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4.12.18

UMA PRENDA PARA O MENINO JESUS




Lea já está cansada de ser sempre a mais pequena. O seu irmão, Natan, que já é grande, esse tem direito a fazer muitas coisas na hospedaria de Belém. Mas sempre que ela quer ser útil, respondem-lhe:
— Deixa lá, Lea, ainda és muito pequenina para fazeres isso!
Empoleirada nos seus quatro anos, Lea observa os peregrinos. São muitos, nestes últimos tempos, em Belém. O imperador decidiu mandar recensear toda a população e as pessoas vêm inscrever-se em longas listas. Na hospedaria, a mãe cozinha sem cessar enquanto o pai serve os clientes.Todas as manhãs, Natan vai ao mercado comprar legumes, regatear e discutir os preços mas, como sempre, ninguém presta atenção a Lea, a mais pequena.
Numa bela manhã, Lea não aguenta mais. Pega na sua manta preferida, a grande e vermelha, que a agasalha e a reconforta de tudo, e vai procurar a mãe.
— Eu também gostava de ajudar! Natan pode fazer tudo, mas eu… eu não sirvo para nada! Dizem sempre que sou muito pequena!
— Ó minha querida, tu és muito importante para todos nós! – diz  a mãe surpreendida, pegando nela ao colo. — O que é que faríamos sem ti? Ainda és muito pequenina para cozinhar ou ir buscar água, mas se queres mesmo ajudar-nos, passo a chamar por ti quando vir que podes fazer alguma coisa.
— Está bem! – diz Lea, radiante. — Entretanto vou brincar.
Lá fora, Lea brinca durante muito tempo com o cordeirinho e com a sua boneca Ana e depois vai brincar com o irmão. Até que chegou um grupo de visitantes. Nessa altura, Natan teve de ir para casa ajudar os pais. Nessa noite, há muita gente na hospedaria. As pessoas entram e saem sem parar, numa barulheira infernal. O ruído é tanto, que Lea mal ouve a mãe chamá-la do fundo do pátio:
— Lea! Lea! Podes vir ajudar-me, por favor?
A menina atravessa a cozinha a correr e aparece de imediato à entrada. Ali, junto da mãe, encontra um homem e uma senhora ainda jovem, sentada em cima de um burro.
— O que posso fazer? – pergunta Lea, esbaforida.
— Podes acompanhar estes senhores ao estábulo? – pergunta-lhe a mãe. — A hospedaria está cheia, não tenho nem mais uma cama livre para esta noite! Mas toma cautela para o burro não escorregar nas pedras.
Lea desce com cuidado a encosta. Feliz por ir à frente, guia-os devagar, muito devagarinho, até ao fundo da vereda. Lea nunca imaginou que o estábulo pudesse agradar à jovem mulher! Sem se lamentar, ela ajoelha-se e agradece a Deus a calma e a palha fresquinha que ali acabam de encontrar.
Enternecida, Lea observa-a a acariciar por muito tempo o seu cordeirinho.
De repente, o irmão surge à porta.
— Despacha-te, Lea, são horas de ires dormir!
— Boa noite… – murmura-lhe uma voz suave. Lea repara como a jovem mulher parece cansada. Para ela termina ali um longo dia.
De regresso à hospedaria, Lea vai deitar-se. Aconchegada no calor da cama, reza as suas orações embrulhada na manta. Os pais vêm depois dar-lhe um beijo e logo de seguida Lea voa para o país dos sonhos. Estava a dormir profundamente quando, de repente… em plena noite, quando tudo está calmo e silencioso, algo a faz despertar.
— É estranho – diz Lea para consigo. — Há uma luz a brilhar no estábulo. Porque será? Precisarão os peregrinos de alguma coisa? Tenho de ir ver…
De imediato, embrulha-se na manta ainda quente e desce a vereda.
Devagarinho, Lea abre a porta do estábulo, e nunca há-de esquecer o que vê ali. Deitada na palha, a jovem mulher tem nos braços um recém-nascido, e o seu rosto brilha de alegria.
Lea não hesita um segundo…
Tira a manta das costas, dobra-a com cuidado, uma vez, duas vezes, depois pousa-a na manjedoura.
— Tome… é para o bebé – diz ela.
A jovem mãe vem deitar o seu menino em cima da linda manta vermelha. O coração de Lea bate com força. Está tão feliz!
No limiar da porta, os pastores esperam. Contam que lhes apareceram anjos, a anunciar que um novo rei ia nascer aquela noite, num estábulo. Uma estrela conduziu-os até ali. Lea escuta, maravilhada. De repente, também os pais e o irmão se aproximam.
Quando a mãe vê a manta vermelha, aperta Lea contra si. Sente orgulho na sua menina. E compreende então que se podem fazer coisas verdadeiramente importantes, mesmo aos quatro anos de idade.


Tina Jähnert ; Alesssandra Roberti (ill.)
La venue du petit Jésus
Zurich, Éditions Nord.Sud, 2004
(Tradução e adaptação)


Amanhã o conto de Natal será meu. É claro que não será tão belo quantos os que apresentei até agora, mas espero que vos agrade.

20 comentários:

chica disse...

Adorei mais esse,Elvira! E, tenho certeza que o teu nada deixará pra trás em beleza! Vamos esperar! beijos,chica

Lua Singular disse...

Elvira,
Meu comentário não entrou? Fiz ontem
bj
Lua Singular

Edum@nes disse...

O Natal pouco me diz,
não o senti em criança
nem sempre se alcança
o que o destino não quis!

Tenha uma boa noite amiga Elvira.
Um abraço.

Zé Povinho disse...

Bonito.
Abraço do Zé

Josélia Micael disse...

Querida amiga Elvira!
Que história mais linda, adorei!
Fico esperando pela de amanhã(...)
tenho a certeza que também irá ser maravilhosa!
Meus parabéns amiga você escreve muito bem.
Um beijo de paz e bem... e uma noite abençoada!

O meu pensamento viaja disse...

Como sempre, lindo o seu texto.
Obrigada pela dica. Vou procurar o xarope de tomilho. Muito obrigada. Beijo

esteban lob disse...

Excelente matiz navideño, apreciada Elvira. Tu talento es multifacético.

Un beso austral.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Um conto lindíssimo.
Obrigada por partilhar.
Beijinhos,
Ailime

Pedro Coimbra disse...

Por aqui vamos vivendo o verdadeiro espírito do Natal.
Mensagens de paz, de harmonia.
Abraço

Maria João Brito de Sousa disse...

Sempre belos, os contos com que nos brinda, Elvira.
Fico a aguardar o próximo, de sua autoria.

Abraço.

_ Gil António _ disse...

Bom dia- Sempre salutares de ler as estorinhas de Natal.
.
* Sou folha escrita em poesia apagada *
.
Abraço de amizade.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei minha amiga.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Cidália Ferreira disse...

Bom dia
Mais um maravilhoso Conto!Amei. Obrigada

Beijos e um excelente dia

Meu Velho Baú disse...

Muito bonito.
Vou aguardar ....pelo seu.
Beijinhos

António Querido disse...

O Natal, as prendas, as crianças diz-me muito e agora que se habituaram a ser eu a tocar a campainha com as prendas às costas dá-me um prazer especial.

Fico à espera do seu conto de Natal.

Anete disse...


Olá...
Um conto bonito, todos podemos fazer "algo bom", inclusive as criancinhas...
O conto de amanhã será ÓTIMO, certamente...
Bjs

Lua Singular disse...

Oi Elvira,
Lindo conto do nascimento do menino Jesus, até me emocionei.
Crianças e deficientes são anjinhos que Deus enfeita a Terra.
Beijos no coração
Lua Singular

Os olhares da Gracinha! disse...

Não conhecia e gostei muito de ler!!! Bj

Rosemildo Sales Furtado disse...

Os contos do Natal geralmente são muito bonitos.

Abraços,

furtado

Ana Freire disse...

Que lindo!...
Estou adorando estes contos de Natal, Elvira! Mais uma partilha tocante e encantadora!...
Beijinhos
Ana