20.12.16

A TRÉGUA DE NATAL



aldeia do pai Natal - Finlândia

Na Finlândia, próximo da cidade de Turku, o duque João passa revista às tropas como habitualmente faz todos os dias. Olha com muita pena para estes homens cansados. Estão mobilizados para defender a cidade contra vizinhos invejosos que desejam apoderar-se dela.
“O Natal está a chegar e todos gostaríamos de passar a festa em família”, pensa ele com tristeza. “Se não estivéssemos em guerra… Se os combates pudessem cessar por uns momentos…”
O duque João puxa de repente pelas rédeas do seu cavalo e pára.  Acaba de ter uma ideia! Ei-lo que, sem demora, se lança a galope em direcção à linha do inimigo.
Chegado junto do acampamento adversário, pára a montada e ergue-se sobre os estribos…
— Amanhã, pela graça de Deus, vai ser o dia do nascimento de nosso Senhor e Redentor — anuncia ele com voz possante. — Declaramos uma trégua de Natal e convidamos todos a celebrar esta festa com o devido recolhimento.
Um longo silêncio acolhe as palavras do senhor de Turku. Mas, em breve, clamores de alegria se elevam por todo o lado em ambas as partes.
— Há trégua! — gritam os soldados, abraçando-se entre si.
Em poucos minutos, o campo de batalha transforma-se. Os inimigos de ontem congratulam-se, apertam a mão, abraçam-se. Rapidamente, os homens juntam-se para formar uma só e única tropa que, alegre, larga a caminho da cidade.
Em Turku, as mulheres e as crianças, ao depararem com aquele estranho cortejo a aproximar-se, ficam cheias de medo. Escondem-se, a toda a pressa, em casa.
— Abram!  Somos nós, viemos festejar o Natal! — gritam os homens do duque João pelas ruas fora. — E trazemos convidados!
Então, uma a uma, abrem-se as portas para acolher os combatentes.
Os homens reencontram as suas famílias e todos recebem os vizinhos com um sorriso. A alegria espalha-se por todas as ruas. Deliciosos aromas saem das casas.
Na Missa do Galo, os antigos inimigos cantam como irmãos o nascimento do Salvador.
A partir de então, todos os anos, o presidente da câmara de Turku proclama a trégua de Natal.
Durante dois dias, todos esquecem as ofensas para prepararem, em paz, o nascimento de Jesus.
 Christine Pedotti
24 histoires de Noël pour attendre Jésus
Paris, Mame, 2007
(Tradução e adaptação)






9 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roaquim Rosa disse...

bom dia
muita gente devia ler esta historia de Natal.
JAFR

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Desconhecia a origem das Tréguas de Natal.
Um Santo e Feliz Natal.
Andarilhar

O meu pensamento viaja disse...

Interessante!

Respondendo à sua questão, em breve apresentarei o diy sobre panados congelados.
Beijo

Majo Dutra disse...

Muito interessante, Elvira.
Abraço natalino.
~~~~~~~~~~

Edumanes disse...

Foi fácil convencer as partes envolvidas no conflito, porque os soldados estavam cansados de lutar. Motivo pelo qual teriam por unanimidade concordado com a trégua. Agora já assim não é, porque as máquinas de guerra não se cansam, Também ouvi dizer que havia quem dissesse de que na guerra colonial quando o Benfica jogava. Os guerrilheiros paravam a guerra para ouvir o relato. Eu digo que era ao contrário, eles aproveitam-se da distracção dos portugueses para os atacar!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Maria Rodrigues disse...

Que história tão interessante.
Minha amiga, aproveito para lhe desejar um Natal muito Feliz e um Novo Ano pleno de sonhos realizados, alegrias constantes, amizade e amor sempre presentes, excelente saúde, e incontáveis momentos felizes.
Beijinhos
Maria

Rogerio G. V. Pereira disse...

Hoje já não há guerras
como essas
nem tréguas assim

Mas fará bem o edil de Turku em manter o ritual...

Odete Ferreira disse...

Hoje, já nada disto é possível. Nem para salvar civis!
Obg pela partilha, desconhecia.
BJo, Elvira
(Se não tiver tempo para votar aqui, deixo os meus votos de uma ótima quadra natalícia)