11.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE XLVII

                                                 foto do google


Na Seca havia cada vez mais trabalhadores, cujos filhos tinham sido levados para a guerra nas colónias. Todos os dias o pessoal aguardava a chegada da carroça do ti Abel, que trazia as compras e o correio do Barreiro, já que não havia outro posto de correio mais perto, nem o carteiro ia fazer distribuição à Seca. Muitos nem sabiam ler e recorriam a companheiros que sabiam, para lhes ler as notícias que os jovens conseguiam passar nos aerogramas, e lhes escrever a resposta.
Às vezes eles escreviam o que não deviam, segundo a óptica do governo, e essas notícias nunca chegavam à família, que andava numa aflição sem saber porque não escreviam os filhos, ou os maridos, pois havia entre os militares mobilizados muitos que já eram casados, e alguns até pais.
No início de Abril é assassinado outro dos homens que Manuel muito admirava. Martin Luther King.
Revoltado dizia: “Este mundo está perdido. Como é que alguém tem coragem de assassinar um homem tão bom, que só prega a não-violência?”
E a mulher respondia: “Não era melhor que Cristo, e como sabes também O mataram “
Quase no final de Abril, com a safra praticamente terminada, comemoram-se os quarenta anos de governo de Salazar, com algumas inaugurações. No dia seguinte o ditador fará 79 anos, e como prenda em Matosinhos cinco mil pescadores entram em greve.
Pouco depois, a safra termina, e os últimos trabalhadores regressam às suas aldeias de origem onde esperarão ansiosos que os barcos regressem em Outubro.
Nos primeiros dias de Junho, outro assassinato nos EUA, daria que falar no mundo inteiro. Comentava-se que uma maldição caíra sobre a família Kennedy, pois desta vez o assassinado fora Roberto, então Senador de Nova Iorque.
Em Julho um acontecimento caricato mas que demonstra bem a mão de ferro do governo Salazarista. Uma greve da Carris, termina com um agradecimento formal e público dos trabalhadores ao ditador, transmitido para todo o país pela TV

10 comentários:

Anete disse...

Novos acontecimentos por aqui... Assassinatos, que pena!
Vamos adiante com outros capítulos pela frente...
Torcendo por Manuel e família...

Uma boa semana, Elvira! Bj

✿ chica disse...

Sucessivas mortes... Tanto acontecendo! Assim é a vida! bjs, chica

maria madeira disse...

Afastada que estive da blogosfera, apercebo-me que existe muito por aqui para ler. Aos poucos vou tentar actualizar-me, no entanto não deixo de sublinhar que gostei muito daquele texto lá mais em baixo, o texto dos anos do seu marido, aquele que diz "parabéns, amor". Sabe muito bem ler estas coisas.

Boa noite, Elvira. Abraço.

Zé Povinho disse...

Enquanto que a vida parecia não sair da rotina mísera e habitual, cá por dentro, lá fora a História fazia-se a cada dia que passava...
Abraço do Zé

Laura Santos disse...

Tantos com os filhos e outros familiares na guerra e sem saberem ler as cartas enviadas...as que lhes chegavam, porque quem falava mais do que devia, a carta não seguiria o seu rumo. Tempos tão tristes.
A morte do Martin Luther King foi de facto um acontecimento sentido não só na América, mas também fora dela.
Continuando a acompanhar com muito interesse a história da sua família.
xx

Mariangela do lago vieira disse...

Tempos tristes esse. O pessoal da seca aflitos por notícias.
Tanto a morte de Kennedy como a de Martin Luther King, foi para o mundo todo, muito triste!
Abraços, boa noite Elvira!
Mariangela

Rosemildo Sales Furtado disse...

A Morte de Martin Luther King deixou uma grande lacuna no mundo inteiro.

Obrigado pelas visitas e amáveis comentários deixados nos nossos espaços.

Abraços e muita saúde para ti e para os teus.

Furtado.

Pedro Coimbra disse...

Essa do agradecimento formal no final da greve confesso que novidade para mim.

Gaja Maria disse...

Acontecimentos que marcaram o mundo esses e talvez o tenham mudado para sempre.

Renata Maria disse...

Vidas e vidas ceifadas. E tudo prossegue.
Amei.
Beijo e bom dia*