1.4.16

MANEL DA LENHA.- PARTE XLI



O N.R.P. Vouga, a bordo do qual partiu para a Guiné, o futuro genro do Manel. (Foto da Marinha)




Em Janeiro de 65, Manuel compra um cabrito. Vai criá-lo para fazer uma festa no Verão se a filha terminar os estudos.  Aproveita que ela e o irmão fazem anos por essa altura e assim como se costuma dizer com uma cajadada mata dois coelhos.

 Em Março a filha mais velha, vem com a conversa de que quer namorar. Ele quer saber quem é o rapaz. E a que família pertence. Ela não sabe. Só sabe que é do Algarve e que está em Vale-de-Zebro pois é fuzileiro.  Ele diz-lhe para mandar o rapaz falar com ele.  E depois dessa conversa, autoriza o namoro.  O pessoal da Seca censura-o. Dizem-lhe que o  rapaz é de longe, não se sabe quem é, que os marinheiros não se prendem, arranjam namorada nova, cada vez que mudam de porto. Ele responde a quem o adverte.
-Não faço casamento a nenhum filho. Quem bem fizer a cama bem se deita nela.  A vida é dela e ela o escolheu. 
E foi assim que a filha mais velha começou a namorar, o homem com quem iria partilhar a vida.
Em Abril, pouco depois dos seus anos foram descobertos os corpos de Humberto Delgado e sua secretária. Na verdade tinham sido atraídos a uma cilada em Espanha em Fevereiro, e  assassinados pelos homens da PIDE, chefiados por Rosa Casaco, que depois esconderam os seus corpos a vários kms de distância. Para o Manuel, e alguns amigos, foi um murro no estômago. Eles acreditavam que o general podia mudar o futuro do país. Três dias depois Salazar inaugura uma estátua sua em Santa Comba Dão, enquanto faz espalhar a notícia de que Delgado teria sido vitima de um ajuste de contas de facções rivais da oposição. 
Em Julho, a filha terminou o curso, e Manuel mata o cabrito, e faz uma festa como nunca tinha feito em toda a sua vida e para a qual convidou cunhados e sobrinhos.  
Pouco depois em Setembro a filha mais velha consegue emprego em Lisboa num laboratório de produtos farmacêuticos e Manuel fica feliz por ver a filha livrar-se do trabalho na Seca do Bacalhau.
A alegria não durou muito pois no mês seguinte o futuro genro embarca para a Guiné.  Manuel, tinha-se afeiçoado ao rapaz, e ficou apreensivo.


22 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Pois aquela maldita guerra não poupava ninguém, está interessante a história desta família.
Um abraço e bom fim de semana.

Luis Eme disse...

Grande biografia familiar, e cheia de apontamentos históricos.

abraço Elvira

António Querido disse...

Passei para desejar bom fim de semana ao Manel da lenha! Assim como a todos os portugueses.

✿ chica disse...

História linda, cheia de detalhes e muito bem contada! bjs, chica

Anete disse...

Uma história com muitas ações e suspenses...

A vida não para e a família do Manuel vive nuances diversos...

Um Bom Final de Semana, Elvira.
Bj

Odete Ferreira disse...

Só posso agradecer estas partilhas, amiga.
Deliciam apesar de tantos constrangimentos.
BJO :)

Mariangela do lago vieira disse...

Quanta coisa interessante nesta linda história!
Muito bom.
Beijão Elvira, bom fim de semana!
Mariangela

Edumanes disse...

O Salazar, o chibante com medo mandou matar o General sem medo. Para que Américo Thomaz fosse eleito Presidente da República, penso não haverem dúvidas de que foi mesmo isso que aconteceu! Será que a filha do senhor Manuel da lenha casou com o marujo?
Boa tarde e bom fim de semana desejo para você, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Ana S. disse...

Ainda bem que no meio de tantos problemas e medos, encontram motivos para sorrir e fazer uma festa! Pena é que a guerra veio atrapalhar tudo :(
Abraço Elvira

Tintinaine disse...

Em outubro desse mesmo ano também eu parti rumo a Moçambique para uma segunda comissão, deixando uma namorada em Palhais que nunca mais vi até hoje. Parece-me que viria a casar mais tarde com um fuzileiro também.
São as voltas da vida!

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
CONSEGUI POR EM DIA A LEITURA E AGORA COMENTO COM MAIS TEMPO.
É UMA HISTÓRIA LINDA DE VIDAS E COM TUA CAPACIDADE DE NOS PASSAR DETALHES E VERDADES FICA MAIS INTERESSANTE AINDA TE LER. ESTOU GOSTANDO MUITO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Crocheteando...momentos! disse...

Uma guerra que altera e muito a vida das pessoas!!!
Bj amigo
Atalaia...pertence à Lourinhã

Zé Povinho disse...

A vida caminha, os filhos tornam-se independentes e vamos todos envelhecendo, é lei da vida...
Abraço do Zé

aluap Al disse...

Nessa altura eram obrigados a deixar as famílias e irem para a guerra e muitos já com filhos, mas o pulsar das populações não parou. Durante este período as crianças iam à escola, à catequese; os casamentos e nascimentos aconteciam...e a filha do Manel terminou o curso e foi dia de festa! Parabéns!

Abr/bom fim de semana.

Blog da Gigi disse...

Ótimo final de semana!!!!!! Beijos

Laura Santos disse...

A guerra, aquela maldita guerra, como todas as guerras.
Embora a vide sempre continue...
xx

Marina Fligueira disse...

Esta es la anterior parte de la de arriba, me ha gustado leerla, es precios y real como la vida misma, mas la guerra es causa de desequilibrios tanto familiares como de noviazgos.

Te felicito, escribes fantástico.
Un abrazo, amiga.

Gaja Maria disse...

E a vida continua cheia de altos e baixos :)

Elisa Bernardo disse...

Beijinho querida Elvira. Tão bom acompanhar aqui :)
elisaumarapariganormal.blogspot.pt

Renata Maria disse...

Narrativa muito boa e linda.
Beijo*

Rosemildo Sales Furtado disse...

Continuo gostando da história. Sempre com novidades, e muito bem detalhadas.

Abraços,

Furtado.

lua singular disse...

Oi Elvira.
Belo relato, só no entendi se o genro era o que a filha por último tinha escolhido.
Estou meio perdida.
Beijos
Lua Singular
Quantas chaves eu joguei "rio"e abri meu coração para outro.