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14.2.20

14 DE FEVEREIRO - DIA DE S: VALENTIM E MAIS...

                                foto da Wikipédia


Hoje é dia de S. Valentim. Diz a lenda que este santo durante a sua vida protegeu os namorados realizando casamentos em segredo, já que o imperador Cláudio II os tinha proibido porque acreditava que os jovens com família não se alistariam no exercito que estava desfalcado e a necessitar com urgência de reforços. Por causa desses casamentos, Valentim terá sido preso e condenado à morte.
Por isso hoje é o dia dos namorados. Todos os meus amigos sabem que não ligo muito aos dias de..., pois penso que dias de... são todos os dias, especialmente quando o dia de... é de namorar. Há lá coisa melhor que dar e receber demonstrações de amor? E depois, se o ano tem 365 dias, por ser bissexto este até tem 366, e só um para namorar, não acham que é uma pobreza franciscana? Deixo-vos com um dos vário poemas que ao longo de 50 anos tenho escrito inspirada no meu namorado




PENSO EM TI


Penso em ti
Na solidão
angustiada
dos dias
que dançam
em ondas de agonia
no oceano
do meu corpo
esquecido.

Penso em ti
Nos labirintos
do sonho
perdida.
Como barco
sem rumo
nem norte
em mar de
tempestade.

Penso em ti
Na escuridão
silenciosa
da minha noite
que cavalga
o tempo sem fim
do meu corpo
ondulante
de desejo.

Penso em ti
Principio e fim
da razão
do meu ser.

Elvira Carvalho



Mas hoje é também a data em que há um ano, eu apresentava o meu segundo livro. Uma história de amor em tempo de guerra.




4.12.18

UMA PRENDA PARA O MENINO JESUS




Lea já está cansada de ser sempre a mais pequena. O seu irmão, Natan, que já é grande, esse tem direito a fazer muitas coisas na hospedaria de Belém. Mas sempre que ela quer ser útil, respondem-lhe:
— Deixa lá, Lea, ainda és muito pequenina para fazeres isso!
Empoleirada nos seus quatro anos, Lea observa os peregrinos. São muitos, nestes últimos tempos, em Belém. O imperador decidiu mandar recensear toda a população e as pessoas vêm inscrever-se em longas listas. Na hospedaria, a mãe cozinha sem cessar enquanto o pai serve os clientes.Todas as manhãs, Natan vai ao mercado comprar legumes, regatear e discutir os preços mas, como sempre, ninguém presta atenção a Lea, a mais pequena.
Numa bela manhã, Lea não aguenta mais. Pega na sua manta preferida, a grande e vermelha, que a agasalha e a reconforta de tudo, e vai procurar a mãe.
— Eu também gostava de ajudar! Natan pode fazer tudo, mas eu… eu não sirvo para nada! Dizem sempre que sou muito pequena!
— Ó minha querida, tu és muito importante para todos nós! – diz  a mãe surpreendida, pegando nela ao colo. — O que é que faríamos sem ti? Ainda és muito pequenina para cozinhar ou ir buscar água, mas se queres mesmo ajudar-nos, passo a chamar por ti quando vir que podes fazer alguma coisa.
— Está bem! – diz Lea, radiante. — Entretanto vou brincar.
Lá fora, Lea brinca durante muito tempo com o cordeirinho e com a sua boneca Ana e depois vai brincar com o irmão. Até que chegou um grupo de visitantes. Nessa altura, Natan teve de ir para casa ajudar os pais. Nessa noite, há muita gente na hospedaria. As pessoas entram e saem sem parar, numa barulheira infernal. O ruído é tanto, que Lea mal ouve a mãe chamá-la do fundo do pátio:
— Lea! Lea! Podes vir ajudar-me, por favor?
A menina atravessa a cozinha a correr e aparece de imediato à entrada. Ali, junto da mãe, encontra um homem e uma senhora ainda jovem, sentada em cima de um burro.
— O que posso fazer? – pergunta Lea, esbaforida.
— Podes acompanhar estes senhores ao estábulo? – pergunta-lhe a mãe. — A hospedaria está cheia, não tenho nem mais uma cama livre para esta noite! Mas toma cautela para o burro não escorregar nas pedras.
Lea desce com cuidado a encosta. Feliz por ir à frente, guia-os devagar, muito devagarinho, até ao fundo da vereda. Lea nunca imaginou que o estábulo pudesse agradar à jovem mulher! Sem se lamentar, ela ajoelha-se e agradece a Deus a calma e a palha fresquinha que ali acabam de encontrar.
Enternecida, Lea observa-a a acariciar por muito tempo o seu cordeirinho.
De repente, o irmão surge à porta.
— Despacha-te, Lea, são horas de ires dormir!
— Boa noite… – murmura-lhe uma voz suave. Lea repara como a jovem mulher parece cansada. Para ela termina ali um longo dia.
De regresso à hospedaria, Lea vai deitar-se. Aconchegada no calor da cama, reza as suas orações embrulhada na manta. Os pais vêm depois dar-lhe um beijo e logo de seguida Lea voa para o país dos sonhos. Estava a dormir profundamente quando, de repente… em plena noite, quando tudo está calmo e silencioso, algo a faz despertar.
— É estranho – diz Lea para consigo. — Há uma luz a brilhar no estábulo. Porque será? Precisarão os peregrinos de alguma coisa? Tenho de ir ver…
De imediato, embrulha-se na manta ainda quente e desce a vereda.
Devagarinho, Lea abre a porta do estábulo, e nunca há-de esquecer o que vê ali. Deitada na palha, a jovem mulher tem nos braços um recém-nascido, e o seu rosto brilha de alegria.
Lea não hesita um segundo…
Tira a manta das costas, dobra-a com cuidado, uma vez, duas vezes, depois pousa-a na manjedoura.
— Tome… é para o bebé – diz ela.
A jovem mãe vem deitar o seu menino em cima da linda manta vermelha. O coração de Lea bate com força. Está tão feliz!
No limiar da porta, os pastores esperam. Contam que lhes apareceram anjos, a anunciar que um novo rei ia nascer aquela noite, num estábulo. Uma estrela conduziu-os até ali. Lea escuta, maravilhada. De repente, também os pais e o irmão se aproximam.
Quando a mãe vê a manta vermelha, aperta Lea contra si. Sente orgulho na sua menina. E compreende então que se podem fazer coisas verdadeiramente importantes, mesmo aos quatro anos de idade.


Tina Jähnert ; Alesssandra Roberti (ill.)
La venue du petit Jésus
Zurich, Éditions Nord.Sud, 2004
(Tradução e adaptação)


Amanhã o conto de Natal será meu. É claro que não será tão belo quantos os que apresentei até agora, mas espero que vos agrade.