11.12.15

AMANHECER TARDIO - PARTE XIV


foto do google

Levantou-se, tirou uma mala que estava em cima do roupeiro e colocou-a em cima da cama. Depois abriu o roupeiro e escolheu umas calças de ganga e um top sem mangas para a viagem. Dobrou cuidadosamente o resto da roupa e meteu na mala.
Abriu uma gaveta separou duas peças de roupa intima meteu as restantes num saquinho de algodão florido, atou com a fita de cetim rosa e guardou-a igualmente na mala.
De seguida dirigiu-se à casa de banho e meteu-se no duche. Deixou que a água lhe resvalasse pelo corpo esbelto durante alguns minutos tentando afastar da mente a recordação do sonho esquisito que tanto a inquietava. Inutilmente. A água acalmava o corpo mas não o espírito.
Pensou em Paulo. Que diabo lhe teria acontecido para pedir transferência? Paulo era o director comercial de uma grande superfície. Era também o encarregado das campanhas publicitárias da empresa e fora o seu primeiro cliente. Ele acreditara no talento de uma jovem inexperiente, e dera-lhe a oportunidade que a maioria dos jovens não tem. Foi um risco para ele e uma bênção para ela. Graças a esse primeiro trabalho bem sucedido viera uma boa carteira de clientes. Paulo era um homem a rondar os cinquenta anos, completamente apaixonado pela esposa. Tinha uma filha. Uma jovem que ia agora entrar para a Universidade. Ele era além de um bom cliente, um grande amigo. E agora? Decerto a empresa continuaria a trabalhar com ela. Pelo menos até ao fim do ano, data em que terminaria o actual contrato.
O telemóvel tocou. Isabel fechou a água enrolou-se na toalha e dirigiu-se ao quarto. A meio do corredor o aparelho calou-se e ela pensou que quem quer que fosse ligaria de novo, e voltou para a casa de banho.
Espalhou pelo corpo uma camada de creme hidratante com gestos automatizados pelo hábito, enquanto o pensamento lhe fugia para o sonho. Que sonho tão confuso. Seria um aviso do seu subconsciente? E se era, que quereria dizer-lhe? Porque é que o rosto de Fernando não era visível como em sonhos tantas vezes aparecera ao longo de muitos anos? E porque é que no fim do sonho ele se ia embora? E aqueles olhos cinzentos? Porque é que lhe apareciam no sonho, se apenas os tinha vislumbrado durante segundos?

"Esquece Isabel", murmurou sacudindo a cabeça.



Nota: Este conto, vai ser interrompido NO DIA 15, para postagens mais alusivas à época, regressando pós Ano Novo para o seu desfecho. 

16 comentários:

Vera Lúcia disse...


Olá Edite,

Como sempre faço, quando não posso seguir capítulo a capítulo, leio todos de uma vez para não perder nenhum detalhe.
Fiquei com muita pena de Isabel quando ela teve que cuidar do pai, inclusive tendo que dar banho nele. Lembrei-me de meu pai, que ficou sete anos de cama e sem reconhecer ninguém. Claro que ele tinha enfermeiros que lhe davam banho, mas, nos finais de semana, esta tarefa era da família. Nunca tive coragem, pois sabia o quanto ele era sistemático, e cheguei a ser grata a Deus por ele não ter que assistir a uma filha lhe dando banho. Minha irmã, que residia com ele, era quem resolvia esta parte, mas com ajuda de outros irmãos. Eu somente ajudava a colocá-lo na cadeira ou de volta à cama.

Gostei muito da leitura. Penso que Isabel está se esquecendo do marido e já está pronta para outro relacionamento. Penso, também, que o homem de olhos cinzentos que ela vê nos sonhos é o mesmo que ela já esbarrou lá atrás.

Beijo.

LopesCa Blog disse...

Estou a gostar da leitura :)

José Lopes disse...

O tempo vai apagando as memórias permitindo que outras se consolidem.
Cumps

Edumanes disse...

A água acalmou-lhe o corpo,
mas, não lhe acalmou o espírito
não se esquecem nem por um pouco
essas coisas do amor, acredito.
Porque, penso que seja mesmo isso
que com Isabel estará acontecendo
mulher bela tem um corpo bonito
se for como na imagem estou vendo!

Tenha amiga Elvira, uma boa noite, bem como um bom fim de semana, um abraço,
Eduardo.

Duarte disse...

Ainda bem, a memoria vai acumulando feitos, mas passa-os a um estado de repouso, de não ser assim seria impossível resistir a certas vivências.
Que mais posso dizer? Gosto daquilo que narras, engancha!
Que não pare esse espirito criativo!
Abraços de vida, querida amiga

ONG ALERTA disse...

Tudo muda com o tempi, bjbjb Lisette.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Mistériiiiio! E a curiosidade aumentando cada vez mais.

Abraços,

Furtado.

Elisa Bernardo disse...

Continuo a gostar imenso! Um vicio vir aqui:)
Beijinho para si Elvira.

elisaumarapariganormal.blogspot.com

Blog da Gigi disse...

Ótimo final de semana!!!!! Beijos

Anete disse...

Bom sábado, Elvira! A história/conto continua... Coisas surpreendentes vêm pela frente. Um tempo de transição na vida de Isabel!

Bjs

Isa Sá disse...

Continuando a acompanhar.

Bom fim de semana.


Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira!
Que história bonita.
Muita coisa boa há de vir na vida de Izabel...Vamos aguardar!
Abraços!
Mariangela

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Inquietante seu conto, curiosa estou ficando cada vez mais amiga Elvira, um abraço.

Laura Santos disse...

A imagem do marido começar a diluir-se um pouco com o passar do tempo, e esses olhos cinzentos irão aparecer-lhe novamente.
xx

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Com o tempo não se deve ter pressa, ele chega devagarzinho e no tempo, o meu segundo amor chegou após sete anos e estamos juntos até hoje.
É um doce de companheiro.
Beijos no coração.
Minicontista
Hoje eu respondi quase todos os comentários, eu nunca gosto de comentar, mas...
Beijos

Ana Freire disse...

Ora é mesmo aqui, que estou retomando a leitura, deste seu conto, Elvira!
Do qual estou a gostar imenso... e prosseguindo a leitura... nos próximos posts... :-))
Bj
Ana