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22.11.19

OS SONHOS DO GIL GASPAR - PARTE XVII




-O menino que tem cinco anos estava visivelmente assustado.
-Meu Deus! E o menino ficou lá?
-Segundo a psicóloga, o menino foi entregue a uma família de acolhimento, porque ela tinha medo que ele o descobrisse e lhe fizesse mal para a tingir, porque ele não queria o divórcio.
- Porque não me contaste?
- Porque naquela altura tinhas preocupações mais que suficientes, com o nascimento da Mariana, o funeral da Sara, o teu sogro e cunhados, e as visitas ao hospital. Mas agora que falamos nisso, penso que podias trazer o filho dela para aqui. Esta casa é tão grande que decerto nem ias dar pelo miúdo. A mãe ficaria mais descansada, e sem preocupações o que era uma mais valia para a Mariana. O que dizes?
- Apesar de a levar todos os dias ao hospital, não troquei com ela mais do que meia dúzia de palavras, e sempre sobre o estado da minha filha. Tu é que a contrataste, fala com ela e diz-lhe que se quiser pode trazer o filho para viver aqui. Pode ser que assim se estabeleça um vínculo de amizade entre ela e as demais empregadas. Não me agrada o ambiente entre elas. Outra coisa, desde quando o meu advogado é para ti “o Alcides”? Que se passa com vocês?
Sem responder, a jovem levantou-se e foi até à janela. Pouco passava das quatro, mas dia escurecia rapidamente. Pensou que era normal, afinal faltavam duas semanas para o Natal. Voltou para junto da secretária e sentou-se. Só então respondeu ao irmão.
- Nada mais do que uma boa amizade. Quando, ou se, chegar a ser algo mais, podes ter a certeza que te direi, embora me considere suficientemente adulta para não ter de te dar conta dos meus atos.
- Sabes que só quero que sejas feliz.
- Eu sei, mano - disse Laura abraçando-o. - Sabe Deus como eu também quero a tua felicidade. Mas tenho fé que ainda vais arranjar alguém, que te faça feliz. Quem sabe a Luna? Ou ela é casada?
- Agora és tu que queres governar a minha vida? A Luna é uma boa amiga, uma espetacular mulher de negócios, a melhor agente literária que conheço, mas é também uma mulher muito independente, e eu seria completamente insensato e muito infeliz se me apaixonasse por ela.
Por outro lado, a minha experiência matrimonial não me deixou muita vontade de reincidir. Neste momento o que me preocupa, é a minha filha, os meus projetos, e a tua situação. Já pensaste no sítio onde queres montar a clínica?
- Não. Na verdade, já tenho uma proposta para um hospital particular. Depois o Alcides contou-me o teu projeto de Fundação, e se se concretizar pretendo trabalhar nele.
-Como assim?
- Vai ter um posto médico, não vai?
-Claro. Mas tinha pensado em algo básico, com uma enfermeira, para fazer alguns pensos, dar injeções e sobretudo ensinar às pessoas certos hábitos de higiene, distribuísse escovas e pasta de dentes, e preservativos.



11 comentários:

noname disse...

Empolgada. É a palavra :-)

Boa noite, Elvira

Pedro Coimbra disse...

Curiosamente a minha história de amor com a minha mulher começou muito assim, a fazerem-me ver o que eu queria negar.
Bfds

Joaquim Rosario disse...

Bom dia
Como esta historia ainda não tem muito romance , creio que vai aparecer agora e muito mais quando estão envolvidas crianças .

JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

Vem aí um projecto interessante!!! Bj

chica disse...

Sempre inspirada,Elvira! Gostando muito! beijos, chica, lindo fds!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

esteban lob disse...

¡Vaya, Elvira! Qué "set" más amplio de labores de la enfermera imaginada. Atractiva historia.

Ricardo Valério disse...

Lendo e acompanhando com toda a atenção e interesse
.
Feliz fim de semana

Cidália Ferreira disse...

Muito bem! Já espero pelo próximo!! :)

-
Beijo, e uma boa tarde! :)

Edumanes disse...

Para os seus projetos, ideias não lhes faltam. Importante será que se concretizem!

Bom fim de semana amiga Elvira. Um abraço.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Mais um capítulo muito interessante.
Vamos aguardar o desenrolar desta bonita história.
Um beijinho.
Ailime