9.12.15

AMANHECER TARDIO - PARTE XI


foto do google


 Isabel saltou da cama, e ao chegar ao quarto dos pais,  logo se apercebeu de que algo grave tinha acontecido com a mãe. Chamou uma ambulância e preparou-se para a acompanhar  ao hospital.
Antes de sair, bateu à porta da vizinha e pediu se podia acompanhar o pai até que ela voltasse. Tinha medo de o deixar sozinho, mas só uma pessoa podia seguir na ambulância.
No hospital, depois de vários exames, foi-lhe dito que a mãe tivera um AVC, fruto talvez de uma diabetes descontrolada. Tinha sido feito tudo o que era possível, mas a mãe estava em coma. Informaram-na, das horas a que eram dadas as informações sobre os doentes na UCI e da hora a que podia vê-la durante escassos minutos. Agradeceu, agarrou no saco que uma enfermeira lhe trouxe com as roupas da mãe e chamou um táxi para regressar a casa.
Não sabia como dar a notícia ao pai. Ele estava quase a fazer oitenta anos, e estava casado há mais de cinquenta. Desde que se lembrava de ser gente, Isabel sempre notara o imenso amor que os unia. Na troca de olhares cúmplices, no roçar das mãos, nos sorrisos, no adivinhar de certas frases apenas afloradas por um e respondidas pelo outro, estava patente esse amor. E ela? Estava preparada para a possível perda da mãe? Nunca ninguém está preparado para semelhante facto, mas ela era nova e forte. O pai sim preocupava-a. E tinha razão para isso.
Durante os quarenta dias que a mãe esteve no hospital, foi muito difícil conseguir que o pai comesse alguma coisa. Felizmente a mãe saiu do coma, e embora ficasse com o lado esquerdo paralisado, mentalmente estava lá, e isso foi muito importante para todos.
Nada pior do que ter fisicamente presente um familiar, cuja memória se perdeu por estranhos labirintos, dos quais não esperança de retorno.

Isabel tinha muitos projectos para a sua vida, após ter terminado o curso. Ia montar um escritório com duas amigas e começar uma vida totalmente diferente daquela que tivera até ali. Mas... e agora? O que fazer? A mãe precisava dela.
Foi a própria mãe que a encorajou a realizar os seus sonhos. Ela precisava de cuidados sim. Mas contratariam uma pessoa para cuidar dela e ajudar a tratar da lida da casa. O pai como sempre estava de acordo.

15 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Esta rapariga só tem tido azares vamos lá a ver se algumas alegrias aparecem.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Anete disse...

Olá Elvira...
A história da Elisa está ganhando "asas" e mais e mais emoções...
Seus contos são muito criativos e construtivos!

Beijos e boa 4ª feira.

Blog da Gigi disse...

Lindo dia!!!!!!!!! Beijos

Edumanes disse...

Um mal nunca vem só, e para Isabel isso está confirmado. Primeiro a morte do marido, agora um AVC, quase que mata a sua mãe. Mas, na vida tem de se estar preparado para o bom e para o menos bom!

Tenha amiga Elvira, um bom dia, um abraço,
Eduardo.

Ana S. disse...

Para tudo há solução. ainda bem que há pessoas dispostas a servir quem mais precisa. Com o tempo a recuperação é possivel.
Abraço

Elisa Bernardo disse...

Estou por aqui :) adoro vir aqui :)

elisaumarapariganormal.blogspot.com

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira, você é uma ótima escritora de contos.
Apesar de ter chegado atrasada para as leituras,
pude observar as dificuldades enfrentadas por Izabel!
Abraços, boa noite!
Mariangela

lourdes disse...

A Isabel sofreu muito na vida.
Mas agora, algo me diz que o dono desses olhos cinzentos ainda lhe vai dar muita felicidade.
Bjs

Pedro Coimbra disse...

Imagine o que é viver a milhares de quilómetros dos pais, com quase oitenta anos, e de uma irmã deficiente profunda.
Temos que ter força, pensar positivo, ir em frente.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Que triste, sei bem como é cuidar de uma pessoa com AVC, minha querida mãe teve um e sofreu por longos nove meses desse mal, muito triste.
Um abraço querida Elvira.

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Eu cuidei da minha mãe durante 4 anos na cama. Tinha uma empregada, para arrumar a casa, fritar um bife para meu pai.Quando chegava do trabalho já era o segundo banho e papinha na boca fora a insulina que aplicava nela várias doses por dia.
Beijos
Minicontista2

Rosemildo Sales Furtado disse...

Acredito que os sofrimentos que ora se apresentam para Isabel, sejam superados por futuros prazeres.

Abraços,

Furtado.

Laura Santos disse...

Vá lá, do mal, o menos...mas uma situação muito difícil!
xx

Ana Freire disse...

Uma situação difícil... que se conseguiu superar...
E a vida é mesmo assim... já tive muitas situações bem idênticas...
Adorando o texto, Elvira!
Beijinhos
Ana

Portuguesinha disse...

Senti alívio por a mãe ter recuperado com a mente intacta. Senti o terror do que deverá ser ter alguém no corpo, mas não na mente. Embora eu seja da opinião que o entendimento está sempre lá, nunca abandona a consciência. O saber manifestá-lo é que muitas vezes desaparece.

E que bom que a mãe, os pais, disseram-lhe para fazer a sua vida e não se orientar pelo final das suas. Isso é verdadeiro amor.