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24.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XXXVII



- Aqui não há muita escolha, como vês nem é um restaurante a sério é apenas um café que serve menus em conta para os trabalhadores da zona, - explicou Anete, quando se sentaram à mesa. – Desculpa, mas uma hora não dá para ir a outro lado.
- Não te preocupes. Se ficar com fome, peço outra dose.
Pediram o prato do dia, e esperaram o empregado afastar-se.
- Fiquei preocupada com a tua mensagem. A tua mãe piorou?
- Não. Mas como sabes a saúde dela nunca mais foi a mesma desde que meu pai morreu.  E depois do nosso divórcio ainda ficou pior. Tinha metido na cabeça que era uma crise passageira e que íamos reconsiderar.
Calou-se e esperou que o empregado os servisse. Depois continuou:
- Quando lhe disse que já estávamos divorciados e que tinhas vindo viver para Lisboa, ela piorou. Contratei uma enfermeira para cuidar dela. Sara, é uma excelente profissional, tem sido muito carinhosa,  e agora ela está bem melhor, embora continue ressentida contigo, e a culpar-te pelo divórcio. Sara tem trinta anos e é divorciada há três anos. O marido traiu-a com a própria irmã, com quem depois se casou. Como deves compreender, foi uma dor muito grande, que lhe fez perder a fé nos homens. Estou apaixonado por ela, e creio que não lhe sou indiferente, mas ela não confia em mim.
- Com uma história dessas no passado, não é de admirar. Vais ter que te armar de muito amor e paciência. E eu não sei como ajudar-te.
-Não te vim pedir ajuda, Anete. Vim contar-te o que se passa, porque vou contar à minha mãe, e aos meus amigos. E tinha que te dizer primeiro. Não queria que o soubesses por outros. Penso, que talvez Sara acredite em mim, quando lhe demonstrar que a amo, perante toda a gente.
- És um homem bom, a Sara vai acabar por confiar e amar-te como mereces. Vou orar por vós.
- E tu? Já tens alguém? Vi um homem novo lá por casa quando estiveste em Coimbra.
- Era Salvador, o cunhado da minha irmã. Foi ele que fez com que descobrisse a minha gémea.
- É verdade, disseste que depois me contavas. Que história maluca, essa de seres adotada.
- Sabes, meus pais guardaram segredo por pensar que se eu soubesse me ia sentir menos filha deles que os meus irmãos. E eles não sabiam de nada porque eram muito pequenos, na altura.
- E como descobriste?
Ela contou-lhe a história por alto.
- Interessas-te por ele?
- É um advogado de renome, Afonso. Mesmo que me interessasse por ele, não ia dar certo. Se um dia se casar, há-de escolher uma mulher à sua altura.
- Não te subestimes Anete. Tu és uma mulher de grandes sentimentos e isso, para um homem é mais importante que tudo o resto.
- Ai meu Deus, faltam cinco minutos para as duas, -disse Anete pondo-se de pé.
-Vai. Eu pago a conta. – Disse empurrando-a para a porta.
- Adeus, Afonso. Boa viagem, e boa sorte com a Sara, - e saiu atravessando a rua quase a correr.


Quanto à Internet, o técnico que esteve cá ontem, e que nada fez, porque eu já tinha Internet, mas que se pôs em contato com a companhia detetou  que o sinal tem picos e diz que como o equipamento é muito sensível se vai a baixo quando isso acontece. Disse-me que ia seguir a informação para os técnicos do exterior, para ver onde está o problema e quando estivesse resolvido me informavam.
Estou com esta operadora há catorze anos e  até Junho deste ano, nunca tinha tido nenhum problema. Antes tive dois anos a TVCabo que depois passou a ZON e agora é NOS. Foram dois anos de chatices.  Vamos ver. Já os informei que se o problema não for resolvido rescindirei o contrato.  

11.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE XLVII

                                                 foto do google


Na Seca havia cada vez mais trabalhadores, cujos filhos tinham sido levados para a guerra nas colónias. Todos os dias o pessoal aguardava a chegada da carroça do ti Abel, que trazia as compras e o correio do Barreiro, já que não havia outro posto de correio mais perto, nem o carteiro ia fazer distribuição à Seca. Muitos nem sabiam ler e recorriam a companheiros que sabiam, para lhes ler as notícias que os jovens conseguiam passar nos aerogramas, e lhes escrever a resposta.
Às vezes eles escreviam o que não deviam, segundo a óptica do governo, e essas notícias nunca chegavam à família, que andava numa aflição sem saber porque não escreviam os filhos, ou os maridos, pois havia entre os militares mobilizados muitos que já eram casados, e alguns até pais.
No início de Abril é assassinado outro dos homens que Manuel muito admirava. Martin Luther King.
Revoltado dizia: “Este mundo está perdido. Como é que alguém tem coragem de assassinar um homem tão bom, que só prega a não-violência?”
E a mulher respondia: “Não era melhor que Cristo, e como sabes também O mataram “
Quase no final de Abril, com a safra praticamente terminada, comemoram-se os quarenta anos de governo de Salazar, com algumas inaugurações. No dia seguinte o ditador fará 79 anos, e como prenda em Matosinhos cinco mil pescadores entram em greve.
Pouco depois, a safra termina, e os últimos trabalhadores regressam às suas aldeias de origem onde esperarão ansiosos que os barcos regressem em Outubro.
Nos primeiros dias de Junho, outro assassinato nos EUA, daria que falar no mundo inteiro. Comentava-se que uma maldição caíra sobre a família Kennedy, pois desta vez o assassinado fora Roberto, então Senador de Nova Iorque.
Em Julho um acontecimento caricato mas que demonstra bem a mão de ferro do governo Salazarista. Uma greve da Carris, termina com um agradecimento formal e público dos trabalhadores ao ditador, transmitido para todo o país pela TV