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31.8.20

CILADAS DA VIDA - PARTE XXVI



Olhou o relógio. Quase meio dia. Pousou o livro na mesinha em frente ao sofá e ia levantar-se para preparar o almoço, quando o telemóvel tocou.

- Estou…

- Bom dia, Teresa! Sou o João Teixeira. Podes atender, ou estás muito ocupada?

Não precisava ter-se identificado, apesar de só terem conversado uma vez ela reconheceu de imediato a voz grave e um pouco rouca do empresário

-Posso atender.

-Como estás?

- Estou bem, só um pouco surpresa, não estava à espera da tua chamada, tão cedo.

-Cedo? Mas é quase hora de almoço…

- Não me referia à hora...

- Eu sei. Estou a ligar, para saber como vais: E também para te fazer um convite. Na Sexta-feira, vamos lançar um novo jogo de computador. É a continuação de um jogo lançado há anos e de grande sucesso, pelo que este está sendo esperado com grande expectativa e vai ser lançado em simultâneo em vários países. Vamos fazer aqui uma festa e gostava que viesses. Não poderei ir buscar-te, mas mando um motorista apanhar-te na morada que me indicares. Vens?

- Desculpa recusar o convite, mas deves compreender que não me sentiria bem numa festa onde não conheço ninguém a não seres tu, se é que podemos dizer que nos conhecemos. Além de que nunca fui muito amiga de festas e na atualidade a única coisa que quero é descansar. De qualquer modo obrigado pelo convite.

- Para te ser sincero, não fosse a minha presença obrigatória, enquanto criador do jogo, e também não iria.  De qualquer modo, não podemos criar uma relação de amizade, se não nos encontrarmos de vez em quando. Aceitas jantar comigo no sábado?

- Desculpa mais uma vez, mas ando muito sonolenta, deito-me com as galinhas, como dizem na aldeia.

- Nesse caso trocamos o jantar pelo almoço.

- Não acho que seja uma boa ideia. És muito conhecido, se algum jornalista nos vê juntos começam logo a querer saber quem sou, o que faço, e quando descobrirem que estou grávida nunca mais me deixam em paz.

- Confia em mim.  

- Nunca desistes?

- Daquilo que é importante para mim, nunca.

- Está bem.

- Está bem o quê? Eu não desistir ou tu almoçares comigo?

- Está bem, almoço contigo.

-Então sábado vou buscar-te ao meio-dia. Tens que me dar a morada.

- Vais dizer-me, que sendo tu um expert de computadores, não sabes já onde moro?

- Se vamos ter um filho, e por ele vamos ter que conviver, a primeira coisa que temos de aprender é a confiar um no outro. Eu disse-te que confiaria em ti, recordas-te? Logo por muita vontade que tivesse de verificar as informações que me deste ou de descobrir a tua morada, não o faria, pois isso seria uma prova de que não confio em ti, ou não sou de confiança.

Embora incrédula ela deu-lhe a morada e despediram-se depois dele confirmar que a iria buscar no sábado ao meio-dia.

17.10.19

A LEI DO CAMIÃO DO LIXO






O texto que se segue, recebi-o por email. Achei-o muito interessante e decidi partilhá-lo convosco. Recebi-o como vos passo, sem qualquer assinatura. Como não gosto de partilhar textos sem assinatura, pesquisei no Google, e aí encontrei o texto como sendo de David J. Pollay.








  Um dia peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz! O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável. Indignado lhe perguntei: 'Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!'  Foi quando o motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de   "A Lei do Camião de Lixo."  Ele explicou que muitas pessoas são como camiões de lixo. Andam por ai  carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não  tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu!  Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas.  Fique tranquilo...  respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR. O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os camiões de lixo  estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. 

Ame as pessoas que te tratam bem. 
E trate bem as que não o fazem. 
 A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!  
Tenha um bom dia, Livre de lixo!  


Nesta altura do campeonato, eu também  estou-me achando um lixo, não por ódios nem rancores, mas porque uma crise de refluxo gastroesofágico me provocou uma crise alérgica que me tem obrigado a passar as noites sentada no sofá, por causa da tosse. E preocupada com medo que esta malvada tosse me afete mais o olho. 

25.5.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE V






Setembro chegava ao fim, todavia  o sol brilhava quente e intenso a lembrar o Verão que há dias tinha dado lugar ao Outono.
Ricardo despiu o fato-macaco com que estivera a trabalhar com um dos seus mecânicos numa limusina que tinha sido alugada para um casamento dois dias depois, lavou as mãos, e encaminhou-se para o escritório.
Era um homem alto, delgado, de ombros largos e longas pernas. Teria perto de quarenta anos, moreno de olhos cinzentos e cabelos negros. Um homem muito interessante, uma presença forte, marcante. Era o dono da "Impala," uma empresa de carros de luxo, para aluguer, com ou sem motorista. Empregava dez motoristas, quase todos também mecânicos, mas não raras vezes ele mesmo se ocupava da verificação de alguma reparação mais complicada.
Era um empresário bem-sucedido, os seus motoristas eram recrutados entre os melhores, e eram reconhecidos pela eficiência e educação. Talvez por isso tinha tantos clientes fiéis.
Já no seu escritório, verificou primeiro o correio eletrónico, e só depois as cartas que a sua secretária tinha colocado em cima da mesa. Cartas do banco, faturas para pagar, recibos de contas pagas. Por último uma carta dirigia a ele e não à firma. Ficou surpreso. Quem diabo lhe escreveria e o que quereria dele? Olhou o remetente. Isabel Penha Sarmento. Não conhecia ninguém com aquele nome. Bom, o melhor era abrir a carta e ver logo do que se tratava.
Abriu o envelope, e retirou duas folhas de papel. A primeira, escrita à mão com uma letra bem desenhada dizia:

“Caro Senhor:
Ricardo Souto Medina
Sei que não me conhece e decerto estará a pensar que lhe estou a roubar o tempo, que lhe é tão precioso por nada. Acredite que me custa imenso fazê-lo. Protelei esta carta durante dez meses, mas prometi a alguém que conheceu bem, mas que já partiu, que o informaria de que o senhor foi pai de uma menina em Junho do ano passado. Junto a cópia da certidão de nascimento da menina, e verá que ela tem o seu nome.
Lamento se esta notícia vai atrapalhar a sua vida, mas promessa é promessa e eu cumpro as minhas, mesmo quando elas me afetam.
Se tiver algum interesse em conhecer a sua filha, a minha morada está no remetente.
Isabel Sarmento”

Ricardo leu e releu a carta. Depois pegou na cópia da certidão de nascimento e leu Matilde Sarmento Medina filha de Susana Penha Sarmento e de Ricardo Souto Medina.
Largou a cópia como se ela queimasse. O seu rosto moreno tinha perdido a cor. Que raio de história era aquela? Como é que alguém que ele nunca conhecera se atrevia a dar o seu nome a uma criança? Aquilo era caso de polícia.


E AGORA? SERÁ QUE SUSANA ENGANOU A IRMÃ?




E porque amanhã é domingo, esta história volta segunda. Deixo um apelo aos meus amigos portugueses. Não engrossem a fileira dos abstencionistas.  Que adianta levar o ano inteiro a clamar se quando podemos fazer alguma coisa para tentar inverter a situação não o fazemos?