24.10.16

ESTRANHO CONTRATO - PARTE II






O carro rodou pela rua principal, voltou à esquerda e deteve-se uns metros mais à frente, junto de um portão verde que dava acesso a uma casa senhorial, quase se poderia dizer um palacete, rodeado de um pequeno jardim, cercado por um muro pintado de branco. O homem accionou o comando, o portão abriu-se e o automóvel percorreu a meia centena de metros até à entrada da casa.. Os ocupantes saíram, com as crianças fazendo algazarra, pois pretendiam ficar no jardim, onde dois baloiços e um escorrega solitário, eram um apelo irresistível à brincadeira. Porém o homem não deixou, dizendo que primeiro tinham que despir aquelas roupas e vestir algo mais confortável para as brincadeiras que se propunham. Então sim poderiam brincar até à hora do almoço. Pouco convencidas, as crianças lá seguiram com os adultos para casa, onde os esperava uma serviçal de meia-idade. 
Lá dentro, a noiva tentou acompanhar as duas mulheres ao quarto dos miúdos,  mas o marido segurando-lhe a mão, reteve-a.
- Vem comigo. A Graça e a empregada cuidam deles.
Entraram num aposento espaçoso, misto de sala e escritório, com uma ampla janela, em frente da qual havia uma secretária. As paredes estavam repletas de livros. Num dos cantos havia um sofá, uma mesa de apoio e um vaso com uma bela planta verde. Formava uma espécie de recanto íntimo, como se alguém gostasse de estar ali, e a mulher pensou, se seria hábito da falecida, estar ali enquanto o homem trabalhava.
- Senta-te. Precisamos conversar, ainda há alguns pontos que não esclarecemos.
Sentou-se. Formavam um casal curioso. Ele alto, moreno, cabelos escuros, já com alguns fios brancos aparecendo indiscretos. Os olhos também escuros encerravam uma grande tristeza. A sua figura tinha uma elegância natural. Estava quase a fazer quarenta anos. Ela de estatura média, morena, cabelos e olhos amendoados. Tinha trinta anos embora parecesse mais jovem, e também não demonstrava a alegria natural de quem tinha acabado de casar. Parecia nervosa, pelo constante retorcer das mãos. Mantinha o olhar fixo nos seus sapatos, como se eles fossem a oitava maravilha do mundo, ou não tivesse coragem de encarar o homem. 



20 comentários:

Anete disse...

Muita criatividade por aqui... Vamos ver como segue, Elvira...
O suspense é uma característica dos seus textos... E sempre terminam suavemente...
Bjs

Luis Coelho disse...

Lindos os seus textos. As histórias sucedem-se pintadas de vidas vivas e coloridas. Consegue fazer-nos gostar das personagens e de todo o elenco.

luisa disse...

Estou a ficar curiosa sobre os termos desse casamento... :)

Prata da casa disse...

Um casamento de "contrato"? Hummmm: o que virá por aí?
Bjn
Márcia

Janita disse...

Todos os casamentos são como a escritura de um contrato, lavrado e assinado. Este, também o sendo, tem um mistério que estou ansiosa por saber.
A história tem os condimentos precisos para criar suspense. Muito bom.
Aguardemos, pois.

Um abraço, Elvira. Boa e inspiradora semana.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Casamento no civil é um contrato que para muitos não da certo. Acho a união estável perfeita.
Vou tentar acompanhar, adorando...
Beijos
Lua Singular

Pedro Coimbra disse...

Este casamento traz água no bico....

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Acompanho e estou a gostar e estou de acordo com o Pedro.
Um abraço e boa semana.
Andarilhar

Priscila Ponto Cruz disse...

Olá, Elvira. Gosto muito de leitura. E as suas escritas já fazem parte das minhas leituras preferidas!
Beijinhos e um ótimo dia!
♥Priscila♥

Tintinaine disse...

Contrato de casamento, coisa que já não se usa, hoje em dia.
Agora é juntar os trapinhos e à primeira zanga toca a fazer a mala e ala, porta fora!
Vou ficar à espera para conhecer a singularidade deste contrato!

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história e desejar um ótimo dia!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Rui Espírito Santo disse...

Um casamento que, afinal é um estranho contrato e no qual estão envolvidas várias crianças ! (??) ...
Noivos já com filhos ?... Coisas ainda por esclarecer entre os noivos ? ...
Os próximos episódios nos esclarecerão ! :))

Beijinhos, Elvira ! :)

Rogerio G. V. Pereira disse...

O meu primeiro palpite saiu errado
talvez me tenha precipitado

o melhor é esperar
pelo desenrolar

Os olhares da Gracinha! disse...

Suspense lindamente delineado!
Bj

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Já estou a ficar com dó da mocinha ou não será a mocinha da história? rrsrsrs
Um abraço querida Elvira.

Edumanes disse...

Penso não ser normal, recém casados se sentirem tristes! Esse "Estranho Contrato", de facto, é mesmo muito estranho?

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Olinda Melo disse...


O véu ainda se mantém!

Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

hum...
isto está a prometer...
muita criatividade e suspense!
;)

Rosemildo Sales Furtado disse...

É verdade que o casamento não deixa de ser um contrato, mas, realmente, esse parece muito estranho.

Abraços,

Furtado

Smareis disse...

Bem curioso esse casamento. Gosto de surpresas.
Beijos!