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25.5.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE V






Setembro chegava ao fim, todavia  o sol brilhava quente e intenso a lembrar o Verão que há dias tinha dado lugar ao Outono.
Ricardo despiu o fato-macaco com que estivera a trabalhar com um dos seus mecânicos numa limusina que tinha sido alugada para um casamento dois dias depois, lavou as mãos, e encaminhou-se para o escritório.
Era um homem alto, delgado, de ombros largos e longas pernas. Teria perto de quarenta anos, moreno de olhos cinzentos e cabelos negros. Um homem muito interessante, uma presença forte, marcante. Era o dono da "Impala," uma empresa de carros de luxo, para aluguer, com ou sem motorista. Empregava dez motoristas, quase todos também mecânicos, mas não raras vezes ele mesmo se ocupava da verificação de alguma reparação mais complicada.
Era um empresário bem-sucedido, os seus motoristas eram recrutados entre os melhores, e eram reconhecidos pela eficiência e educação. Talvez por isso tinha tantos clientes fiéis.
Já no seu escritório, verificou primeiro o correio eletrónico, e só depois as cartas que a sua secretária tinha colocado em cima da mesa. Cartas do banco, faturas para pagar, recibos de contas pagas. Por último uma carta dirigia a ele e não à firma. Ficou surpreso. Quem diabo lhe escreveria e o que quereria dele? Olhou o remetente. Isabel Penha Sarmento. Não conhecia ninguém com aquele nome. Bom, o melhor era abrir a carta e ver logo do que se tratava.
Abriu o envelope, e retirou duas folhas de papel. A primeira, escrita à mão com uma letra bem desenhada dizia:

“Caro Senhor:
Ricardo Souto Medina
Sei que não me conhece e decerto estará a pensar que lhe estou a roubar o tempo, que lhe é tão precioso por nada. Acredite que me custa imenso fazê-lo. Protelei esta carta durante dez meses, mas prometi a alguém que conheceu bem, mas que já partiu, que o informaria de que o senhor foi pai de uma menina em Junho do ano passado. Junto a cópia da certidão de nascimento da menina, e verá que ela tem o seu nome.
Lamento se esta notícia vai atrapalhar a sua vida, mas promessa é promessa e eu cumpro as minhas, mesmo quando elas me afetam.
Se tiver algum interesse em conhecer a sua filha, a minha morada está no remetente.
Isabel Sarmento”

Ricardo leu e releu a carta. Depois pegou na cópia da certidão de nascimento e leu Matilde Sarmento Medina filha de Susana Penha Sarmento e de Ricardo Souto Medina.
Largou a cópia como se ela queimasse. O seu rosto moreno tinha perdido a cor. Que raio de história era aquela? Como é que alguém que ele nunca conhecera se atrevia a dar o seu nome a uma criança? Aquilo era caso de polícia.


E AGORA? SERÁ QUE SUSANA ENGANOU A IRMÃ?




E porque amanhã é domingo, esta história volta segunda. Deixo um apelo aos meus amigos portugueses. Não engrossem a fileira dos abstencionistas.  Que adianta levar o ano inteiro a clamar se quando podemos fazer alguma coisa para tentar inverter a situação não o fazemos?