22.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE LIX



De notar que a data da Vigília está enganada. Ela ocorreu em 72 e terminou no 1º de Janeiro de 73



A passagem de ano na Seca, era sempre vivida sem festa. À meia noite, ouviam-se as buzinas dos barcos , e o pessoal residente vinha às janelas fazer barulho com as tampas dos tachos. Depois tudo regressava ao silêncio. Festas com bolos e espumante nem pensar, que o pessoal mal ganhava para o essencial. Nesta altura o Manuel já não vivia na seca como sabemos, mas a passagem de ano para ele não era festa que se festejasse.  Ele gostava de brincar no Carnaval, adorava ter toda a família à mesa pelo Natal,  tinha uma paixão especial pelo futebol, e agora que já tinha TV, via sempre que havia transmissão, gostava de ler, e de trabalhar no quintal. As outras comemorações não tinham para ele grande significado. Nessa passagem de ano, numa Vigília na Capela do Rato, os Católicos apoiam a justa luta dos povos nas Colónias e isso sai-lhes caro pois a polícia invade a Capela e detém os 70 participantes. Mais tarde, o padre Alberto Neto, é afastado do seu cargo, bem como todos os participantes que tinham cargos públicos. 
A contestação é cada dia maior, e ainda nesse mês, por decreto lei é criada a categoria de vigilantes nas universidades. Os estudantes chamar-lhes-iam "os gorilas de Veiga Simão"
Dias depois, o líder do PAIGC,  Amílcar Cabral é assassinado em Conakry, atraiçoado por dois membros do seu próprio partido. 
Se o governo português pensava resolver o problema com a sua morte enganou-se, pois a luta intensificou-se, e a Guiné viria a proclamar a independência unilateral nesse mesmo ano.
Por essa altura, o genro do Manuel está de novo mobilizado para Angola.  Partirá no início de Março. Desta vez ele quer deixar já a mulher com tudo tratado para que embarque logo que ele chegue a Luanda. Não poderá ir logo com ele, pois o barco leva apenas militares. Ela seguirá de avião.

19 comentários:

Ana Martins disse...

Elvira, bom dia.
De volta aos blogues e a visitar os amigos.
Beijinho grande com votos de um excelente fim de semana.

Ana Martins disse...

Elvira, bom dia.
De volta aos blogues e a visitar os amigos.
Beijinho grande com votos de um excelente fim de semana.

Magia da Inês disse...


Narrativa bem equilibrada com o transcorrer do tempo e da história.
É como ouvir uma avó contando suas vivências e suas histórias de criança.

Bom fim de semana com tudo de bom!
Beijinhos.♬♪ه° ·.
💕ه° ·.

Anete disse...

Olá, Elvira...
Tantos lances e tanta decisão nos corações...
Soluções sempre são encontradas e a história continua...
Um abraço

Isa Sá disse...

a passar para acompanhar a história!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

São disse...

O que aconteceu na capela do Rato foi o claro sinal de que os elementos verdadeiramente cristãos da Igreja católica já não suportavam a ditadura.

Beijinhos e bom fim de semana prolongado

Às Bolinhas Amarelas disse...

Um grande beijinho, desejo-lhe um ótimo fim de semana prolongado!

www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

✿ chica disse...

Mais um capítulo lido.Muito bem escrito! bjs, chica

Mariangela do lago vieira disse...

A vida era uma luta, mas aos poucos ia se acertando.
Bom fim de semana, Elvira!
Abraços!
Mariangela

Mariangela do lago vieira disse...

A vida era uma luta, mas aos poucos ia se acertando.
Bom fim de semana, Elvira!
Abraços!
Mariangela

António Querido disse...

Ó minha amiga, uma nêspera! É pedir muito pouco, a Senhora merece mais, mas terá de fazer uma visita não à figueira, porque os figos estão verdes, mas sim à nespereira e não se descuide porque os melros levam metade!
Bom fim de semana com o meu abraço.

maria madeira disse...

Estive por aqui a ler os últimos capítulos. Lê-se muito bem. Aprende-se bastante. Percebe-se quando as pessoas gostam e sabem escrever. E ó se desse lado existe alguém que sabe realmente escrever.

Um bom fim-de-semana, Elvira. Receba um abraço.

José Lopes disse...

O macaco Simão lixou muitos estudantes, afinal eram a carne para canhão, caso chumbassem na idade de alistamento...
Cumps

Edumanes disse...

Li o conto do princípio até ao fim, comecei no Largo do Rato, em Lisboa, onde trabalhei cerca de 3, na área da segurança. Percorrendo as parcelas quase no fim, fixei os olho nas palavras Angola e Luanda,

A beleza nela esbanja,
cidade de amor e paixão
de Lisboa para Luanda
ela seguirá de avião?

Princesa de Angola,
Luanda, de azul vestida
lágrimas de prata chora
no hora da despedida!

Para orientar a navegação havia,
naquela ilha junto à baía o farol,
em forma de meia lua, linda Baía
reflectiam na águas os raios do sol
dourado, de manhã quando nascia!

Boa noite e bom fim de semana, prolongado, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Edumanes disse...

Lá estou eu outra vez nas correcções. Coloquei o 3, esqueci-se dos anos!

Emília Pinto disse...

Elvira, vivi esses tempos dificeis da guerra colonial, tendo o meu ir mão na Guiné e o meu marido também. Para agravar a nossa preocupação havia o facto do meu pai, taxista nessa altura e praticamente o único naquelas aldeias, que fazia muitas viagens a Lisboa com os pais de soldados que lá faleciam; iam lá para levantarem os corpos, os coitados. Foi uma época que passou, mas traumas ficaram para sempre. Amiga, obrigada pelos belos relatos e desjo-te um bom fim de semana. Beijinhos
Emilia

aluap Al disse...

Curiosamente na minha aldeia a passagem de ano também era uma festa que não se dava muita importância. Acho que viviam mais o dia 1 de Janeiro do que o dia 31 de Dezembro.

Renata Maria disse...

Interessante essa tradição do fim do ano. Gostei.
Beijo*

lua singular disse...

Oi Elvira,
Uma bela narrativa dos tempos ruins
Nunca estamos tão bem pois o governo nos tira tudo, mas hoje ainda é melhor que tempos de outrora.
Beijos
Lua Singular