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13.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XIII



Gil entrou na loja e dirigiu-se ao escritório, onde já encontrou o irmão, passeando de um lado para o outro com evidente nervosismo.
- Bom dia, Marco. Pareces preocupado.
-Bom dia mano. Estou nervoso. E se a Isabel não está minimamente interessada em mim?
Gil olhou o irmão com estranheza. Não estava habituado a vê-lo tão inseguro, fosse qual fosse a questão. Caramba, ele tinha trinta e dois anos e nessa idade, um homem sabe muito bem conhecer os sinais que uma mulher lhe dá. E ele tinha-lhe dito que tinha a certeza de que a jovem gostava dele, só não confiava nas suas intenções. Com todo aquele nervosismo, devia estar mesmo muito apaixonado.
Pôs a mão sobre o seu ombro num gesto de carinho, tentando acalmá-lo.
- Calma, se estás assim hoje, não quero ver-te no dia do casamento – disse sorrindo. Depois olhou o relógio e acrescentou:
- Dez horas. Estão a entrar. Não tarda estão a bater a esta porta. É melhor que nos sentemos.
- Senta-te tu. Eu não consigo, - retorquiu uns segundos antes de Isabel bater na porta para a abrir de seguida.
As três mulheres entraram na sala com o semblante carregado, preocupadas com aquela reunião repentina, e mais preocupadas ficaram com a presença de Gil. As três sabiam que raramente ele ia à firma, mesmo antes da tragédia que se abatera sobre a sua vida. E naquela semana era a segunda vez…
-Sentem-se – disse Gil. Chamámos-vos aqui para lhes dar conhecimento de algumas decisões que tomámos. Porque é o vosso local de trabalho, achamos que devem saber o que se passa. 
As três entreolharam-se preocupadas. Será que a empresa ia fechar? Iriam perder os seus empregos? Sem lhes dar tempo a grandes preocupações, Gil continuou:
-A partir de hoje, vou deixar de ser um dos sócios desta firma. Ela será pertença exclusiva do Marco, estamos à espera do doutor Alcides para assinar os documentos, mas a vossa situação na empresa não corre qualquer perigo. Da minha parte, quero agradecer-vos o grande empenho e rigor com que sempre desempenharam o vosso lugar. Dir-vos-ia que podiam ir abrir as portas, mas antes o Marco tem uma declaração a fazer e quer que sejamos todos testemunhas. Marco é contigo.
- Bom, sei que o que vou fazer,- disse aproximando-se do irmão, sem contudo se sentar -  pode não parecer muito ético, para este local, mas as circunstâncias a isso me obrigam. Teresa e Raquel, vocês são mulheres inteligentes, devem ter percebido como estou apaixonado pela Isabel. Mas também devem ter conversado entre vós e sabem que ela não acredita, que eu tenha intenções sérias a seu respeito. Pois bem Isabel, - disse aproximando-se e agarrando a mão da jovem – que vermelha de vergonha não sabia onde se meter – neste momento, reitero tudo o que te disse em particular, e perante estas testemunhas te suplico, que me dês a honra de casar comigo e juro fazer da tua felicidade o grande objetivo da minha vida.
Finalmente a jovem levantou o olhar brilhante pelas lágrimas e prendeu-o nos olhos masculinos, com uma resposta muda, mas plena de amor, que Marco entendeu perfeitamente.
- Então Isabel – disse Gil levantando-se. Posso ou não dar-vos um abraço e desejar-vos felicidades?
- Claro que sim, - disse o irmão desviando o olhar e sorrindo feliz. - Mas espera um pouco, ainda não acabei.
Meteu a mão no bolso, e tirando a caixinha com o anel, meteu-lho no dedo, e de seguida puxou-a para si, abraçou-a e beijou-a.
Ouviram-se palmas e depois Gil, Raquel e Teresa abraçaram os noivos.
Uns minutos mais tarde, Gil disse:
-Agora vão abrir a porta e voltem ao vosso trabalho. E hoje vão as três almoçar connosco. É a minha despedida.


10 comentários:

Pedro Coimbra disse...

O homem é um romântico!

Ailime disse...

Bom dia Elvira,
Um episódio muito bonito.
O amor venceu barreiras.
Beijinhos,
Ailime

chica disse...

Lindo e empolgante. Gostando muito! beijos, tudo de bom,chica

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está muito interessante e aproveito para desejar à minha amiga a continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Cidália Ferreira disse...

Que bonito momento!!
-
Sou o desejo dum tempo que não existe
Beijo e um excelente dia!

noname disse...

Há coisas que nunca mudam. Digo eu :-)

Bom dia, Elvira

Gil António disse...

Olá:- Ai o amor ai ai. Gostei muito de ler mais uma relato fascinante
.
POEMA ** Ardo em lume brando **
.
Desejando um dia feliz

Os olhares da Gracinha! disse...

Precisei de me situar na história mas já está... por isso aguardo mais um capítulo!
Bj

Edumanes disse...

Pelos vistos a ideia de Gil ressoltou. Tendo Isabel à surpresa reagido positivamente!

Tenha uma boa noite amiga Elvira. Um abraço.

Kique disse...

Mais um belo capitulo desta belíssima historia
Bjs

Kique

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