apaixonasse por outra pessoa? Como iam resolver isso? Não sabia que fazer, nem dizer.
-Então Francisca? Não dizes nada?
- Não sei que dizer. Continuo a achar a proposta descabida e irreal. Mesmo que tudo acontecesse como dizes. Supõe que casamos e depois de casados nos apaixonamos…
-Ó isso é que era, ouro sobre azul, - interrompeu Graça
- Não me interrompas. Eu perguntava se depois de casados, ele ou eu nos apaixonamos por outra pessoa. É possível, ou não?
-É possível mas improvável. Meu irmão era muito apaixonado pela mulher. Não será fácil esquecê-la. Tu pelo que contaste, sofreste demais para que estejas a pensar em novas experiências. O mais provável é que com o tempo, a convivência e o conhecimento mutuo, vocês se apaixonem um pelo outro. Mas para isso será preciso que ambos consigam esquecer a experiência anterior. Acredita, por muito descabida que te pareça hoje esta proposta é a tua tábua de salvação. Olha, tenho que ir. Tens aqui o meu telefone. Pensa bem e depois telefona-me.
Francisca guardou o número que a amiga lhe estendera, enquanto esta pagava a conta. Na rua Graça perguntou:
-Queres que te leve a algum lado?
- Não. Tenho ali a paragem do autocarro.
- Então não te esqueças. Espero a tua resposta esta tarde.
Despediram-se com um beijo. Depois Graça entrou no carro e arrancou. Francisca ficou parada no passeio até vê-lo desaparecer no fundo da rua. Lentamente dirigiu-se à paragem do autocarro.