1.12.15

AMANHECER TARDIO - PARTE I


                            Foto minha
Isabel saltou da cama, subiu a persiana e abriu a janela deixando que o ar frio e húmido lhe viesse acariciar o rosto.  Olhou o céu coberto de nuvens a ameaçar chuva.  Sentiu um arrepio. Fechou a janela e dirigiu-se à casa de banho. Era o seu último dia de férias no Algarve, e pensava ir para a praia como nos dias anteriores.  
Mas o dia estava desagradável. Nem parecia que se estava no final de Julho. Enquanto tomava o duche matinal pensava no que faria nesse dia. Não tinha amigos na cidade onde se encontrava pela primeira vez. Não lhe apetecia meter-se no carro e ir à descoberta dos arredores. Fechou a água e envolveu-se na toalha. Era uma bela mulher. Deveria rondar o metro e setenta, morena de grandes olhos escuros e boca bem desenhada. O seu negro cabelo com um corte moderno deixava a descoberto a beleza do rosto. O corpo esguio e bem proporcionado não passava nunca despercebido. Parecia impossível que uma mulher assim se encontrasse sozinha.  
Com movimentos suaves espalhou sobre o belo corpo o creme hidratante. Depois decidida vestiu o bikini, uns calções de ganga, e uma t-shirt branca. Calçou uns ténis meio velhos mas muito confortáveis. Pegou numa toalha de praia e no protector solar e colocou-os sobre a mesa da cozinha.  Abriu o frigorífico e tirando uma garrafa de água juntou-a às restantes coisas. Foi ao quarto abriu de novo a janela e voltou a olhar o tempo. Mantinha-se na mesma ou mais fechado. Agora caía uma chuvinha miudinha, tão fina que mais parecia nevoeiro. Isabel voltou-se e fez a cama. Depois abriu a gaveta da cómoda e retirou um lenço azul, que enrolou à volta da cabeça, como se fosse um turbante.  Lançou um breve olhar ao espelho que encimava a cómoda, agarrou nos óculos escuros e retirou de um gancho atrás da porta, a bolsa que costumava levar para a praia. Dirigiu-se à cozinha e colocou todas as outras coisas dentro da bolsa. Juntou-lhe um pequeno porta-moedas e o estojo com os óculos escuros. Pegou nas  chaves e no telemóvel e saiu. Pisava forte com ar de pessoa decidida. Desceu a rua, passou por uma típica travessa estreitinha e com algumas escadas e desembocou no Largo do Infante. Olhou à volta. A Igreja de Santa Maria estava aberta, e Isabel resolveu entrar.  Não era hora de missa, ela já lá tinha estado no dia em que chegara e sabia que a missa era só à tarde. Mas ela sempre gostara de se recolher na igreja. Gostava daquele silêncio. Convidava ao recolhimento, e à oração.  E era assim que ela gostava de estar na casa do Senhor.  






Bom dia.  Espero que gostem da nova história que tenho para vos contar.




21 comentários:

Isa Sá disse...

Passando para acompanhar este cantinho de leitura!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei deste inicio, fico à espera da continuação.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Bell disse...

Personagem com meu nome uebaaaaaaaaaaaaaaa


bjokas =)

luís rodrigues coelho Coelho disse...

...apetece-me dizer:
-mas que mulheraça!...Descrita desta maneira era um autentico manequim.

Laura Santos disse...

A começar muito bem, Elvira, e gostei de ver que a narrativa se passa, pelo menos por enquanto, na minha cidade. :-)
xx

Edumanes disse...

Isabel, um metro e setenta de altura,
olhos escuros, boca bem desenhada
não sendo a beleza nenhuma aventura
nem tão pouco na vida conquistada!

A beleza nasceu com ela,
por ela não deve ser desprezada
irei acompanhar essa história bela
aqui por amiga Elvira, contada!

Tenha uma boa noite, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

São disse...

Também gosto de estar em templos sem ninguém...
Beijinho

Maria do Mundo disse...

Também gosto de me recolher.

Aflores _ disse...

Passando para te ler com imenso prazer.
Vou estar atento a esta Isabel.

;)
:)

Anete disse...

Olá Elvira...
Vamos ver o que Isabel vai fazer daqui pra frente... Vejo que aproveitou o tempo de uma boa maneira... Recolhimento e oração, duas coisas excelentes.

Um abraço e muita paz...

Odete Ferreira disse...

Bom começo!
:) :)

Pedro Coimbra disse...

O começo é prometedor.

Parapeito disse...

Cheguei em boa altura.
Vou continuar a vir até cá para acompanhar esta história.
Brisas doces para esse lado

Rosemildo Sales Furtado disse...

Belo começo! O conto promete ser tao bom quanto os anteriores.

Abraços,

Furtado.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Boa noite querida Elvira!
Gostei muito e ja vou lá ler a segunda parte, um abraço.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Boa noite querida Elvira!
Gostei muito e ja vou lá ler a segunda parte, um abraço.

Vera Lúcia disse...


Olá Elvira,

Conforme Isabel, também gosto de entrar em uma Igreja fora do horário de missa. Gosto daquele silêncio que traz paz e convida à reflexão e oração.

Beijo.

ONG ALERTA disse...

Amém .... Bjbj Lisette.

Janita disse...

Ainda agora conheci a Isabel e já gosto dela!
Também a minúcia com que a Elvira fez a descrição da sua maneira de ser me cativou.
Fez-me lembrar alguém que passou uma semana de férias, sozinha, não no Algarve, mas no Alentejo. Já lá vão uns bons anos. Instalou-se num Monte de Turismo rural a 3 Km de Évora, e todas as manhãs deixava o carro às portas da muralha e percorria as ruas pejadas de turistas, porém, como se a cidade fosse toda sua.
No Largo de Giraldo havia, e deve haver, uma Capela onde ela se recolhia em meditação....

Obrigada, Elvira.

Desejo-lhe uma boa noite e conte com esta sua leitora!

Um abraço.

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira.
Lindo conto, ela tão linda ia se encontrar numa igreja onde havia a paz.
Beijos
Minicontista2

Socorro Melo disse...

Olá, Elvira!

A Isabel parece ser bem centrada, bem dona de si. Aguardemos os acontecimentos.