13.10.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE XVIII

Santo Deus que loucura! Pedro caminhava pela rua completamente aturdido. Acabara de sair do médico e o que se passara tinha sido tão absurdo que se interrogava, se acontecera mesmo, ou se era fruto da sua imaginação delirante. Tinha saído de casa decidido a falar com o médico. Chegou ao consultório e pediu à assistente uma consulta. Não era possível, disse ela. O médico tinha muitos doentes e não tinha ordem para marcar mais ninguém.
- Por favor menina, peça ao médico. É muito importante. Diga-lhe que é Pedro Medeiros. Olhe diga-lhe que me quero despedir...
A assistente hesitou. Depois virou costas, e dirigindo-se ao gabinete do médico, bateu, e entrou. Saiu logo de seguida.
- Por favor, siga-me. O Dr. vai recebê-lo já.
Ele seguira a assistente que lhe abriu a porta e se retirou. Avançou para a secretária e o médico pôs-se de pé.
- Boa-tarde, Doutor.
 – Boa tarde Pedro. Como desejava vê-lo. Há quase três meses que o procuro.
- Para quê Doutor? Para ver se o seu diagnóstico estava certo? - Perguntou com ironia.
- Não amigo. A minha preocupação era outra. Acontece que pouco tempo depois daquela tarde em que vi as suas análises, eu tive que mandar repetir as análises de outro doente. Apesar das primeiras que fez me dizerem que estava tudo bem, o doente definhava a olhos vistos. Repetidas as análises, descobri que ele sofria de uma leucemia em fase terminal. Pouco ou nada podia fazer por ele.
- Como eu...
- Não. Como o senhor, não. Depois de estudar as análises dele e as suas, que você não quis levar, e comparando valores com as segundas que ele fez, cheguei à conclusão de que as vossas análises tinham sido trocadas. Então procurei-o na morada que tinha na ficha, mas infelizmente não havia ninguém lá, e não sabia onde encontrá-lo.
Em silêncio, Pedro escutava a voz grave do médico, relutante em aceitar o que ele dizia. Por fim balbuciou receoso:
- Então eu...
 – Sim meu amigo – interrompeu ele – tinha apenas uma ligeira depressão nervosa, de que já deve estar curado a julgar pelo seu óptimo aspecto.
 – Doutor não seria melhor  eu fazer outros exames?
 – Se com isso fica mais descansado. Por mim não é necessário. O verdadeiro dono das outras análises faleceu na terça-feira à noite no hospital.
- Meu Deus.
Pedro ergueu-se. Mil pensamentos passavam velozes pela sua cabeça. A imagem de Rita, o seu olhar cândido, o som mavioso da sua voz, o toque sedoso dos seus cabelos, a casa da tia, a margem do rio, a preocupação de sua mãe, o pequeno Pedro, D. Célia, os passeios à beira-rio, tudo o que vivera nos últimos três meses, voltaram à sua memória numa sucessão vertiginosa, como cavalos selvagens em louca corrida.
- Obrigado Doutor. Muito obrigado.

14 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Amigos, continuo em Lagos dando apoio à família. O cunhado está muito mal. O resultado da biópsia ainda não veio, e receio que quando chegar ele já tenha partido. Vou para casa dia 18. Até lá peço desculpa pela ausência, mas só tenho o smartphone comigo. Esta história continuará a sair regularmente, pois ficou programada.
Um abraço

Majo Dutra disse...

Goatei do conto e acontecem destes enganos,
sim, na vida real.

Não tem nada que pedir desculpa, Elvira.
Desejo que tudo corra sem sofrimento.
Tem de animar o seu marido, porque estes
desgostos são terríveis nestas idades.

Abraço solidário, estimada Elvira.
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Elisa Bernardo disse...

Aqui continuo eu
Beijinhos

Pedro Coimbra disse...

Por esta é que não esperava.
Como eu gostava que se passasse algo de semelhante com o seu cunhado...

Isa Sá disse...

Acompanhando a historia aproveito também para desejar um ótimo dia!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Ora aqui está boas novidades e com elas a história deu uma completa volta.
Um abraço e continuação de uma boa semana.
Andarilhar

© Piedade Araújo Sol disse...

já cheguei a este capitulo, e quase que se consegue adivinhar o seu final.
pois é, por vezes há enganos médicos, e espero que esta estória acabe como estou a pensar.
beijinhos Elvira

:)

Tintinaine disse...

Tinha um pressentimento que era isso que tinha acontecido!
Com o problema de saúde resolvido, vamos ver como evolui o romance. Estou com uma fezada na Rita!

José Lopes disse...

Uma reviravolta que pode inverter tudo.
Cumps

Prata da casa disse...

Imagino o alívio do rapaz. Eu sei que fiquei aliviada, eheh
Bjn
márcia

Gaja Maria disse...

Que bom, gosto de histórias com final feliz e estas coisas acontecem mais do que imaginamos :)

Edumanes disse...

O Pedro está bem de saúde, agora vamos ver se junto o seu amor ao amor da Rita?
Boa noite amiga Elvira. Quanto ao estado de saúde do seu cunhado, enquanto há vida há esperança!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Agora só falta a Rita para completar a felicidade de Pedro.

Abraços,

Furtado

Ailime disse...

Boa tarde Elvira,
Quantas vezes não acontecem situações dessas!
Beijinhos,
Ailime