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7.10.19

CONVERSA DE AUTOCARRO


Na Sexta-Feira, depois de mais uma sessão de fisioterapia, apanhei o autocarro com de costume para regressar a casa. Na paragem seguinte entram várias pessoas que se vão sentar na parte de trás do autocarro portanto por trás de mim que me encontrava no primeiro banco logo a seguir à porta de saída. Quando o carro arrancou, oiço uma voz forte e mesmo sem querer ouvi o seguinte:
Voz forte : - Só mesmo à chapada.
Voz masculina, mais suave: - Temos que respeitar as mulheres.
Voz forte - Eu respeito as mulheres. Respeito-as mais do que elas se respeitam umas às outras. Só sabem falar da vida umas das outras, a minha vontade quando oiço certas coisas é dar-lhes um par de chapadas.
A voz suave disse qualquer coisa que eu não consegui entender e a voz forte retorquiu:
-Ó pá não me lixes, paciência tem limites.

Na paragem seguinte saiu muita gente, os dois saíram de certeza porque não voltei a ouvi-los. E vim para casa a pensar que há homens com uma noção muito errada do que é o respeito.


                                       *************

Vamos a ver se esta semana consigo pôr as visitas em dia. Por mais que o deseje, a coisa não está fácil. O olho direito anda muito choroso, o esquerdo não vê.  Telefonei ao médico a perguntar se podia pôr as gotas de Frisolona que ponho no esquerdo nos dois olhos, ele disse que não, mandou comprar gotas de Ocular para pôr no direito e mandou-me descansar

5.11.18

ESTRANHO CONTRATO - PARTE VII



- Que queres que diga? É a coisa mais disparatada que já ouvi. Se não te considerasse minha  amiga diria que estás a divertir-te à minha custa.
- É claro que não. Estou a falar muito a sério. Tenho que me ir embora e queria ficar descansada com respeito às minhas sobrinhas. Eu falo com o meu irmão. Tenho a certeza que ele vai aceitar, se eu lhe disser que és minha amiga e que pode confiar em ti como confia em mim. Só preciso que me digas que aceitas.
Francisca escondeu a cara entre as mãos. A proposta da amiga, era a coisa mais estúpida que ouvira na vida. Como podia ela aceitar casar com um homem que nunca vira? Por outro lado supondo que as coisas fossem como a amiga dizia, tinha o futuro dos filhos assegurado. Mas e se tudo desse certo e depois de casados um deles se apaixonasse por outra pessoa? Como iam resolver isso? Não sabia que fazer, nem dizer.
-Então Francisca? Não dizes nada?
- Não sei que dizer. Continuo a achar a proposta descabida e irreal. Mesmo que tudo acontecesse como dizes. Supõe que casamos e depois de casados nos apaixonamos…
-Ó isso é que era, ouro sobre azul, - interrompeu Graça
- Não me interrompas. Eu perguntava se depois de casados, ele ou eu nos apaixonamos por outra pessoa. É possível, ou não?
-É possível mas improvável. Meu irmão era muito apaixonado pela mulher. Não será fácil esquecê-la. Tu pelo que contaste, sofreste demais com o teu casamento, para que estejas a pensar em novas experiências. O mais provável é que com o tempo, a convivência e o conhecimento mutuo, vocês se apaixonem um pelo outro. Mas para isso será preciso que ambos consigam esquecer a experiência anterior. Acredita, por muito descabida que te pareça hoje esta proposta, é a tua tábua de salvação. Olha, tenho que ir. Tens aqui o meu telefone. Pensa bem e depois telefona-me.
Francisca guardou o número que a amiga lhe estendera, enquanto esta pagava a conta. Na rua Graça perguntou:
-Queres que te leve a algum lado?
- Não. Tenho ali a paragem do autocarro.
- Então não te esqueças. Espero a tua resposta esta tarde.
Despediram-se com um beijo. Depois Graça entrou no carro e arrancou. Francisca ficou parada no passeio até vê-lo desaparecer no fundo da rua. Lentamente dirigiu-se à paragem do autocarro.

Reedição.
Ora bem, esta história vai passar em passo de corrida. Porque os mais antigos já a leram e sabem que esta história teve continuação vinte e tal anos depois. Na Prática, entre as duas são 52 capítulos, e como os mais antigos sabem eu deixo de passar novelas pelo menos 10 dias antes do Natal. Espero que não se importem. Já que em Janeiro haverá histórias novas.

30.10.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE VII



- Que queres que diga? É a coisa mais disparatada que já ouvi. Se não te considerasse minha  amiga diria que estás a divertir-te à minha custa.
- É claro que não. Estou a falar muito a sério. Tenho que me ir embora e queria ficar descansada com respeito às minhas sobrinhas. Eu falo com o meu irmão. Tenho a certeza que ele vai aceitar, se eu lhe disser que és minha amiga e que pode confiar em ti como confia em mim. Só preciso que me digas que aceitas.
Francisca escondeu a cara entre as mãos. A proposta da amiga, era a coisa mais estúpida que ouvira na vida. Como podia ela aceitar casar com um homem que nunca vira? Por outro lado supondo que as coisas fossem como a amiga dizia, tinha o futuro dos filhos assegurado. Mas e se tudo desse certo e depois de casados um deles se apaixonasse por outra pessoa? Como iam resolver isso? Não sabia que fazer, nem dizer.
-Então Francisca? Não dizes nada?
- Não sei que dizer. Continuo a achar a proposta descabida e irreal. Mesmo que tudo acontecesse como dizes. Supõe que casamos e depois de casados nos apaixonamos…
-Ó isso é que era, ouro sobre azul, - interrompeu Graça
- Não me interrompas. Eu perguntava se depois de casados, ele ou eu nos apaixonamos por outra pessoa. É possível, ou não?
-É possível mas improvável. Meu irmão era muito apaixonado pela mulher. Não será fácil esquecê-la. Tu pelo que contaste, sofreste demais para que estejas a pensar em novas experiências. O mais provável é que com o tempo, a convivência e o conhecimento mutuo, vocês se apaixonem um pelo outro. Mas para isso será preciso que ambos consigam esquecer a experiência anterior. Acredita, por muito descabida que te pareça hoje esta proposta é a tua tábua de salvação. Olha, tenho que ir. Tens aqui o meu telefone. Pensa bem e depois telefona-me.
Francisca guardou o número que a amiga lhe estendera, enquanto esta pagava a conta. Na rua Graça perguntou:
-Queres que te leve a algum lado?
- Não. Tenho ali a paragem do autocarro.
- Então não te esqueças. Espero a tua resposta esta tarde.
Despediram-se com um beijo. Depois Graça entrou no carro e arrancou. Francisca ficou parada no passeio até vê-lo desaparecer no fundo da rua. Lentamente dirigiu-se à paragem do autocarro.