13.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE XLIX

                                                
                  Imagem actual do velhinho  Galitos  F. Clube
                                           foto do google



No final de Outubro, o sobrinho é operado no hospital Militar da Estrela. É-lhe retirada a bala, mas até voltar a andar, tem pela frente muita fisioterapia. Felizmente está livre de perigo e de voltar para a guerra. Mas o pior são os estragos psicológicos.
E assim se chega ao ano de 1969. Para o Manuel este ano foi cheio de emoções.
Logo no dia 1 de Janeiro, considerado o dia Mundial da Paz, um grupo de católicos, realiza uma velada da paz, na Igreja de S. Domingos, em Lisboa, a que aderiram alguns sacerdotes da capital e vários leigos.
Pela primeira vez, ouve-se a Cantata da Paz, “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” Dizem que a Comunidade Cristã Portuguesa, não pode celebrar um dia da paz, desconhecendo, camuflando ou silenciando a guerra que grassa nos territórios africanos. Nesse mesmo dia são distribuídos nas igrejas do Porto um documento de reflexão, com o título, “Porquê o Dia Mundial da Paz”. Por todo o país, o povo fortemente religioso, é confrontado com a obrigação de uma tomada de posição.
Oito dias depois, a RTP transmite a primeira conversa em família de Marcelo Caetano.
Na Seca só o Gerente tinha televisão, mas na Telha, na zona hoje denominada Santo André, havia uma sociedade fundada há vários anos por pescadores, o "Galitos Futebol Clube", que tinha um televisor no seu salão, onde em dias de festa, se realizava um bailarico, geralmente abrilhantado por um anónimo tocador de concertina.
Nessa noite, os homens da Seca vieram todos ver e ouvir o novo Presidente.
Entretanto a barraca do Pinheiro Manso, onde o Manuel vivera quando casara, e onde nascera a filha mais velha, fica vaga. O gerente diz então ao Manuel, que se ele quiser, pode mudar as coisas para essa casa, já que é bem próxima da casa da porteira, e levar para lá os filhos. Assim a Gravelina escusa de andar acima e abaixo todos os dias.
Manuel pergunta se pode continuar a tratar do quintal mudando de casa e o gerente diz-lhe que sim.
Mudam-se no final de Janeiro desse mesmo ano de 69.

12 comentários:

Crocheteando...momentos! disse...

Uma bela história de vida!
Bj amigo

Rogerio G. V. Pereira disse...

Contando a estória,
escrevendo História

✿ chica disse...

De acontecimento em acontecimento, vamos indo e andando contigo, acompanhando! bjs, chica

Pedro Coimbra disse...

Mais uma alteração, uma guinada, na vida.
Onde nos irá levar??

Gaja Maria disse...

Uma boa noticia :)

Tintinaine disse...

1969 também foi para mim um ano especial. Nasceu-me a primeira filha e fui votar pela primeira vez na União Nacional (não havia outros concorrentes). A votação foi na Câmara Municipal e à porta encontrei o meu patrão que ao meu «Bom Dia» respondeu:
- Vai cumprir o teu dever, vai!

Isa Sá disse...

Passando para acompanhar a história!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Nequéren Reis disse...

Amei a historia tem continuação
Blog:http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

António Querido disse...

1969 também me marcou com o início de mais uma aventura por terras Gaulesas, apenas com uma gramática português/francês na bagagem, correu bem porque um ano depois já sabia o suficiente para desempenhar o meu papel de operário fabril e não passar fome!

Renata Maria disse...

Notícia auspiciosa. Lendo com muito interesse.
Beijo e bom dia*

Mariangela do lago vieira disse...

Sigo junto acompanhando esta bela história!
Abração!
Mariangela

Laura Santos disse...

Até da Cantata da Paz a Elvira se lembrou...e claro que não poderiam faltar as famosas "Conversas em Família" de Marcelo Caetano.
xx