5.12.15

AMANHECER TARDIO - PARTE VII

                                                 Foto do google



Por mais de quinze dias, ficou em casa dos pais, no seu quarto de solteira. Depois um dia pegou nas chaves e voltou a casa.
Foi estranho e muito doloroso entrar naquela casa, onde cada canto falava de amor e sentir-se morta por dentro. Mas para além do seu ar de menina, encontrava-se uma mulher forte e batalhadora.  
Separou as suas coisas pessoais e meteu-as numa maleta para levar para casa dos pais. Tudo o resto, móveis, enxoval, e as roupas de Fernando iriam para uma instituição de caridade. Ela queria encerrar aquela etapa da sua vida.
Falou com os pais que como sempre a apoiaram e ajudaram e dois meses depois entregava as chaves da casa ao senhorio.
Embrenhada nas suas recordações não se desviou a tempo do homem parado na sua frente e só não caiu porque uns braços fortes a envolveram
- Desculpe – murmurou quase sem voz
Os olhos cinzentos do homem cravaram-se nela. Era um olhar intenso, penetrante, que ela sentiu na pele como brasa incandescente . Mas a voz, ligeiramente rouca, soou gentil e educada ao perguntar:
-Sente-se bem?
Isabel assentiu com a cabeça, murmurou um obrigado e afastou-se apressada daquele homem que de alguma maneira a tinha desassossegado.
 Por fim estava junto das suas coisas. Guardou na bolsa o telemóvel e o porta-moedas, despiu os calções e a T-shirt, estendeu na areia a toalha colorida, e sentando-se nela começou a espalhar sobre o seu belo e doirado corpo, o protector solar. O telemóvel tocou e Isabel esboçou um gesto de aborrecimento mas não atendeu. Quando acabou guardou o frasco, voltou a colocar os óculos escuros e fitou o mar. A maré tinha subido um bom bocado desde que ela chegara, o sol aparecia a espaços entre as nuvens, e logo desaparecia como se estivesse jogando às escondidas com aqueles que estavam cá em baixo esperando por ele. Mas o tempo tinha aquecido bastante e ali ao lado, havia muitas crianças brincando, vigiadas de perto por três mulheres. As crianças, mais ou menos da mesma idade, tinham todos chapéu igual.
 “Crianças de alguma creche” pensou Isabel.
O telemóvel voltou a tocar. Desta vez atendeu e durante breves minutos foi respondendo ao que lhe perguntavam do outro lado. Por fim disse:
- Depois de amanhã estou aí. Por favor Amélia vê se não estás sempre a ligar.

Calou-se e escutou o que lhe diziam do outro lado.

15 comentários:

Edumanes disse...

As crianças são alegria,
de chapéuzinhos amarelos da cabeça
brincando na areia da praia todo o dia
desejando que o sol não desapareça!

Ao contrário de Isabel,
que está sentindo muita tristeza
a vida é como um carrocel
tanto roda até que desapeça!

Tenha amiga Elvira, uma boa noite e um bom dia de domingo, um abraço,
Eduardo.

Maria do Mundo disse...

Estive a por tudo em dia e, mais uma vez, estou encantada...história triste, por agora.

Ane disse...

Oi Elvira!Achei seu novo conto bem interessante,li todos os capítulos pra entender a estória e já me veio uma ideia sobre o homem que Isabel encontrou na praia no meio de tantas recordações dolorosas.Vamos ver se minha ideia está certa...

Donetzka Cercck L. Alvarez disse...

BEM,QUERIDA AMIGA ELVIRA. FICO EXTASIADA COM SEU DOM DE ESCREVER CONTOS TÃO MARAVILHOSOS. VOU VOLTAR PARA LER AS PARTES INICIAIS,MAS QUER SABER? SE VC PUBLICAR UM LIVRO COM ESSES CONTOS,VAI VIRAR BEST SELLER!

ASSIM QUE EU TIVER OUTRO COMPUTADOR DE MESA E NÃO PRECISAR USAR ESSE LAP TOP HORRÍVEL ONDE MAL ENXERGO,VOU LER TODAS AS PARTES E VER SE ADIVINHO ESSE MISTÉRIO.

AMO SEU BLOG!

BEIJOS SABOR CARINHO E UM DOMINGO DE PAZ PROFUNDA

DONETZKA

Olinda Melo disse...


Olá, Elvira

Cheguei agora e este conto já vai um pouco avançado.
Mas, vejo que já se está a formar aqui uma bela
história. Voltarei para pôr a minha leitura
em dia.
Um bom domingo.
Bj
olinda

Isa Sá disse...

A acompanhar a história.

Bom domingo!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Anete disse...

Bom domingo, Elvira!
A Isabel está arrumando o seu mundo interior. Logo dará passos novos e traumas serão vencidos corajosamente...

Um abraço

Blog da Gigi disse...

Lindo domingo, Elvira!!!!!!! Beijos

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

O luto acabou e a vida continua.
Estou a gostar.
Um abraço e bom Domingo.

aluap Al disse...

Olá Elvira, estou a achar bastante interessante este novo conto, só que...acho que devia dar mais intervalo entre postagens, para dar mais tempo que todos os leitores acompanhem e comentem os post's. Por mim falo que só hoje consegui ler todos.
Beijinhos e bom domingo.

Laura Santos disse...

A história está a tornar-se interessante!
xx

Elisa Bernardo disse...

Vou acompanhar (já a sigo) e tentar ao máximo ler o que já perdi. O seu blog é viciante:)
Obrigada pela sua visita e comentário. um beijinho ;)

elisaumarapariganormal.blogspot.com

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira
Não estou conseguindo entender mais nada, nem sempre a gente pode acompanhar diariamente um blog. Sinto muito
Minicontista2

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Embora muito triste, ela foi determinada e segui com a vida em frente.
Muito bem.
Estou ansiosa pelo final querida Elvira, parabéns!
Um abraço.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Devido ao longo tempo de viuvez, acho que já é hora de Isabel juntar os mijados com alguém. Rsrs.

Abraços,

Furtado.